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Tetas do demônio
January 27th, 2012
Eu tinha que vir aqui dizer isto.
Estava ouvindo agora um podcast sobre coisas que as pessoas dizem que são do diabo.
As babaquices de sempre: Disney, Barbie, Helo Kitty, Pokemon, Harry Potter, discos tocando músicas ao contrário com mensagens subliminares, etc
Acredite, existe quem acredita nesses absurdos. Duvida?
Leiam alguns comentários e sintam o seu QI fazer skydiving sem páraquedas.
Continuando, eu estava ouvindo o podcast sobre o assunto e então um dos ouvintes ligou lá e disse que amamentação é do diabo.
Amamentação, senhoras e senhores, é demoníaca. Qual a justificativa que ele deu para tal fato?
“Se não fosse, DEUS NÃO TERIA INVENTADO A MAMADEIRA!”
Como dizem os americanos: “I shit you not.”
Nem troll faria uma afirmação dessas, porque até troll conhece os limites entre uma afirmação que causa polêmica e uma afirmação proveninente de pura acefalia.
A Trégua de Natal de 1914
January 18th, 2012
Eu sei que o natal já passou, mas essa história eu vou ter que contar e é HOJE!
Às vezes a realidade dá um banho de surrealismo na ficção, e esta história que eu vou relatar, meu amigo, aconteceu de verdade.
Na verdade, não sei como é possível esta história não ser a história mais conhecida de natal de todos os tempos. Enfim.
O ano era 1914. Dezembro, véspera de natal. Bélgica. Plena linha da frente da Primeira Guerra Mundial, Inglaterra e Alemanha frente a frente, dentro de trincheiras lamacentas, em um dos piores invernos já vistos.
Ambos os lados já haviam sido informados de que aquela guerra ia demorar bastante tempo, e a vantagem moral estava do lado britânico, que tinham convicção que depois do Ano Novo iam conseguir empurrar as linhas para a frente, encurralando um pouco mais a máquina alemã.
Quando o dia 24 amanheceu, tudo estava normal. Tiros eram trocados, projéteis de morteiros voavam de um lado para o outro, soldados morriam e matavam.
Naquele tempo, as trincheiras eram novidade e, como tal, eram muito mal feitas. Inundavam constantemente, muitas vezes ruíam graças ao inverno rigoroso europeu, e estavam constantemente sobrelotadas. As pessoas literalmente se amontoavam e se atropelavam para se mover lá dentro.
A noite
Ao anoitecer nesse dia, juntamente com a redução de tiros trocados, os soldados britânicos começaram a perceber um som diferente: música.
Os soldados alemães estavam cantando músicas de natal. Pior ainda; os soldados alemães estavam erguendo árvores de natal e acendendo velas, denunciando assim a sua posição!
Estariam loucos? Os britânicos gritaram “É UMA CILADA BINO!” e continuaram observando, prontos a atacar. E então começou a acontecer. Alemães começaram a levantar placas dizendo “Se vocês não atirarem, nós não atiramos”. Os britânicos começaram então a cantar músicas de natal também.
Organizaram batalhas de cânticos natalícios, e em várias ocasiões um lado aplaudia o outro lado, ao fim de uma música. Com esse crescendo de informalidade entre os dois lados, um lado começou a enviar ao outro lado presentes.
Cigarros, comida, bebida, tudo voava de um lado para o outro.
E foi então que a magia aconteceu.
Lentamente, os soldados começaram a erguer as cabeças de dentro das trincheiras, a medo. Naquele clima de “ei, eu estou me mostrando, pelamordedeus não atira”, eles começaram a sair das trincheiras. Primeiro os alemães, e depois os britânicos.
Com muita desconfiança, encontraram-se todos na “terra de ninguém”, que é o espaço entre as trincheiras (em inglês, “No Man’s Land”). Cumprimentaram-se e começaram a trocar presentes entre si.
O Comando não gostou muito da idéia. Alguns enviaram ordens explícitas para não confraternizar com o inimigo (ordens que foram na sua maior parte ignoradas). Outros, fingiram que não viram. Por fim, houve aqueles que se juntaram à reunião.

A terra de ninguém se transformou numa festa de natal com músicas, troca de presentes, camaradagem, e até mesmo futebol (o time alemão ganhou ao inglês por 3 a 2). No fim da festa houve inclusivamente um alemão fazendo malabarismo.
Desta festa participaram milhares de soldados alemães e britânicos.
Esta trégua foi também aproveitada para enterrar soldados, reabastecer as tropas e houve casos em que generais tentaram usar a ocasião para reconhecer o terreno inimigo.
A trégua continuou no dia 25, e em alguns casos foi até ao Ano Novo. Mas na maioria dos lugares as batalhas tiveram início no dia 26.
Entre os rituais combinados entre os dois lados para retomar a batalha, um do qual se tem notícia foi assim:
O Oficial inglês deu três tiros para cima e os ingleses ergueram uma bandeira escrito “Feliz Natal”.
Os alemães ergueram um lençol com os dizeres “Obrigado”. Um Oficial alemão levantou-se na sua trincheira, fez uma saudação solene, e deu dois tiros para cima. A guerra estava ativa novamente.
Os acontecimentos de 1914 nunca mais se repetiram. Muito pelo contrário, para que se certificassem que nunca mais acontecia, os comandantes ordenaram nos anos seguintes um aumento nos bombardeamentos durante a época de natal.
Em terra de olho…
January 16th, 2012
…quem tem um cego… errei.
Riam. Parem. Continuem lendo.
Acontece que eu já andava mal das pernas oculares há mais de 2 anos.
Eu, que sempre me orgulhei da minha visão perfeita, comecei a ter que lidar com o fato de que às vezes as letras começavam a ficar desfocadas.
Eu, que na bateria de exames físicos no Hospital da Aeronáutica em São Paulo fiz a clássica brincadeira de ler a linha de baixo (a das letras microscópicas) quando o médico pediu pra ler a primeira, e ficou com cara de besta quando viu o que eu tinha feito.
Eu, que adorava brincar de “quem consegue ler primeiro a placa daquele carro lá longe” com meu irmão, porque era simplesmente covardia.
De repente, me vi privado de um dos meus grandes prazeres, que é ver ao longe como poucos. I had it coming. Uma vida inteira de videogames, filmes e computadores não pode passar impune.
E na sexta feira reuni cojones e fui ao médico du zói. Ela me pergunta:
“Você quer o exame de 15 minutos (grátis) só pra ver o grau que precisa ou quer o exame full mega hiper plus com vitaminas, cálcio e lactobacilos tão vivos que já venceram 12 medalhas de ouro nas olimpíadas oculares? Só 16 euros! *CA-TCHING!*”
- Er… opção 2, por obséquio.
- Certo, vai demorar aproximadamente 45 minutos.
- Fair enough.
E lá fomos nós. Primeiro numa maquininha daquelas de “põe o queixo aqui”. A imagem era uma estrada com um balão no fundo. Parecia o balão do Corel Draw.

Good times.
Dois minutos depois, ela mandou eu me levantar.
“Mas já?” – pensei.
Mas parece que aquilo eram só as preliminares e ela mandou eu entrar numa salinha escura (e isso é o mais próximo que eu vou conseguir de juntar as palavras “preliminares” e “salinha escura” com alguém que não seja a minha esposa).
Na salinha, uma cadeira acoplada com uma monstruosidade mecânica que eu só posso comparar com um mecha do Matrix.

E era assim que eu me sentia
Sentado lá, ela projetou uma linha de letras na parede oposta a onde eu estava e pediu pra eu ler, colocando uma tala em um dos meus olhos. Li, meio a custo. Projetou outra, e aí eu peidei e pedi arrego. Devo ter acertado uma ou duas, das cinco. Com um sorriso, ela projetou uma terceira linha e disse: “Não se apavore, mas tente ler esta”.
Nem me dei ao trabalho. Pontinhos na parede não são letras. Li desta forma: “shmevers, storevers, blebers, trebers e redlers”
Ela riu e puxou um dos braços mecânicos do negócio e colocou na frente dos meus olhos, enquanto explicava:
“Eu acho que você tem falsa miopia. Seus olhos se comportam como se você tivesse miopia, mas é na verdade uma acomodação no músculo, que passa tanto tempo contraído, que quando é pra descontrair, não consegue fazê-lo totalmente. É como quando você fica muito tempo sentado em cima de uma perna dobrada. Quando tenta esticá-la, não consegue e dói. O olho não dói, mas não consegue “esticar” até ao fim.”
E dito isso, começou a me fazer vários tipos de exames e exercícios com aquele aparelho na cara. Foram bolinhas, traços, quadrados, cores e testes de foco.
No fim do exame, ela pegou um daqueles óculos estranhos em que você pode colocar e tirar lentes à vontade, e disse:
“Vamos agora ver se eu tinha razão”
Voltou a projetar letras na parede.
“Lê essa linha. Lê essa agora. Agora essa.”
Entre uma linha e outra, ela ia tirando e colocando lentes, perguntando se eu estava lendo melhor ou pior, ou qual era mais confortável.
A determinada altura, ela pediu pra ler uma linha.
Eu li facilmente. Ela disse: “Ao lado dessa linha tem um número menorzinho. Consegue ler?”
Eu li “0.75″
- Agora lê essa linha.
Eu li.
- E o número ao lado?
- 1.0
- Mais uma linha.
Li
- E o número?
- 1.2
- Bem, aqueles números referem-se à acuidade visual. Quem lê o 1.0 significa que tem a visão a 100%. Quem lê a 1.2 é 120%, ou seja, vê mais do que 100%.
Me animei, óbvio.
- Opa doutora, é dessa lente que eu preciso!
- Essa lente você já tem. Você está sem lentes.

Pense no super homem conseguindo voar depois de passar 2 anos com uma pedra de kriptonita no bolso. Pense no Charlie entrando na fábrica de chocolate e vendo o rio de brown cow depois de uma vida de miséria e fome. Pense num padre católico saindo do mosteiro depois de 2 anos de claustro e entrando numa creche.
Eu estava fora de mim.
- Mas hein?
- Estes últimos 45 minutos de exames e testes serviram também como exercício de relaxamento para os seus olhos. Eu descansei os seus olhos a ponto de eles voltarem à forma antiga.
E pronto. A magia foi feita. É claro que ela não me curou, apenas me mostrou que é possível eu voltar a ver bem sem óculos ou qualquer tipo de ajuda. Talvez daqui a 6 meses, quem sabe 1 ano, mas o importante é que meus olhos continuam foderosos.
O que se segue? Vou usar óculos de leitura e descanso, e diariamente terei que fazer alguns exercícios. Tenho que usar óculos escuros sempre que sair de casa durante o dia (eu já faço isso normalmente, então tá tudo certo).
As más notícias é que vou continuar vendo mal ao longe durante algum tempo. As boas é que depois de algum tempo, não vou ter que usar mais.
Quem quer brincar de ler a placa deixada por astronautas na lua?
Saiba mais sobre Falsa Miopia ou Pseudo Miopia:
Música de elevador
January 10th, 2012
E já que falamos em elevadores, um forte abraço a quem quer que seja que escolhe a trilha sonora dos elevadores do Hospital Pediátrico de Coimbra. Até agora já rolou Aerosmith, Marilyn Manson, Metallica, Guns ‘n Roses e Pearl Jam.
Kenny G meus ovos!
Aprendendo a usar o elevador
January 10th, 2012
Elevadores deviam ter um manual de instruções dentro.
Né pussívi!
Muitos já repararam que a maioria dos elevadores tem, entre os seus botões, dois em específico:

<> ou >< (abrir ou fechar portas)
O funcionamento é (ou deveria ser) muito simples:
Quer manter a porta aberta (pra dar tempo de alguém entrar, por exemplo)?
Aperta o botão de abrir portas (<>) e zás. A porta abre. Para os casos de estar esperando alguém entrar, manter o botão pressionado impedirá que as portas fechem novamente.
Fácil, certo?
Agora vamos falar do outro botão. O botão de fechar porta (>
Digamos que por definição as portas comecem a fechar 5 segundos depois da última pessoa passar pelos sensores das portas. Ao premir o dito botão, você passa por cima desses 5 segundos e as portas começam a fechar imediatamente.
É essa a função do botão. Começar a fechar as portas imediatamente.
Eu tenho passado os últimos dias em um edifício com elevadores. E já é a quarta vez que eu entro no elevador junto com mais gente, a porta começa a fechar, e tem sempre um cretino que vai lá e aperta o botão depois da porta começar a fechar!
O que será que ele acha que vai acontecer ao premir a porcaria do botão? A porta vai acelerar? Será que ele acha que o elevador é tipo um joguinho em que ele tem que manter o dedo lá senão a porta não fecha?
A verdade é que ele não faz a menor idéia do que está fazendo e, pior ainda, não repara que as ações dele não surtem qualquer efeito!
Isso acontecer de vez em quando deve ser normal, mas eu ter presenciado o acontecimento 4 vezes nos últimos 3 dias é de estragar a amizade.