A saga do touro futebolista (a.k.a. LAST PART)
PRÓXIMO TAKE? Como “próximo take?” Eu tinha acabado de ser literalmente atropelado por um touro enquanto vestia uma roupa ridícula de cowboy, rolado naquela areia e fugido em disparada por cima da cerca, simplesmente pra TER QUE VOLTAR LÁ PRA DENTRO? E com outra roupa?
Foi com incredulidade que vi o touro sendo recolhido pela porta de madeira, assistentes retirando os pedaços de cadeiras e mesas da arena, e colocando em seu lugar…. puffs. Sim, desses que se colocam na sala. Mas mini. Eram mini puffs. Como um daquele que se vêem no circo para os poodles se sentarem em cima e ficarem nas duas patas dianteiras. Medo.
Caro leitor, procure em sua mente um uso para se fazer com mini puffs, uma arena, e um touro. Antes de continuar a ler, pense um pouco sobre as possibilidades. Se conseguir pensar em algo, parabéns, pois ali na hora eu não consegui.
Entrando no vestiário, só consegui ver o que pareciam ser bolas de golf gigantes, mas com buracos para cabeça, pernas e braços.
“Tirem as roupas e proteções, só vão precisar disto e dos capacetes.”
O alívio de me livrar daquele monte de roupa se misturava com o pavor de voltar lá pra dentro SEM aquele monte de roupa.
Quando entrei naquela bola gigante, estava parecido com o boneco de Marshmellow dos Ghostbusters. A roupa pegava meu pescoço, braços (até o pulso, fazendo com que eu não conseguisse mexer os braços de forma alguma), e as pernas (só deixando os pés de fora, fazendo com que eu também não conseguisse andar).
Não preciso nem dizer que tiveram que me colocar o capacete, pois eu não conseguia. E como também não conseguia andar normalmente, tiveram que me levar de mãos dadas até a arena enquanto eu andava “estilo pinguim”. Chegando lá, me colocaram em cima de um daqueles puffs. Claro, como não pensei nisso antes? Um boneco de neve em cima de um puff minúsculo dentro de uma arena onde em poucos minutos estaria um touro furioso livre, leve(?) e solto, pronto para usar os chifres (e eu me refiro a chifres verdadeiros, não aqueles que todos nós, homens, temos). Era perfeito. “Jogue futebol com Mytho, a bola”.
Eu não estava sozinho. Havia mais 4 “bonecos de neve” em outros 4 puffs. Mas era EU que estava em frente à porta por onde o touro ia sair. E era EU que estava completamente DE COSTAS para essa porta. À minha frente eu via o diretor e umas 20 pessoas que estavam ali assistindo (assistentes de produção, outros dublês, etc). Todos riam e diziam suas piadinhas para quem estava lá dentro. Não ri de nenhuma.
Com uma familiaridade desconfortável, ouvi o diretor gritar “CÂMERAS…. AÇÃO!”
“ABRE AGORA!”
Foi um pesadelo. Percebia-se que o touro era outro, e mais pesado. Nos touros, normalmente “ser mais pesado” significa “ter mais músculo”, e eu não estava particularmente feliz com isso. Desta vez eu não tinha sequer a minha visão de “canto de olho”, e não podia mexer a cabeça. Tinha que me limitar a ouvir o touro respirando pesadamente, acertar bonecos (que na verdade eram pessoas nas mesmas condições que eu, no mesmo lugar que eu) e observar a reação das pessoas que viam tudo do lado de fora da arena, bem na minha frente.
Então vi quando eles começavam a rir desalmadamente depois de um barulho intenso seguido de um gemido, bem atrás de mim. Vi quando viraram a cara e disseram “aaaaaai” em uníssono depois de um barulho especialmente assustador. E silêncio.
Na verdade um silêncio muito estranho. Foi quando o diretor gritou “VERMELHO, MEXA-SE, SÓ FALTA VOCÊ!”
E entendi. O touro tinha derrubado o pessoal e tinha se desinteressado. Estava ali parado olhando o povo no chão e esqueceu de mim. E o diretor queria que eu me mexesse pra provocar o touro. Claro. Não poderia haver nada que eu quisesse mais no mundo inteiro do que provocar um touro a poucos metros de mim.
Então comecei a mexer os dedos. O diretor queria que eu me mexesse, mas não disse que eu deveria mexer o corpo todo, então mexi apenas os dedos… (eu tinha pensado em só mexer os olhos, mas com o capacete não ia dar pra ver direito)
“GRITA COM ELE, CHAMA ELE”
A brincadeira já estava indo longe demais.
“touro… eh touro” – sussurrei
“CHAMA, GRITA, SE MEXE!”
“EH TOURO! SUA MÃE É UMA VACA!”
Era a mais pura verdade, mas o touro não gostou. Enquanto eu ouvia o pessoal gargalhando à minha frente por causa da piadinha fácil, eles deixaram de estar à minha frente. O touro enfiou o chifre em baixo da minha roupa, perto dos meus pés, e me jogou pra cima. Rolei por cima dele, passando por cima das costas dele. Ele também não gostou disso. Mal caí no chão ele aproveitou pra jogar um futebolzinho descontraído comigo. Perdi a conta de quantas vezes ele me rolou pela arena, mas o pessoal tava adorando. Tonto, parei de rolar finalmente. O touro perdeu o interesse novamente.
Foi recolhido, as pessoas me ajudaram a levantar e tirei a roupa ali mesmo, claustrofóbico.
Recebi minha grana e entrei no ônibus, querendo somente a minha cama.
Cheguei a fazer outros trabalhos posteriormente com esse grupo, mas nada se comparou sequer a esse primeiro dia.
** FIM **


September 15th, 2006 at 4:02 pm
Hahahaha tem o video dessa aventura? Ja estive no Silvio Santos ganhando uma casa
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September 15th, 2006 at 5:09 pm
Mytho, meu caro, esta história é para a galeria “tu não vais acreditar!…”
Ler este 3 post’s foi a coisa mais divertida que fiz ao pc toda a semana, não só pq a semana sucked mas por que foi hilariante do principio ao fim.
Mais historias, grita a multidão!
Abraços e bom fds, sua bola chama-touros
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September 16th, 2006 at 5:09 am
hahahaha
mytho, vc é meu ídolo!!!!
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September 16th, 2006 at 11:31 am
Snake, não tem o vídeo não. Eu bem que pedi pra eles, mas eles fizeram cu doce. Vc ganhou uma casa no Sílvio Santos??
Caro doutor Terapi(st)a, eu já contei essa história algumas vezes e o índice de credulidade é de aproximadamente 70%. Mas garanto que tudo o que relatei aconteceu e foi a mim (não imagino a quem mais este tipo de situações poderia acontecer no universo e arredores). Tenho mais histórias sim, e vou relatando aos poucos.
Ceci, se pra ser seu ídolo é necessário um animal de 300 quilos, devo ser seu único ídolo, certo?
beijo e juízo.
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April 28th, 2008 at 6:09 pm
Hahahahaha! Fabuloso! Eu tô com pena de você… Kung Fu serviu pra que nessas horas? Naaaadaa! FDP seu professor, hein?
Que bom que sobreviveu para nos contar dessa saga!
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Mytho respondeu eu April 28th, 2008:
haah Fabiana! Foi uma época interessante da minha vida! Não me arrependo não… não me machuquei e fiz um dindim…
=**
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Fabiana respondeu eu April 29th, 2008:
Você ainda luta kung fu? Eu sempre quis fazer, tinha um kung fu shaolin aqui perto, na rua da consolação… mas babai nunca deixou, ele acha que eu vou apanhar. Agora tô fazendo taekwondo, já que é incluso no preço da cadimía. Hehehe! Tô amando. Mas ainda quero experimentar kung fu. Vc é de SP?
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Mytho respondeu eu April 29th, 2008:
Eu não luto mais. Eu morava em SP sim, mas aí vim morar em Portugal e aqui num tem Kung Fu na cidade onde moro, então tive que parar, infelizmente. Assim que abrir uma academia por aqui, eu to dentro. Eu fazia shaolin também no tatuapé. =**
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