Vidas Estranhas I
Ele acordou e olhou em volta. Demorou alguns segundos para reconhecer seu próprio quarto. Ao seu lado, ela. Nua. Aos poucos, as recordações da noite anterior foram aflorando e, com as recordações, o sorriso inevitável apareceu.
Conteve a súbita vontade de gritar, rir, abraçar aquele corpo, sentou-se na cama e vestiu as cuecas e uma camiseta. Vai do avesso mesmo, quem tem paciência pra virar a camiseta do outro lado quando acorda?
Sem fazer barulho (para não acordar os pais), foi ao banheiro, voltou ao quarto, vestiu-se.
Sentou-se novamente na cama, beijou-a demoradamente. Disse baixinho ao seu ouvido “eu te amo”.
Depois, tirou a faca das costas dela, embalou-a em um saco de lixo grande, jogou tudo no porta-malas do carro e foi trabalhar. Ainda tinha que passar no banco antes pra pagar uma conta. Tanta coisa pra fazer e tão pouco tempo disponível…
*** Post original em 17-11-2003 (antigo site)

