Fora da Lei e da Estrada
Este texto é a resposta ao meme do Guilherme. É claro que para o site da promoção eu tive que espremer a história em 500 caracteres.
Mas para os leitores deste site e da Papo de Homem, nada menos que os fatos completos! Espero que gostem ![]()
Quem quiser continuar este meme, está convidado!
O ano é 1995.
Foi marcado um encontro do pessoal do pessoal do canal #Brasil do servidor de IRC DalNet no Rio de Janeiro. Eu e mais 3 amigos (um deles maior de idade e proprietário de um carro) nos pusemos a caminho.
A viagem correu bem, sem grandes percalços, até porque o condutor não passava dos 80Km/h.
Chegando lá, conheci o pessoal carioca no barzinho, conversamos bastante e, lógico, tinha lá no bar um PC com net pro povo ir falando com as pessoas no canal. Entretanto começo a falar com um amigo que ficou em São Paulo e que não tinha ficado sabendo do encontro (na época eram os chamados IRContros).
Diz ele: “Se aí tá tão bom assim, eu tô já.”
Como o cara era menor de idade, ainda tentei argumentar com ele que o preço da passagem de busão e trem estavam acima de nossas posses, mas não insisti demais porque ele era abastado, filho de empresário importante.
À tarde ele chega. Dirigindo. Menor de idade. No carro do ano importado do pai. Sem o pai saber. Com cara de safado e sorrindo, cumprimenta a galera e orgulhoso, vai espalhando pra meio mundo que roubou o carro do pai para estar ali, sem carta, sem autorização, sem grana.
O resto do dia aconteceu sem grandes novidades, fomos para a casa de uma amiga que nos estava acolhendo para tomar banho, comer um lanchinho, etc.
À tarde, a caminho do restaurante, eu estava no carro de uma amiga e ele no carro do pai, atrás de nós. Molequice pouca é bobagem. O animal resolve fazer macaquice com o carro, cantando pneu em segunda e terceira, derrapando, buzinando. É claro que bate o carro em mais 2 carros e entretanto atropela um pedestre.
Paramos mais à frente e, quando chego perto, ele está dando um soco no vidro da frente do carro, com raiva, xingando. O vidro quebrou com o soco e a mão dele começou a sangrar na hora.
Aí eu me deparo com a cena:
- Amigo xingando com a mão sangrando.
- Tiozinho deitado no asfalto sangrando e dizendo “eu tô bem, eu tô legal”
- Motoristas de mais 2 carros xingando e gritando e “aposto que nem tem carta esse moleque” e “devia ir pra cadeia” e “FEBEM NELE!”.
- Minha amiga tentando levantar o tiozinho que, entretanto, procurava um sapato que tinha perdido no acidente, e que eu vi que estava entalado na lateral do Mondeo do pai do meu amigo.
Como qualquer amigo que se preze após ver que estavam todos vivos e conscientes, adotei a postura que se fazia necessária: sentei no chão, chorando de rir.
O tiozinho lá conseguiu recuperar o sapato e, na beira da estrada descobrimos que ele era, obviamente e com a graça de Murphy, um policial.
Não parava de repetir “tudo bem, a culpa foi minha, eu atravessei sem olhar pros lados” até que descobriu que o meu camarada era menor de idade. Mal tomou conhecimento da informação, “vamos pra delegacia”.
Fomos. O meu amigo chorando, a minha amiga tentando consolá-lo, o tiozinho mancando e eu simplesmente porque não tinha mais onde ir.
Quando chegamos, o delegado pegou o depoimento de cada um dos envolvidos e perguntou ao meu amigo os dados do pai.
E foi aí que aconteceu o meu primeiro contato com a realidade brasileira.
Acontece, caros leitores, que o pai do meu camarada é diretor de uma multinacional muito muito muito (já mencionei “muito”?) conhecida.
Como dizem os russos, “Money Talks”, ou seja, “Dinheiro é Talco”, ou seja, em francês, “Eu posso, eu mando”.
O delegado engoliu em seco, e se trancou na salinha dele pra telefonar pro pai abastado do pequeno delinquente.
Pouco tempo depois, chega um helicóptero.
O pai dele sai de lá de dentro, entra na delegacia, não olha para a cara de nenhum de nós (nem mesmo do filho), cumprimenta o delegado, entra na salinha, porta trancada.
Sai de lá 10 minutos depois, olha pro filho e diz, muito lentamente, apontando pro helicóptero:
“Entra.”
Eu juro que tentei segurar o riso, mas tive mesmo que forçar um ataque de tosse que não enganou ninguém. O pai dele olhou pra mim como se eu fosse um pedaço seco de cocô de urubu e entrou no helicóptero.
Fiquei sem ter notícias do meu camarada durante 3 meses. Mais tarde fiquei sabendo que naqueles 10 minutos em que o pai dele esteve com o delegado, houve ali uma transação financeira de elevado valor para que a imprensa não soubesse de nada e para indenizar o policial e os condutores dos outros 2 carros.
Ah, bons tempos da minha juventude que não voltam mais…











December 4th, 2007 at 6:26 pm
Não acredito que tu me chamou de Gustavo!
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December 4th, 2007 at 6:27 pm
Ah, deixa de ser meticuloso… Gustavo, Guilherme, é tudo igual!
hahahahahahaha
Corrigido,
Abraço
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December 4th, 2007 at 7:46 pm
Pô Mytho. E vc nem pra pedir uma carona de helicoptero pra Sampa?
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December 4th, 2007 at 8:16 pm
ficar no mesmo recinto fechado com o pai dele não era uma opção atrativa naquele momento
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