A Bombada
Eu digo que meu grupo de amigos de infância foi muito mais legal que o grupo do American Pie e nego não acredita.
Já contei aqui a história da Pomba Vem-Vem, e para quem acha que é uma daquelas histórias que acontecem uma vez na vida, chegou a hora de desenrolar mais um capítulo vergonhoso da minha juventude.
É hora de contar a história fascinante d´A Bombada
Esta história tem como protagonistas dois amigos que, para proteger suas identidades, vou chamá-los de Mytho e Leitão.
Pois bem, a história destes dois é passada em meados de 2001, 2002, se não me engano. Tinha sido um ano muito difícil para Mytho e Leitão, em termos de relações inter-pessoais. Resumindo, Mytho e Leitão estavam na secura total. E digo mais: Leitão ainda não tinha… tido um contato mais íntimo com ninguém naquele ano. Ele estava realizando (contra sua própria vontade, claro) um feito que nós gostamos de denominar “Zerar o Ano”, ou seja, passar o ano inteiro celibatário, casto, puro, basicamente um virgem.
Uma noite, Leitão está voltando para casa em seu carro, quando o sinal fica vermelho. Ele pára, e, poucos segundos depois, ao seu lado pára outro carro, com uma fêmea da espécie ao volante. Não entrarei em méritos de beleza. Era fêmea e estava olhando para ele e sorrindo, o que já era bem mais do que seu passado (não tão) recente. Em um rompante de desespero, Leitão abre o vidro do carro e faz sinal para ela fazer o mesmo.
Ela assim faz. Ele então, corajosamente, pede seu número de telefone. Ela dá. Por um momento, ele vê uma luz divina pairando sobre sua cabeça, mas é apenas o sinal verde.
Leitão vai para casa e se tranca no banheiro.
No dia seguinte, Leitão liga pro Mytho.
- Mythão, cê não vai acreditar, cara.
- Saiu da secura?
- Não, mas é nesse naipe! Ontem uma mina me deu o celular dela no sinal vermelho!
- E você acreditou que ela deu o número certo? Como você é cabaço, Leitão…
- Cara, ela tava sorrindo pra mim, dando mó mole… vou aí na sua casa e a gente liga pra ela e vê se ela tem uma amiga pra gente sair hoje os quatro, belê?
- Belê mano, mas já tô avisando que se a amiga for fubanga, eu deixo vocês três falando e volto pra casa hein?
- E desde quando você é exigente com mulher?
- Argumento aceite. Vem aí que a gente liga pra ela.
Nessa noite Leitão foi para casa do Mytho e de lá marcaram o número dela.
Milagre 1: Ela tinha dado o número certo. Leitão falou que tinha um primo que não era da cidade e que queria conhecer a night e perguntou se ela tinha alguma amiga que pudesse distrair o pobrezinho.
Milagre 2: Sim, por coincidência ela estava com uma amiga e queriam sair. Estavam pensando em ir ali naquele barzinho que tocava…. FUNK!
Mytho pensou: Puta merda
Leitão pensou: Puta merda
Leitão disse: Opa! Adoramos funk! Bora lá nós quatro!
Milagre 3: As duas minas eram gatinhas, e realmente compareceram no local e hora estipulados.
Entraram e começaram a dançar. O Leitão e a mina dele. Mytho, que não detinha o conhecimento da letra ou sequer das músicas, ficou encostado num balcão, fazendo cara de malvado, coca cola na mão, agindo como se fosse o macho mais cool do universo. A amiga tava desbundando e dançava sem parar, ao som de “eu vou gozar na sua garganta” e “eu vou passar cerol”.
Ao fim de alguns minutos, o Leitão, a mina do trânsito e a amiga estavam dando uns amassos. O Leitão com a mina, a amiga com um carinha que aparentemente sabia as letras e gostava de dançar funk.
Mytho ainda encostado, fazendo cara de malvado, e pensando “Nota mental: aprender a gozar na garganta e a passar cerol na porra da pipa”
Terminada a noite, cada um para sua casa, e o contato meio que ficou assim em suspenso. Até que…
** Fast forward até 31 de Dezembro daquele ano **
Leitão estava em casa do Mytho. A situação sexual de Leitão não se tinha alterado e Mytho, como bom amigo, estava em um rompante de tiração de sarro com a cara de Leitão.
- VAI ZERAR O ANO, CABAÇO! HAHAHAHAHAHAHAHAH!
- Porra Mythão, fala assim não, cara… tô no aperreio…
- Leitão, quantas vezes você deu uma catimbada na jabiroba este ano?? Responde! Responde que eu quero ouvir!
- Zero…
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!
- Porra Mytho, não é possível… percorre aí a sua agenda telefônica no celular… pede pra alguma amiga sua dar pra mim, por caridade e compaixão…
- Cara, nem pra mim elas estão liberando… O negócio tá brabo pra mim faz uns 3 meses já também…
- Porra Mytho, 3 meses!! Eu já tô há mais de 12!!
- HAHAHAH!! ZEROU O ANO!! ZEROU O ANO!!
- Sério, cara… vê aí na sua agenda…
Comecei a O Mytho começou a percorrer sua agenda telefônica, no melhor estilo “dois três quatro cinco meia sete oito”. Chegou na letra “M”. Mina do semáforo. (é, o Mytho usava nomes que o fizessem lembrar das pessoas, em vez dos nomes próprios)
- Cara… olha o número que eu achei aqui… cê acha que…
- Mano, liga pra ela! Pergunta se ela lembra de mim!
- Liga você, que vai zerar o ano! Eu tô na minha!
- Por mim, cara!!
Mytho ligou.
- Alô?
- Oi, aqui é o Mytho, lembra de mim? Amigo do Leitão, a gente foi ali no barzinho e rolou aquele funk uns meses atrás…
- Ah, lembro sim! Tudo bom, Mytho? Como tá o Leitão?
- Tá bem, tá tudo certo… sabe o que é.. eu e ele estamos aqui em casa e a festa que a gente ia no reveillon acabou de miar… você tem alguma idéia pra passar o reveillon? O que você vai fazer?
- Putz, eu vou com a minha amiga (lembra dela?) pra Santos. Eu tenho um apartamento lá e a gente vai lá pular as ondinhas e tal…
- Ah.. legal… vai ter alguma coisa lá na praia?
- Ah, o de sempre né… povo na rua, aquela piração…
- Pode crer… se bobear a gente aparece por lá então… aí a gente te liga e se você tiver um tempinho vai se encontrar com a gente lá, que tal?
- Mytho, melhor que isso… que tal vocês dormirem lá no apê? Meus pais vão passar aqui em Sampa mesmo, a gente vai estar tranquilo lá…
Eu não consigo descrever o sorriso que se apoderou de mim do Mytho naquele momento e a cara de curiosidade que tomou conta do Leitão.
- Beleza então. Quando a gente chegar, a gente te liga e você dá as indicações.
- Beijo.
Quando o Mytho desligou o telefone, olhou muito sério para o Leitão e disse:
- Seguinte. Eu só vou pra lá se a gente fizer um acordo.
- Fala.
- Na hora que você tiver mandando ver na safada, vai ter que gritar o meu nome!
- Mythão, se você conseguir me salvar de zerar o ano, eu grito seu nome e faço ela gritar o seu nome também!
No caminho contei o Mytho contou tudo para o para o pequenino, que mal podia acreditar na sorte.
- Mytho, vou fazer de tudo! Vou voltar de lá com as pernas bambas, vou emagrecer 12 quilos! Vou precisar de férias de 3 anos!
- Tomara que dessa vez não tenha funk, assim eu posso tentar a sorte com a amiga dela!
- Caraio Mytho… eu grito seu nome e você grita o meu, do quarto ao lado!! hahahaha!
Chegando lá, telefonaram para as garotas, que o informaram do lugar em que se encontravam. Era um barzinho. Mal chegaram ao local, notaram que o local estava cheio de…. homem. Elas eram as únicas garotas daquele bar. Memorize bem esse fato, que será muito importante futuramente nesta história.
Sentaram e começaram a bater papo. Logo, Leitão estava já de mãos dadas com a mina dele e Mytho tentava jogar o xaveco tradicional pra cima da amiga. A conversa desenrolava com facilidade e estavam todos bem à vontade, rindo, conversando e fazendo joguinhos de olhares.
Subitamente, a mina do Leitão olha para ele nos olhos e diz:
- Vamos para o apartamento?
Quando ela disse “…tamento” ele já estava em pé e tinha colocado o dinheiro das bebidas em cima da mesa.
Ela ainda disse assim para mim o Mytho e para a amiga:
- Apareçam por lá daqui a pouco!
A mensagem era clara. Leitão ia se dar bem e Mytho estava no mesmo caminho. Quando iam saindo, a amiga chama a outra e diz:
- Baixa aqui que eu quero te perguntar uma coisa.
A garota abaixou a cabeça, ficando na posição em que Napoleão perdeu a guerra.
Agora imaginem a cena.
Leitão estava atrás da garota, que estava naquela posição. Ele estava a pouco menos de um passo dela.
Visualize. Leitão põe uma mão na própria cintura. Põe a outra na própria nuca. Imaginou? Mãozinha na cintura e outra na nuca.
Leitão então olhou para o Mytho e, sorrindo, bombou.
Eu repito. Ele bombou. Não foi uma encostadinha de leve. Ele bombou de forma a ela se desequilibrar para a frente.
Eu repito. Ela quase tombou para a frente com a bombada que ela tomou por trás.
Ela olhou para ele e, acredite ou não, ele estava ainda com a mão na cintura, a outra na nuca, e dando risada para o amigo. Depois de bombar na bunda dela, no meio de um bar. Cheio de homem. Onde só tinha elas de mulher.

Imagina esta a imagem, mas com o cachorro com uma mão na cintura e a outra na nuca, dando risada pra você
A mina ficou vermelha, verde, amarela, roxa, marrom, laranja. Endireitou-se, pegou na mão da amiga.
- Vamos embora.
E desapareceram no meio da multidão. Nunca mais as viram.
Leitão conseguiu não só estragar a noite de seu amigo Mytho, como zerar aquele ano.
Podem perguntar na Cabana do Dr. Love, mas bombar na bunda da amiga num bar cheio de macho é má idéia!











January 29th, 2008 at 4:05 am
OAIUEHAEIOUHAEIOHeAIOUHAEIOEHAEIHAE
Caralho mano. Por que eu não sabia disso ainda?
AOEIhAEIOHEIOAHaeiohAEIOHEA
Vou ter que arrumar um jeito de zoar o leião agora. Pior que tem anos que não o vejo.
Sobre a escrita, achei estranho o “** Fast forward até 31 de Dezembro desse ano **” Eu colocaria “daquele ano”
[]’s
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Mytho respondeu eu January 29th, 2008:
Não seja boiolitos de queijo, Mag00zito!
Já troquei a palavrinha que te incomodou, neném!
Vc pode achar o Leitão no mesmo lugar de sempre hehehehe
=*
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January 29th, 2008 at 12:38 pm
AUhauhAuhauahauahuahauh pqp…
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Mytho respondeu eu January 29th, 2008:
Na hora eu fiquei puto com ele, mas hoje em dia eu lembro dessa noite como um dos melhores reveillons até hoje! A gente era muito porra louca
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January 29th, 2008 at 1:27 pm
Então tu quer dizer que teu conceito de “Bom reveillon” pra ti significa: Passar com um homem, num bar cheio de homens e a idéia de que duas mulheres deixaram vocês chupando o dedo?
hum… conceito diferente…
hehehhe
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Mytho respondeu eu January 29th, 2008:
haha porra, não me zoa…
Eu falei que no dia fiquei puto da vida, mas a gente tem que aprender a rir de si mesmo, e a gente acabou zuando muito o barraco depois do sucedido naquele reveillon.. não rolou secho pra ninguém ali aquele dia, mas a gente se divertiu do mesmo jeito
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January 29th, 2008 at 10:10 pm
Caraca… Forrest Gump perde…
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Mytho respondeu eu January 29th, 2008:
O Leitão leu o texto e disse “eu teria dado mais risada se não tivesse sido comigo”
Não entendi
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Nadynne respondeu eu January 30th, 2008:
Eeeehhhh… Eu também não entendi… O que será que ele quis dizer com isso?!
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January 30th, 2008 at 7:23 pm
Caraca, Mytho, ri alto aqui no serviço!!! Assim você detona minha reputação de funcionária pública concentrada, rapá! Huahauahauahua…
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Mytho respondeu eu January 30th, 2008:
hahaha desculpa então hein!
Essa história é daquelas que se não tivesse acontecido comigo, eu não acreditaria…
=**
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February 11th, 2008 at 10:39 am
HAUhUAhUAHUAhUAhA
PQP!!! Mas que idéia de Jerico hein?
AhuAHuAHuHAuHAUHA
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Mytho respondeu eu February 13th, 2008:
to até hoje tentando entender o sucedido
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February 26th, 2008 at 11:42 am
[...] tem direito (capricha no purê) - Fliperama na Pça Sílvio Romero com meu mano Leitão (sim, o da Bombada Mágica) - Churrasco com família e amigos - Arroz com feijão - Mais arroz com feijão - Mais esfihas de [...]
April 15th, 2008 at 11:59 am
[...] amigo meu que não será identificado me contando sobre o que aconteceu num encontro sábado à noite: (texto integral, com as devidas [...]
May 6th, 2008 at 10:22 am
[...] história é metade verdadeira e aconteceu com alguém que vocês já deveriam suspeitar. Cabe a cada um de vocês adivinhar qual é a parte verídica da história, afinal de contas eu [...]