Na terra de Jordi
Ah, oui… Paris…
A cidade dos artistas, dos amantes, e da luz.
Paris dos perfumes caros, dos desfiles de moda. Das lojas de roupa daquele estilista.
Paris do Louvre, da Notre Dame Cathedral, do Arc De Triomphe, da Torre Eiffel e do Centre Pompidou.
Além disto tudo, Paris tem mais uma particularidade:
Paris é a única cidade do planeta que eu já vi de noite, mas não de dia.
Passo a explicar, com direito a jabá:
Estava eu a caminho de casa após umas férias em Munique. O avião faria uma escala de 7 (SETE) horas em Paris.
Chegando no aeroporto de Paris (Charles de Gaulle), fui tentar saber se a Air France ia me pagar estadia em hotel. Óbvio que eu, pé rapado que sou, tomei manguito e me encaminharam para os banquinhos da sala de espera mais próxima.
Teimoso, voltei atrás e perguntei no meu melhor francês:
“Is there a bus to Paris?” - pensando que estava perguntando para a moça “jacaré no seco anda?”.
Eram 23:20. Ela consultou o relógio rapidamente e disse que dali a 10 minutos sairia o último busão para a cidade luz.
Raciocine comigo: Cidade luz, cidade dos turistas, portanto busão grátis, certo?
Errado. TREZE EUROS.
“Ferrou, não vai sobrar grana nem pra um croissant” - deduzi.
Entrei no busão e perguntei para uma senhora simpática do meu lado no meu melhor espanhol:
“Are we going anywhere near the Eiffel Tower?” - pensando que perguntava “Setembrochove?”
Ela disse que sim e que me avisava quando fosse a hora.
40 minutos depois, ela me avisa que tá na hora de dar o sinal. Pensei em gritar “VAI DESCÊ COBRADÔ!” mas reparei que não havia cobrador, e a piada perdia um pouco da graça, ainda mais que ninguém ia entender pitombas do meu maloquês.
Desci pertinho do Arco do Triunfo, chamado assim por ser um arco com a forma das bolachas Triunfo. Não? Quem? Ah, o Napoleão? Jura? Passava por baixo do arco sempre que voltava vitorioso de uma guerra? Num sabia. Valeu.
Dei azar. O Arco tem uma parte visitável, e mal eu botei o pé lá dentro, veio uma policial cheirando Channel Nº5 e me falou em francês: “sorry, we´re closing, it´s midnight”.
Como eu não entendo francês, respondi em inglês mesmo: “merci!”
E foi então que olhei para o horizonte e tive a visão. A Torre Eiffel. Ao longe.
Peraí. Longe?
Longe.
Eu juro que sempre achei que a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo eram ali, mano a mano, um encostado no outro.
Aparentemente eu estava (bastante) enganado. A torre era um negocinho iluminado com luzes amarelas.
Pensei então “vou aos Campos Elíseos”, que eu achava que era um grande parque onde durante o dia o pessoal ia fazer piqueniques e jogar freesbee e pintar quadros e ser sensível.

Mon amour, mon croissant du chocolat avec banana et un peu de foie gras!
Então, esperto que sou, resolvi pegar aquela avenida gigantesca chamada CAMPOS ELÍSEOS, em busca dos tais CAMPOS ELÍSEOS. Ok, você pode parar de ler agora, eu tenho certeza que você perdeu completamente o respeito por mim.
Andei aquilo tudinho tudinho até chegar à prefeitura. Pelo menos eu acho que era a prefeitura. Tinha tudo ali. Fonte, bandeira da França, e um jardim enorme que estava fechado com um portão (trancadíssimo). Olhei na plaquinha pensando “não acredito que fecharam os Campos Elíseos” e o nome do parque era outro completamente diferente (Jardins des Tuileries), na Praça da Concórdia.
Aí comecei a desconfiar que talvez eu já tivesse passado pelos Campos Elíseos e que talvez provavelmente os famosos Champs Elysées fossem nada mais nada menos que uma avenida gigantesca com todo o tipo de bares, discotecas, cinemas, shoppings, concessionárias (Peugeot, claro), e Hard Rock Café. Fiz uma nota mental: “nunca comentar isto com ninguém” e prossegui. oops.
Decidido a encontrar a Torre Eiffel sozinho sem olhar em mapas, comecei a andar na direção dela. Seguindo o rio Seine, sempre de olho na torre (ainda pequena), comecei a perceber algo interessante. A torre parecia estar DO OUTRO LADO do rio.
Atravessei uma das pontes e vi no fundo da avenida um jardim gigantesco. Utilizando toda a minha cultura francesa e meu mapa biológico, pensei “deve ser o Louvre! Ou então o Pompidou! Ou então notre Damme!”. E fui lá. Atravessando o jardim colossal cheguei a um portão, que guardava uma construção maior ainda.
Comecei a procurar placas ou indicações do que seria aquilo, e não achei. Tinha um guardinha noturno na guarita. Chamei e perguntei, arriscando no francês:
“What is this place?”
E ele me explicou que era um hospital para veteranos de guerra que hoje, graças ao Google Earth, sei que se chama “L´Hotel des Invalides” (tuuuuudo a ver com o Louvre…).
Agradeci e perguntei por onde tinha que continuar para chegar à torre. Ele tentou me explicar, mas eu só entendi mesmo a direção que o dedo dele tava apontando e portanto foi essa toda a ajuda que eu tive.
Comecei a entrar por umas avenidas e às vezes perdia a torre de vista atrás dos prédios. Fui fazendo corta mato até que finalmente dei de cara com a Torre Eiffel, imponente e majestosa. Andei ali babando em volta dela durante uma meia hora, tirando fotos e realizando um dos meus sonhos de infância, que era justamente conhecer essa velha armação de ferro, feia que dói, mas linda de morrer.
Aí decidi voltar para a Campos Elíseos, onde eu tinha visto umas padocas convidativas onde eu poderia finalmente experimentar os pães franceses, com seus queijos exóticos.
E foi quando me deparei com um problema. Chegar na Torre tudo bem, que dava pra ver de longe… e voltar pro Arco? Como fica? Eu não podia fazer o mesmo caminho de volta, porque eu sabia que tinha prolongado o percurso demasiadamente com a Avenida, e portanto decidi seguir a minha bússola interior (eu não aprendo).
Quinze minutos mais tarde, eu estava mais perdido que cego em tiroteio. Comecei a andar por ali, tentando encontrar qualquer coisa que me ajudasse, mas não achava nem mapas e nem pessoas (de madrugada o povo não gosta de andar pelas ruas, aparentemente).
Até que achei um taxista. Perguntei “how can I go to the Arc De Triomphe?”
Não entendeu patavina do que eu falei.
Aí inspirei fundo, invoquei os espíritos de todos os franceses póstumos, puxei do fundo do meu crânio algumas aulas de francês que tive na 5ª e 6ª, e mandei.
“Pour la Tour Eiffel, s´il vous plaît. À pied. Pardonnez, je ne parle pas très bien le français” - pensando que dizia “demorou pra você aprender inglês, taxista safado”.
Mais uma vez, as palavras que saíram da boca dele não me ajudaram muito, mas felizmente Deus inventou a expressão corporal e o dedo dele apontando pra uma rua me localizaram.
Agradeci e segui caminho até chegar numa rotatória grande. De longe até pensei que era o Arco do Triunfo, mas aí vi que faltava um arco lá no meio.
A partir dali já conseguia ver o Arco ao longe e cheguei lá sem problemas, morto de fome e de sede.
E então aprendi outra coisa muito importante sobre a linda cidade de Paris:
Os bares fecham à meia noite. Ou eu pagava 30 euros e entrava numa discoteca pra beber uma água ou eu esperava até 6:30 da matina para comer no avião. Não é óbvio o que eu fiz? Dei meia volta e fui pro ponto do busão, onde esperei mais 2 horinhas até ele chegar, e depois mais 40 minutos até o aeroporto, e depois mais 1 hora até estarmos voando e começarem a servir comida.
Cliquem na imagem abaixo para ver o mapa do meu trajeto com as devidas explicações.
Ou então pegue aqui o arquivo KMZ para ver o roteiro no Google Earth:
Passeio em Paris (Google Earth)












April 16th, 2008 at 8:50 pm
Clap, clap, clap…
É assim que se faz um artigo patrocinado que prenda a atenção do leitor.
Parabéns.
Mytho respondeu eu April 16th, 2008:
Pra ser sincero, essa história tava na agulha pra eu contar de qualquer jeito… o fato de ser patrocinado é só mais um bônus pessoal… eu coloquei bem no finzinho mesmo pra não atrapalhar o post… hehehe
Infelizmente nem todos podem ser assim, porque eu não tenho uma história pra contar sobre todas as coisas que me pedem pra escrever… mas é realmente muito bom quando acontece…
Muito obrigado pelo comentário
Abraço!
April 16th, 2008 at 9:11 pm
Só pra eu saber, quem patrocinou, o Google, a prefeitura da Paris ou a companhia de Taxis?
Em tempo: não dá pra ampliar a foto do trajeto….
Abraço! Excelente texto!
Diego Matias respondeu eu April 16th, 2008:
Arruma meu url, por favor….
Mytho respondeu eu April 16th, 2008:
já tá arrumado e o link já dá pra ver a imagem em tamanho grande…
Valeu! Abração!
April 17th, 2008 at 1:18 am
Potz… eu lembro bem como é grande Paris.
Gastei muita sola de sapato lá.
Mytho respondeu eu April 17th, 2008:
Eu achava que era tudo do lado umas coisas das outras… ledo engano.. hehehe
April 17th, 2008 at 2:30 am
O melhor do caminho é entre a torre e o taxista! hehehehehehe
Passei por uma dessa em Buenos Aires, com direito a ser escarrerada por uns elementos esquisitos (ladrões?)…
Mytho respondeu eu April 17th, 2008:
Eu fiquei perdidão por lá… até o lugar onde eu coloquei o taxista no mapa é “arredondado”… não tenho a menor idéia das ruas que eu andei ali pelo meio…
“Escarrerada”? Desconheço essa palavra.. hehehe
=**
Mnemosyne respondeu eu April 17th, 2008:
Escarrerada, no bom baianês, é ser colocada para correr por outrem.
Não é por isso que eu falo “meu rei”, hein? hehehehehehe
:*
Mytho respondeu eu April 17th, 2008:
Entendi, maínha!
April 17th, 2008 at 10:43 pm
Meu caro, passei 3 semanas em Paris e para além de ter aprendido k as francesas não têm pelo no sovaco mas k n são fãs do banho, foi:
NUNCA apanhar um taxi em Paris!
E k os gajos dormem cedo.
Elas é k às vezes não
Abraços
Mytho respondeu eu April 17th, 2008:
Dormem cedo por culpa delas, provavelmente!
April 26th, 2008 at 5:14 pm
Poutz que prezepada! Ahauahuaa Eu as vezes me meto numas assim, de teimoso que sou