O tempo e a vida
Ele já estava olhando para ela há uns bons vinte minutos.
Se ela tinha reparado, não tinha dado bandeira. Estava (ou fingia que estava) muito entretida com um livro, sentada ali naquele banco do parquinho.
Ele, do outro lado, segurando um sorvete que já pingava pela sua mão, não conseguia desviar o olhar daquela garota.
Amor à primeira vista, talvez. Se é que existisse tal coisa.
Existia.
Ele amava aquela garota. Sem nunca ter ouvido a sua voz, sem nunca ter visto o seu sorriso, sem nem saber a cor de seus olhos, ele sabia que era ela. Aquela era a mulher com quem ele deveria se casar, ter filhos, e envelhecer junto, até o derradeiro dia.
Ficou ensaiando qual a melhor forma de se aproximar dela sem assustá-la ou fazê-la pensar que ele era um tarado qualquer querendo roubar seu dinheiro ou pior, sua dignidade e honra.
“Oi, você vem sempre aqui?” …. não, manjada demais. Muito nerd.
“Olá, acredita em amor à primeira vista?” … meu Deus, me acerta com um raio se eu fizer isso…
“Bom dia, que horas são?” …. mas eu tenho relógio aqui no pulso, não vai colar… e ela também não tem relógio
“Que livro é esse que você está lendo?” …. dã… eu consigo ver o nome do livro daqui…
“Já li esse livro, está gostando?” … aí ela vai querer conversar comigo sobre o livro e eu não vou saber o que falar…
Ao longe, conseguiu ouvir um trovão. Sorriu e aproximou-se dela, coração batendo forte dentro do peito.
- Oi! Tudo bem? Vai chover.
Ela olhou para ele, fechou o livro, levantou-se e disse:
- Vai você.
E foi embora. Ele nunca mais a viu.











October 9th, 2008 at 8:56 am
o boletim metereológico é lixado! ;DD
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Mytho respondeu eu October 9th, 2008:
Biatch!
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