Divindades
De todas as pessoas que eu já conheci até hoje, não me recordo de nenhuma que tenha dito (com sinceridade) ser perfeita. É claro que todos dizemos isso de vez em quando, naquele tom de brincadeira, justamente como forma de frisar que não somos perfeitos.
Você já conheceu alguém que afirmasse categoricamente ser perfeito e realmente acreditasse nisso? Imagino que não. Alguém assim provavelmente estaria confinada a um quarto de paredes acolchoadas muito confortável em uma instituição qualquer.
É uma verdade absoluta (sorry Melo), ninguém é perfeito. Todos temos defeitos e o interessante é que normalmente as pessoas gostam de enfatizar isso e elas mesmas se “jogam pra baixo”.
Quantas vezes você não ouviu alguém se auto-depreciar?
“Ah tadinha daquela, tem que me aturar…”
“Nossa, eu tem dias que fico impossível…”
“Não queira me ver bravo”
“Quando eu sou bonzinho, sou bom. Quando sou mau, sou melhor ainda”
Todos estamos atafulhados de defeitos. Ou pelo menos é o que dizem.
Aí de repente você encontra uma pessoa que tem uma opinião diferente da sua. Vocês debatem, vocês argumentam, e no fim das contas você consegue provar, através de lógica ou fatos, que estava certo. Mas a outra pessoa insiste que você está errado.

Temos aqui um padrão. A teimosia. Tem gente que mesmo depois de saber que está errado, não dá o braço a torcer. Nunca.
E alguém assim, você conhece? Aposto que sim.
Mas aposto também que essa mesma pessoa é uma das que diz “eu tenho milhares de defeitos, eu sou humano”. De que adianta você dizer genericamente que tem defeitos, se nunca os admite? Qual é a validade da afirmação “ninguém é perfeito” se sempre que alguém prova que você está errado, você refuta e inicia uma série de ofensas pessoais, esperando assim ganhar a discussão?
Eu, particularmente, não costumo dizer “tem razão, me desculpe, você está certo”. MAS eu admito quando estou errado. E para quem não gosta de dar o braço a torcer, eu aconselho a que utilizem o meu método.
- Mytho, este leite está estragado.
- Não tá não.
- Olha só, ele está cheirando mal.
- Mas ainda é branco, tem bom aspecto.
- Mytho, o prazo de validade era até o século XII…
- Não está estragado.
- Mytho, bebe esse leite.
(Mytho bebe o leite, que tem gosto de um gambá morto saído do ânus de outro gambá morto)
(Mytho sorri e diz:)
- Porra cara, eu te falei que esse leite tava estragado! Porquê você me fez experimentar?
E está feito. Você admitiu que errou, fez uma piada, e não teve que passar pela situação “me desculpa, eu errei, você estava certo, bla bla bla bla bla”
É tão difícil assim admitir um erro? Não é preciso jogar culpa em outra pessoa, não é preciso iniciar uma série de ofensas pessoais, não é preciso agredir. Admita, sorria, e parta para a próxima. As pessoas vão querer te ter por perto mais vezes, porque assim você será uma pessoa com quem se pode conversar decentemente.
Pode ter certeza de que se você é uma dessas pessoas que não dá o braço a torcer, sempre que você começa a teimar em algo que já foi provado que está errado, todos à sua volta reviram os olhos e pensam “já vai começar…” e no fim acabam por acenar a cabeça em sinal afirmativo só para que você cale essa maldita boca. E você acha que todos terão finalmente concordado com você, e eles estarão pensando “é a última vez que eu saio com este merda”.
Uma conversa/discussão pressupõe a troca de informações. Você não pode simplesmente se fechar ao que o outro está dizendo e tentar empurrar a sua versão goela abaixo. É preciso que haja reflexão e ponderação durante uma conversa.
E lembre-se sempre de desistir nas horas apropriadas. O que isso significa?
Significa que se a discussão chegar a um impasse em que nem um lado nem o outro podem ser provados, concordem com um empate.
Eu costumo fazer isso bastante com a patroa. Ela diz “A”, eu digo “B”. Aí chega uma hora em que eu digo:
- Olha, você vai passar o resto da vida dizendo “A”, eu vou passar o resto da vida dizendo “B”. Nossas vozes já estão altas que baste, eu vou te mostrar que estou certo com fatos, é só encontrar o livro que prova exatamente o que estou dizendo. Se você tiver provas da sua versão, que venham elas.
E pronto. Adie a discussão. Vá ao Google, procure base para os seus argumentos, e esteja preparado para estar errado. Perdi a conta do número de vezes que fui à net procurar provas de que estava certo e engoli em seco.
Não é rocket science. É simples e não dói. Ninguém vai pensar que você é burro por admitir um erro, muito pelo contrário. Vai mostrar que no mínimo, você aprendeu.


December 30th, 2008 at 6:20 pm
Tá desculpado.
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December 30th, 2008 at 10:57 pm
Gostei da crônica.
Desculpar-se depende muito da humildade de cada um.
E humildade é uma palavra fora de moda, deu lugar a prepotência.
Desculpe.
Abraço
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Mytho respondeu eu December 30th, 2008:
mais importante que se desculpar é admitir o erro. Confesso que prefiro admitir erros a pedir desculpas… mas quando a cagada é forte, eu peço desculpas sim.
Abraço
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December 31st, 2008 at 5:19 am
Eu sou um cadim suspeita, porque meu sobrenome costuma ser teimosia… Mas aprendi bastante com o tempo, e hoje em dia acho que consigo ser mais maleável. Não tenho problemas em pedir desculpas, e, dependendo da situação, admitir meu erro. Costumo tentar ouvir as pessoas e, caso eu perceba que o assunto vai se estender infinitamente, paro por ali mesmo. Cada um com seu cada um, deixa o cada um dos outros.
Mas quer comprar briga comigo é chegar cheio de marra querendo se dizer dono da verdade ou querendo me convencer de alguma coisa à força… Ah! Aí eu morro dizendo que a Terra é quadrada, e quero ver quem me prova o contrário. Eu vou buscar argumentos no inferno, mas não arredo pé.
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Mytho respondeu eu December 31st, 2008:
não é assim tão difícil provar que a terra não é quadrada! =P
Feliz 2009, gafanhota intergalática!
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January 3rd, 2009 at 3:36 am
Claro que nao é. Basta me forçarem a defender essa idéia.
Feliz 2009 procê também, gafanhoto luso.
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