O que fazer…
… quando a primeira notícia do dia que você recebe é a da morte de um camarada que fez parte de uma das fases mais importantes de sua juventude?
… quando o nó na garganta aperta e não desata?
… quando tudo à sua volta de repente fica chato e as piadas perdem a graça?
Eu já mencionei aqui o Alemão. Loirinho, olhos azuis, alto, forte. Mulherada caía matando. Aí ele casou.
Eu lembro que no dia que a filha dele nasceu, o pessoal marcou de se encontrar num barzinho na porta de uma universidade em São Paulo.
Eu, o Eduardo e o Leitão, para comemorar o nascimento da pequena Thainá, nos vestimos com lençóis enrolados na cabeça e sobre o corpo, e fomos para o tal bar vestidos de Reis Magos, levando presentes.
Eu me lembro de ver o Alemão chorando emocionado com o carinho do pessoal.
Arrastamos o Alemão para a rua, e com a nossa câmera entrevistávamos pessoas aleatoriamente, perguntando “Agora que a filha de Alemão nasceu, qual será o impacto no mercado do Japão, na sua opinião?” - e as pessoas riam, davam os parabéns ao Alemão, que estava provavelmente vivendo um dos dias mais felizes de sua vida. Que acabou.
Como é que eu vou olhar novamente para o filme que a gente fez aquele dia sem ter vontade de sair dali correndo?
Nós sempre tivemos (e temos) uma brincadeira, que é deificar o Alemão. Nos dizíamos “Apóstolos de Alemão”, ou “Apóstolos de Pâtz!”, que era uma palavra que ele vivia dizendo. “Pâtz!”
E eu sei que mesmo que ele não volte daqui a 3 dias, ele de alguma forma arranjou maneira de continuar com a gente. Enquanto nós continuarmos falando dele e nos lembrando dele, ele será imortal. E não foi isso que nós sempre dissemos? Ele é imortal.
Só tenho a agradecer por tudo e esperar que realmente a morte não seja o fim. Um dia serei eu.
Até sempre, meu camarada.

Pâtz!




