Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Archive for the ‘Fato Verídico’

O que fazer…

June 24, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 14 Comments →

… quando a primeira notícia do dia que você recebe é a da morte de um camarada que fez parte de uma das fases mais importantes de sua juventude?

… quando o nó na garganta aperta e não desata?

… quando tudo à sua volta de repente fica chato e as piadas perdem a graça?

Eu já mencionei aqui o Alemão. Loirinho, olhos azuis, alto, forte. Mulherada caía matando. Aí ele casou.
Eu lembro que no dia que a filha dele nasceu, o pessoal marcou de se encontrar num barzinho na porta de uma universidade em São Paulo.

Eu, o Eduardo e o Leitão, para comemorar o nascimento da pequena Thainá, nos vestimos com lençóis enrolados na cabeça e sobre o corpo, e fomos para o tal bar vestidos de Reis Magos, levando presentes.
Eu me lembro de ver o Alemão chorando emocionado com o carinho do pessoal.
Arrastamos o Alemão para a rua, e com a nossa câmera entrevistávamos pessoas aleatoriamente, perguntando “Agora que a filha de Alemão nasceu, qual será o impacto no mercado do Japão, na sua opinião?” - e as pessoas riam, davam os parabéns ao Alemão, que estava provavelmente vivendo um dos dias mais felizes de sua vida. Que acabou.

Como é que eu vou olhar novamente para o filme que a gente fez aquele dia sem ter vontade de sair dali correndo?

Nós sempre tivemos (e temos) uma brincadeira, que é deificar o Alemão. Nos dizíamos “Apóstolos de Alemão”, ou “Apóstolos de Pâtz!”, que era uma palavra que ele vivia dizendo. “Pâtz!”

E eu sei que mesmo que ele não volte daqui a 3 dias, ele de alguma forma arranjou maneira de continuar com a gente. Enquanto nós continuarmos falando dele e nos lembrando dele, ele será imortal. E não foi isso que nós sempre dissemos? Ele é imortal.

Só tenho a agradecer por tudo e esperar que realmente a morte não seja o fim. Um dia serei eu.

Até sempre, meu camarada.

Alemão
Pâtz!

Dois lados da mesma moeda

June 12, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 5 Comments →

Eu nunca fiquei de recuperação e nunca tive que estudar propriamente para passar de ano.
Eu tinha aquela capacidade que os professores odeiam com todas as forças de seus coraçõezinhos: eu conversava na sala de aula e ouvia o que o professor dizia ao mesmo tempo.

Foram várias as ocasiões em que o professor tava explicando alguma coisa e eu no maior bate-papo. Aí eles viravam pra mim e diziam:

“NÉ MYTHO?”
Aí eu sorria e dizia “ééééééé, professor!”
“E você pode repetir o que eu acabei de dizer?”
“Claro….” - e repetia tudo tim tim por tim tim. Eles lançavam um olhar mortal para mim e continuavam explicando. Claro que todo mundo dava risada.

cola

E agora eu vou admitir pela primeira vez em público duas situações que, por incrível que pareça, são distintas.

1 - O dia em que eu ia ficar de recuperação

Física. Nunca mais vou esquecer esse dia. Eu tava lascado. Completamente na roça. Precisava tirar um 8 na última prova de física e não tinha estudado. E o pior: a prova já estava na minha frente. Pois é. fui pruma prova que eu precisava de 8 sem estudar. Eu não entendia UMA pergunta que fosse. Tem noção do que é isso?
Eu lia e aquilo tudo parecia chinês. Tava até com um nó na garganta. A palavra “recuperação” dançava na minha frente e tirava barato. “Não estudou, né? Sifu! Quem sabe da próxima você aprende, babaca!”
Olhei pro lado e vi a prova de um colega. A única coisa que eu consegui ver direito foram algumas fórmulas. Rabisquei tudo rapidamente numa folha de rascunho e tentei usar todas as fórmulas em cada pergunta.
consegui avançar um pouco (bem pouquinho) em algumas respostas e tive uma idéia: engenharia social.
Engenharia social tava muito na moda, ainda por cima com o hype que tava tendo com o Mr. Kevin Mitnik e suas capacidades sociais. O que era um peido pra quem tava cagado?
Chamei o professor e disse: “Professor, estas perguntas estão mal formuladas. Eu não consigo decifrar o que você quer exatamente. Eu passei a semana toda estudando estas fórmulas *apontei para o rascunho* e os exercícios do caderno e os resultados não estão batendo certo. É frustrante.”

O professor olhou as fórmulas da folha, viu minha cara de frustração (que era totalmente credível), pegou o meu lápis e corrigiu uma das fórmulas.
Depois começou a me explicar o que ele queria com cada pergunta. Mas como física você não consegue explicar bem sem ser com exemplos, ele foi resolvendo os exercícios para mim, um por um.
No fim, ele vira para mim e disse: “agora apaga e escreve tudo de novo com a sua letra”.

Eu tava besta. fiz o que ele mandou. O pior de tudo é que quando eu recebi a correção da prova, eu percebi que tinha esquecido de apagar umas contas que ele tinha feito e tinha do lado os dizeres:

“Eu conheço esta letra! :)”

Tirei 10 e passei.

2 - O dia em que eu estudei sem precisar

Matemática. Eu já tinha fechado na matéria, mas um grande amigo meu, na época precisava de tirar 9 a matemática pra passar. Ele chegou a chorar na minha frente, na escola, porque não sabia estudar, não tinha método, não conseguia se concentrar.
Eu chamei ele pra ir estudar lá em casa, mas eu também não tinha método nenhum, afinal de contas quem não pratica, não desenvolve. Eu sempre fui terrível pra estudar. Tentamos fazer exercícios lá em casa, e nada. Eu sabia fazer, mas não sabia explicar. Sempre que eu mostrava a resolução pra ele, ele coçava a cabeça e parecia cada vez mais desesperado. Quando voltou pra casa, estava desanimado e sem esperanças.
Passei essa semana inteira fazendo exercícios em casa. Marrando nos livros mesmo, todo o tempo que tive livre. nunca tinha feito isso na vida.

No dia da prova, eu tinha plena confiança de que sabia TUDO. cheguei para o meu camarada e disse “faz o que você tiver certeza. O resto deixa em branco. E não escreve seu nome na prova. Tenta sentar perto de mim”
Ele se sentou bem atrás de mim.
Fiz a minha prova inteirinha e olhei para a professora. Na primeira oportunidade, peguei na prova dele, e coloquei a minha em cima da mesa dele.
Aí vi o que ele já tinha feito, completei, apaguei a letra dele, e ele fez o mesmo com a minha.

Acontece que eu considerei algumas das contas que ele tinha feito e me limitei a copiar, sem pensar nelas direito.

Resultado: ele tirou 10 e eu 9.

Corno invade casa e destrói móveis

June 12, 2008 By: Mytho Category: Fato Verídico, Mytho News, Notícias No Comments →

Em Aachen, Alemanha, uma família estava tranquilamente em casa relaxando e comendo uma salsicha, quando alguém bate na porta dos fundos. Na verdade, bateu com tanta força, que derrubou.

A visita era nada mais nada menos que um touro, foragido de seu dono.
O touro entrou pela porta dos fundos, deu um rolezinho pela casa, esperou que o dono abrisse a porta da frente, e depois saiu calmamente, mas não sem antes causar danos na ordem dos 10 mil euros.

Tourada

O touro foi abatido mais tarde.

Via Reuters

Eu estou achando é que esse touro é o meu velho amigo ao qual eu falei umas coisas sobre a mãe dele, e ele agora soube que eu estou na Europa, e veio me procurar pra acertar contas.

Leia as minhas aventuras com os bovinos aqui:

Parte 1
Parte 2
Parte 3

Cutucando tubarão com vara curta

June 11, 2008 By: Mytho Category: Fato Verídico, Mytho News, Notícias 2 Comments →

Assim não pode. Assim não dá.

Recentemente, um australiano estava nadando na costa sudoeste da Austrália (sim, o país dos cangurus, não o da valsa. Esse é Áustria) quando, de repente, viu uma sombra na água.
Sorrindo e enternecido, disse “que gracinha, é um golfinho”.

Segundos depois, encontrou-se sendo arrastado pela perna, de costas, pro fundo do mar, pelo golfinho que, na verdade, provou ser um tubarão.

Em uma atitude intantil e covarde, o australiano simplesmente enfiou o dedo no olho do tubarão, que o largou na hora e fugiu para longe.

Via Reuters

O tubarão foi procurado pela nossa equipe de reportagem e conseguimos entrevistá-lo brevemente.

“Eu tava indo fazer ali uma correria nas algas perto dos corais, numa boa, quando aquele mané me chama de golfinho. GOLFINHO! Eu sou tubarão e fiquei ofendido com a agressão gratuita. Resolvi mostrar pro cara a minha família, e meus filhos, provar que eu sou tubarão mesmo! Eu mato a enguia e mostro os dentes! Peguei na perna dele e tava levando ele pra minha casa, quando o cara vem do nada e enfia o dedo no meu olho. Covardia. E depois o golfinho sou EU?
O cara vem cheio de marra, ofende, e depois faz um negócio desse? Faça-me o favor, ora pôxas!

Tubarão
“Tenho cara de golfinho?”

Quer saber? Eu não saio mais de casa enquanto tiver esse tipo de gente com esse tipo de comportamento por aí. As águas estão muito inseguras, já ninguém respeita nem tubarão.
Um dedo no olho? Pô, será que ele não se liga que eu não tenho braços e mãos pra esfregar o olho? Será que ele não leva em conta o fato de eu não ter pálpebras? Eu devia processar!
Dedo no olho… vô ti contá, vio…”

Piro Infanto Maníacos

April 28, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 10 Comments →

Essa é das antigas.
Dois irmãos sentados num quarto. Um deles chamado Mytho. Aproximadamente 6 anos de idade e muito tempo ocioso pela frente.

Na época tínhamos dois carrinhos de brinquedo. Um vermelho dos bombeiros e um branco da polícia, cada um com dois buraquinhos na frente, perto do vidro dianteiro. O funcionamento era simples:

- Colocar pilha nos carrinhos
- Ligar o interruptor dos carrinhos
- Pegar um mini galãozinho de borracha que vinha com os carrinhos e encher de água
- Jogar algumas gotinhas no buraquinho que tinha uma setinha de entrada

E pronto. O carrinho começava a andar, alimentado pela água. Para desligar o carrinho era simples:

- Esvaziar o galãozinho de borracha
- Introduzir o mesmo no buraquinho com a setinha de saída
- Apertar o galãozinho e observar ele se enchendo de água, ao esvaziar o interior do carro

E pronto. Sem a água lá dentro, o carrinho parava.

Voltamos então à cena anterior, onde os dois irmãos (um deles eu) estavam sentados em cima da cama, pensando em alguma coisa para fazer.

- Mytho, olha ali aqueles carrinhos! Lembra deles? Faz tempo que a gente não brinca!
- É mesmo! Ó ali a bombinha pra encher!
- Legal! Vou buscar um copo com água!

- Pronto, voltei… Mytho, pega o carro da polícia!
- Tó aqui.
- É pra encher, senhor?
- Sim, por favor!

- Mytho, o carro não tá andando.
- Claro, seu burro. Faltou ligar aqui o botãozinho.

*click*

- Mytho, o carro ainda não tá andando.
- Pega o do bombeiro então.
- Tá, mas o bombeiro sou eu.
- É pra encher?
- É sim! Deixa eu só ligar aqui o botãozinho!

*click*

- Pode encher!

- Mytho, ainda não tá andando.
- Poxa, a gente já ligou o botãozinho, já botou água… já sei! O carro do papai anda a álcool!!
- É mesmo! Vamos tirar a água dos carrinhos e colocar álcool! Aí vai andar!
- Vou buscar o álcool no banheiro! Vai tirando a água dos carrinhos!

- Ok, agora vai! Bom dia, senhor!
- Bom dia! Enche o tanque por favor!
- Claro senhor!

- Mytho…
- Vamos tentar o outro!

- Nada…

** Momento Eureka **

Mytho: Já sei! Vamos tacar fogo nos carrinhos! Aí a gente finge que teve guerra!
Irmão: Vou buscar os fósforos!

Minutos depois, o pai dos garotos, na sala, começa a sentir um cheiro estranho a fumaça.
Já com uma ponta de preocupação, corre na direção do quarto dos pequerruchos.
Ao abrir a porta, a confirmação dos medos.

Cada um sentado numa cama, olhando atentamente (e muito quietinhos) para a fogueira que se erguia no carpete do quarto, consumindo dois objetos disformes, um vermelho e um branco, ao lado de uma garrafa de álcool.

Para que nunca se esquecessem do dia em que quase morreram queimados, aquele carpete queimado ficou ali durante anos, até o dia em que mudaram de casa.

Moral da história: nunca deixem as pilhas dos brinquedos dos seus filhos gastarem (ou tenham filhos mais inteligentes do que eu




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