Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Archive for the ‘Fato Verídico’

Treme-treme

April 23, 2008 By: Mytho Category: Fato Verídico, Rotina 3 Comments →

Falando em terremotos, eu sempre fui tosco para sentir e identificar tremores de terra.
Das vezes que já passei por um, ou eu tava dormindo e não acordei (seriam precisos 50 asteróides do tamanho do estado de SP caindo em cima da minha testa para me acordar com sucesso) ou simplesmente passou batido.

O único terremoto que eu senti foi quando estava a trabalho em Casablanca (Marrocos), dentro do centro técnico de uma empresa de telecomunicações, e começamos a ouvir um barulho que eu juro que pensei que era um avião passando. Idêntico. A diferença é que o “avião passando” fez tremer a minha cadeira. Ainda assim, tosco que sou, achei que provavelmente tinha sido um caça do exército fazendo treinamento e passou rasando, causando assim o tremor no prédio.

Foi só quando mandaram evacuar o edifício que eu me liguei que tinha sido um terremoto de grau 6 com epicentro na costa portuguesa.

Ou seja, nem quando eu senti o terremoto, eu tomei conhecimento que estava vivenciando este evento natural. Se o armageddon acontecesse, eu acho que passava o tempo todo dormindo.

Na terra de Jordi

April 16, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico, Utilidades 14 Comments →

Ah, oui… Paris…

A cidade dos artistas, dos amantes, e da luz.
Paris dos perfumes caros, dos desfiles de moda. Das lojas de roupa daquele estilista.
Paris do Louvre, da Notre Dame Cathedral, do Arc De Triomphe, da Torre Eiffel e do Centre Pompidou.

Além disto tudo, Paris tem mais uma particularidade:

Paris é a única cidade do planeta que eu já vi de noite, mas não de dia.
Passo a explicar, com direito a jabá:

Estava eu a caminho de casa após umas férias em Munique. O avião faria uma escala de 7 (SETE) horas em Paris.

Chegando no aeroporto de Paris (Charles de Gaulle), fui tentar saber se a Air France ia me pagar estadia em hotel. Óbvio que eu, pé rapado que sou, tomei manguito e me encaminharam para os banquinhos da sala de espera mais próxima.

Teimoso, voltei atrás e perguntei no meu melhor francês:

“Is there a bus to Paris?” - pensando que estava perguntando para a moça “jacaré no seco anda?”.

Eram 23:20. Ela consultou o relógio rapidamente e disse que dali a 10 minutos sairia o último busão para a cidade luz.
Raciocine comigo: Cidade luz, cidade dos turistas, portanto busão grátis, certo?
Errado. TREZE EUROS.

“Ferrou, não vai sobrar grana nem pra um croissant” - deduzi.

Entrei no busão e perguntei para uma senhora simpática do meu lado no meu melhor espanhol:

“Are we going anywhere near the Eiffel Tower?” - pensando que perguntava “Setembrochove?”
Ela disse que sim e que me avisava quando fosse a hora.

40 minutos depois, ela me avisa que tá na hora de dar o sinal. Pensei em gritar “VAI DESCÊ COBRADÔ!” mas reparei que não havia cobrador, e a piada perdia um pouco da graça, ainda mais que ninguém ia entender pitombas do meu maloquês.

Desci pertinho do Arco do Triunfo, chamado assim por ser um arco com a forma das bolachas Triunfo. Não? Quem? Ah, o Napoleão? Jura? Passava por baixo do arco sempre que voltava vitorioso de uma guerra? Num sabia. Valeu.

Dei azar. O Arco tem uma parte visitável, e mal eu botei o pé lá dentro, veio uma policial cheirando Channel Nº5 e me falou em francês: “sorry, we´re closing, it´s midnight”.
Como eu não entendo francês, respondi em inglês mesmo: “merci!”

E foi então que olhei para o horizonte e tive a visão. A Torre Eiffel. Ao longe.
Peraí. Longe?
Longe.

Eu juro que sempre achei que a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo eram ali, mano a mano, um encostado no outro.
Aparentemente eu estava (bastante) enganado. A torre era um negocinho iluminado com luzes amarelas.

Pensei então “vou aos Campos Elíseos”, que eu achava que era um grande parque onde durante o dia o pessoal ia fazer piqueniques e jogar freesbee e pintar quadros e ser sensível.

Pepe Le Piu
Mon amour, mon croissant du chocolat avec banana et un peu de foie gras!

Então, esperto que sou, resolvi pegar aquela avenida gigantesca chamada CAMPOS ELÍSEOS, em busca dos tais CAMPOS ELÍSEOS. Ok, você pode parar de ler agora, eu tenho certeza que você perdeu completamente o respeito por mim.

Andei aquilo tudinho tudinho até chegar à prefeitura. Pelo menos eu acho que era a prefeitura. Tinha tudo ali. Fonte, bandeira da França, e um jardim enorme que estava fechado com um portão (trancadíssimo). Olhei na plaquinha pensando “não acredito que fecharam os Campos Elíseos” e o nome do parque era outro completamente diferente (Jardins des Tuileries), na Praça da Concórdia.

Aí comecei a desconfiar que talvez eu já tivesse passado pelos Campos Elíseos e que talvez provavelmente os famosos Champs Elysées fossem nada mais nada menos que uma avenida gigantesca com todo o tipo de bares, discotecas, cinemas, shoppings, concessionárias (Peugeot, claro), e Hard Rock Café. Fiz uma nota mental: “nunca comentar isto com ninguém” e prossegui. oops.

Decidido a encontrar a Torre Eiffel sozinho sem olhar em mapas, comecei a andar na direção dela. Seguindo o rio Seine, sempre de olho na torre (ainda pequena), comecei a perceber algo interessante. A torre parecia estar DO OUTRO LADO do rio.

Atravessei uma das pontes e vi no fundo da avenida um jardim gigantesco. Utilizando toda a minha cultura francesa e meu mapa biológico, pensei “deve ser o Louvre! Ou então o Pompidou! Ou então notre Damme!”. E fui lá. Atravessando o jardim colossal cheguei a um portão, que guardava uma construção maior ainda.
Comecei a procurar placas ou indicações do que seria aquilo, e não achei. Tinha um guardinha noturno na guarita. Chamei e perguntei, arriscando no francês:

“What is this place?”
E ele me explicou que era um hospital para veteranos de guerra que hoje, graças ao Google Earth, sei que se chama “L´Hotel des Invalides” (tuuuuudo a ver com o Louvre…).

Agradeci e perguntei por onde tinha que continuar para chegar à torre. Ele tentou me explicar, mas eu só entendi mesmo a direção que o dedo dele tava apontando e portanto foi essa toda a ajuda que eu tive.

Comecei a entrar por umas avenidas e às vezes perdia a torre de vista atrás dos prédios. Fui fazendo corta mato até que finalmente dei de cara com a Torre Eiffel, imponente e majestosa. Andei ali babando em volta dela durante uma meia hora, tirando fotos e realizando um dos meus sonhos de infância, que era justamente conhecer essa velha armação de ferro, feia que dói, mas linda de morrer.

Aí decidi voltar para a Campos Elíseos, onde eu tinha visto umas padocas convidativas onde eu poderia finalmente experimentar os pães franceses, com seus queijos exóticos.
E foi quando me deparei com um problema. Chegar na Torre tudo bem, que dava pra ver de longe… e voltar pro Arco? Como fica? Eu não podia fazer o mesmo caminho de volta, porque eu sabia que tinha prolongado o percurso demasiadamente com a Avenida, e portanto decidi seguir a minha bússola interior (eu não aprendo).

Quinze minutos mais tarde, eu estava mais perdido que cego em tiroteio. Comecei a andar por ali, tentando encontrar qualquer coisa que me ajudasse, mas não achava nem mapas e nem pessoas (de madrugada o povo não gosta de andar pelas ruas, aparentemente).

Até que achei um taxista. Perguntei “how can I go to the Arc De Triomphe?”
Não entendeu patavina do que eu falei.
Aí inspirei fundo, invoquei os espíritos de todos os franceses póstumos, puxei do fundo do meu crânio algumas aulas de francês que tive na 5ª e 6ª, e mandei.
“Pour la Tour Eiffel, s´il vous plaît. À pied. Pardonnez, je ne parle pas très bien le français” - pensando que dizia “demorou pra você aprender inglês, taxista safado”.

Mais uma vez, as palavras que saíram da boca dele não me ajudaram muito, mas felizmente Deus inventou a expressão corporal e o dedo dele apontando pra uma rua me localizaram.
Agradeci e segui caminho até chegar numa rotatória grande. De longe até pensei que era o Arco do Triunfo, mas aí vi que faltava um arco lá no meio.

A partir dali já conseguia ver o Arco ao longe e cheguei lá sem problemas, morto de fome e de sede.
E então aprendi outra coisa muito importante sobre a linda cidade de Paris:

Os bares fecham à meia noite. Ou eu pagava 30 euros e entrava numa discoteca pra beber uma água ou eu esperava até 6:30 da matina para comer no avião. Não é óbvio o que eu fiz? Dei meia volta e fui pro ponto do busão, onde esperei mais 2 horinhas até ele chegar, e depois mais 40 minutos até o aeroporto, e depois mais 1 hora até estarmos voando e começarem a servir comida.

Cliquem na imagem abaixo para ver o mapa do meu trajeto com as devidas explicações.

Paris Tour

Ou então pegue aqui o arquivo KMZ para ver o roteiro no Google Earth:

Passeio em Paris (Google Earth)

Enquanto isso, num MSN perto de você:

April 15, 2008 By: Mytho Category: Fato Verídico 6 Comments →

Um amigo meu que não será identificado me contando sobre o que aconteceu num encontro sábado à noite:
(texto integral, com as devidas censuras nas palavras mais fortes)

Ricky diz (12:38):
ela só ficou esfregando começou assim
Ricky diz (12:38):
ela passando a mão na minha perna e eu me alterando
Ricky diz (12:39):
ela passando a mão no meu pinguelo e eu já alterado ela com a mão na minha cueca e me perguntando “vc quer gozar?”
Ricky diz (12:40):
0,0000123 seg depois com a bermuda nos tornozelos
Ricky diz (12:40):
ai eu comecei a bulinar ela
Ricky diz (12:41):
e baixei a calçola que ela deve ter tirado da barbie dela
Ricky diz (12:42):
ai ela ficou de lado meio de pé no banco e eu tb ela pegou meu p** e falou “da licença que eu vou dar uma brincadinha” e ficou bombando com com o birimbelo no mei das pernas dela
Ricky diz (12:42):
mais ou menos assim
m.ytho diz (12:42):
pelo menos é educada, pediu licença
Ricky diz (12:42):
haiuhaihauihaiuhaiuhaiuhaiuhaiuhauihuia
Ricky diz (12:43):
depois eu fiquei me sentindo usado e feliz
Ricky diz (12:44):
agora sabado eu vou à noite com ela fura o coro e domingo eu vo sai com uma outra que parece dar mais um caldo
m.ytho diz (12:44):
Cara, a sua história me emocionou
m.ytho diz (12:44):
vou postar anonimamente
Ricky diz (12:45):
como assim???????
m.ytho diz (12:45):
Vou butar pra drento no meu site, sem dizer que foi vc, lógico
Ricky diz (12:46):
porra véio vai se fu** eu conto as coisas sob o sacro manto da amizade e proteção a testemunha e vc faz isso….
Ricky diz (12:46):
da hora
m.ytho diz (12:47):
Sem nomes, sem links! Num pode? Eu acho q experiencias dessas deviam ser tomadas como o vinho purificador!
m.ytho diz (12:47):
Se vc disser pra nao colocar, eu nao coloco
Ricky diz (12:48):
vc é um big teaser…vai se lasca só a cabecinha já que vai faze faiz favo de ponha logo é tudo pq eu só macho e aguento a dor
Ricky diz (12:48):
ui
m.ytho diz (12:48):
Tu que manda, patrão!

Leitão, você é o verdadeiro Mestre Jedi da Academia dos Catadores e Comedores Nacionais do Brasil Federativo & Arredores

Sim, câncer tem cura!

March 27, 2008 By: Mytho Category: Fato Verídico, Rotina 13 Comments →

Eu tinha mencionado que recentemente um tio meu descobriu que estava com câncer.

Agora peço que observe bem o tempo do verbo: “ESTAVA”.

Vencedor

É tão difícil eu ouvir de casos em que a quimioterapia realmente resultou, que só posso concluir que a minha família tem sangue ruim. Nem câncer mata a gente (fora o meu avô, que já tinha bastante idade).

Ontem, em conversa com meu pai (cirurgião plástico, cirurgião geral, clínico), que já anda nessa vida de medicina há mais de 30 anos, ouvi de sua boca o veredito:

“Seu tio ganhou na loteria, cara…”

Aqui entre nós, acho que a família toda ganhou na loteria. Meu tio rula as teta.

Peixe faz bem aos intestinos

March 26, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 8 Comments →

Nas minhas épocas de infância/adolescência, durante 3 ou 4 anos seguidos, meu pai costumava mandar eu e meu irmão para um acampamento de férias no interior de SP chamado Paraíso do Sol.

Normalmente ficávamos uma semana, mas chegou a acontecer de ficarmos 2 semanas seguidas. Assim como em todos os acampamentos de férias, a criançada sempre volta com centenas de histórias para contar, e o meu caso não é diferente. Eu poderia escrever páginas e páginas de histórias que me aconteceram por lá, desde entrar no refeitório vestido de mulher um dia antes do jantar à fantasia até tentar convencer os monitores (responsáveis por nós) a comprar um combustível ecologicamente correto chamado Urinolina, feito à base de urina de bode.

Mas a história que quero partilhar aqui hoje é diferente.

Tudo começou num dia em que houve a Trilha.
A Trilha era nada mais nada menos do que uma caminhada pelo meio do mato, pela lama, até o topo de um monte que havia ali. Demorava aproximadamente 3 horas e não podíamos levar água ou comida. Só quem levava cantil eram os monitores, que não cediam uma gota sequer de água durante todo o percurso.

Trilha
Tá com sede? Bebe saliva!

Chegando ao cimo do monte, eles ensinavam técnicas para matar a sede sem ser preciso beber água, e ensinavam também a importância da água para o planeta e para a nossa vida.

Em seguida, com o povo já desesperado de sede, eles davam UM GOLE de água para cada um e, com um sorriso rasgado, jogavam o resto da água dos cantis no chão.

Pois bem, na volta o pessoal tava sempre sujo, com sede, e com fome, e quase na hora de jantar.

Naquele dia a comida era carne louca ou macarrão. Escolhi a primeira, que me parecia especialmente apetitosa naquela tarde. Foi também a escolha da maioria do pessoal que estava ali, visto que macarrão era repeteco do almoço.

Depois do jantar, fogueira, músicas, histórias, brincadeiras, e cama. E foi quando aconteceu.
Por volta das 4 da manhã acordo suando frio, já com a mão na barriga. Uma cólica vinda dos confins do fogo do inferno se apoderava de mim e eu mal respirava com medo que minhas resistências (a.k.a. “pregas”) falhassem e manchassem a minha reputação e o meu colega que dormia na cama de baixo do beliche.

Sem pensar em nada, saltei da cama e corri para o banheiro. Ao tentar abrir a porta, a voz sai lá de dentro:

“Volta pra fila, palhaço! Acabei de entrar!”

E foi então que percebi o ambiente à minha volta. Das beliches do quarto inteiro vinham gemidos e vozes dizendo “aê espertão, nada de furar fila hein….” e “volta pra sua cama que depois sou eu!”.
Eu sei que as pessoas gostam de se sentir parte de um grupo, e se sentem melhor quando compartilham experiências, mas aquilo era um pouco de exagero. Caganeira em grupo é intimidade a mais pra mim.

Quase ajoelhado de dor, voltei pra minha cama e foi com esforço herCUleo que aguentei até a minha vez, quando praticamente deixei um clone meu para a empresa de saneamento público cuidar e criar.

Quando finalmente nos reunimos de manhã com o restante do pessoal dos outros alojamentos, a cena era hilária se eu não estivesse no meio:

Os monitores trocavam segredos entre si, o pessoal só falava de cocô, e as meninas, tentando manter a pose, desconversavam, pálidas e com olheiras, distribuindo sorrisos forçados.

Os monitores, após conferenciar durante algum tempo, chegaram à conclusão que o problema era da sobremesa do jantar do dia anterior, um pudim meio estranho que a maioria do pessoal (inclusive eu) comeu.

Assim sendo, retirou-se a sobremesa do menu e substituiu-se por salada de fruta.

O almoço foi sopa e legumes, para acalmar os intestinos da galera, mas o jantar, depois de um dia (e uma noite) de atividades intensas, tinha que voltar a ter “sustança”.
Como o macarrão tinha acabado, o jantar era carne louca ou peixe.

Quando eu era mais novo, ODIAVA peixe. Lógico que parti pra cima da carne louca e fiz um pratão de pedreiro. E aposto que você já está batendo a mão na testa e murmurando “putz, que otário…” adivinhando o que se seguiu.
Mas é nessas horas que Nossa Senhora Dos Intestinos Soltos intercede por nós. Enquanto eu ia para a minha mesa, um moleque passou por mim e me deu uma trombada com tamanha força que o meu pratão de pedreiro de carne louca voou pelos ares e explodiu no chão.

Praguejando pelo meu “azar”, voltei para a fila pra pegar mais comida. A carne louca tinha acabado.
Xingando até não poder mais, aceitei o peixe que me jogaram na frente e fui resmungando pra mesa comer.

Por volta das 4 da madrugada, acordei com barulhos. As pessoas à minha volta gemiam, se contorciam nas camas e rogavam pragas à carne louca. Do banheiro, um colega nosso gritou a seguinte frase, que jamais esquecerei:

“Cacete! Minha bunda parece um semáforo! Já saiu o verde, o amarelo, e a qualquer momento eu sinto que vai sair vermelho!”

Mas dessa vez eu consegui rir e voltar a adormecer tranquilamente.




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