Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Archive for the ‘Redação’

Fórmula para a moral

November 14, 2009 By: Mytho Category: Redação, Rotina 4 Comments →

Eu sempre fui uma pessoa muito baseada na lógica. Para mim, poder somar A com B e chegar a uma conclusão F sem ajuda de terceiros é primordial.

A lógica é o mais perto que a humanidade algum dia vai chegar da verdade absoluta (sossega aí Melo), e estamos todos em busca da verdade, na minha opinião.

A ciência se baseia na lógica, o bom senso se baseia na lógica, e grande parte do pensamento filosófico também advém da lógica. É preciso, ou simplesmente se transformava tudo em non-sense (que eu também adoro, mas não baseio a minha vida em).

Também é reconhecido cientificamente que o homem tende a ter um cérebro mais lógico que a mulher, que é muito mais coração. E daí vêm as grandes brigas entre casais, onde o homem tenta argumentar com lógica e a mulher responde com o coração (estou generalizando, não quero comments de “eu não sou assim”).

Enfim, tudo isto para dizer que estava lendo meu livro da vez uma bela noite, e me deparei com o texto sagrado da lógica. Li e reli e treli (se não existia a palavra, agora tá na net e, portanto, passou a existir) e meu primeiro pensamento foi “putz, o planeta precisa conhecer este texto!”

Segue então aqui uma base para todo e qualquer pensamento lógico, que pode ser utilizado em qualquer situação de dúvida, desespero, insônia, fome ou barriga d´água. Deliciem-se (em português lusitano):

“Axiomas: Uma afirmação de que não há verdade, se verdadeira, é falsa. Tal como ninguém pode testemunhar que percebe que todas as suas percepções são ilusões. Tal como ninguém pode ter consciência de não ter consciência. Tal como não se pode identificar o facto de que não há factos e de que os objectos não têm identidade. E se alguém afirmar que os acontecimentos não resultam de causas e não levam a conclusões, então nem pode apresentar uma causa para essa afirmação, nem essa afirmação levará necessariamente a qualquer conclusão. E se alguém negar que tem vontade, essa negação é feita involuntariamente e isso demonstra que ele próprio não tem tal convicção.

É, pois, inegável que há actos de vontade e seres dotados de vontade, que os executam.

Um ser dotado de vontade selecciona os meios e os objectivos. Seleccionar um objectivo implica que ele deve ser cumprido. Seleccionar um meio que contradiz o objectivo que se pretende atingir é contraproducente; o que não pode ser feito não deve ser feito. A autodestruição frustra todos os objectivos, todos os fins, todos os propósitos. Assim, a autodestruição não deve ser procurada.

O acto de seleccionar meios e objectivos é voluntário por si mesmo. Visto que pelo menos alguns fins e objectivos não devem ser seleccionados (isto é, os de tipo contraproducente ou autodestructivo), o ser dotado de vontade não pdoe concluir, a partir do mero facto de que um objectivo é desejado, que esse mesmo objectivo deve ser prosseguido.

Visto os padrões subjectivos poderem ser alterados pela vontade daquele que os selecciona, não podem, por definição, ser utilizados como padrões. Só padrões que não possam ser alterados pela vontade podem servir como padrões para avaliar quando essas alterações devem ser feitas.

Logo, os fins e os meios devem ser avaliados independentemente da subjectividade do agente; deve ser aplicado um padrão objectivo. Um padrão objectivo implica, no mínimo, que o agente aplique a si próprio a mesma regra que aplica aos outros.

E visto que a autodestruição não deve ser desejada, do mesmo modo não pode ser desejada a destruição às mãos de outros, logo, ninguém deve ser estimulado a virar-se contra os outros, logo, nenhum acto destrutivo, seja assassínio, pirataria, roubo ou qualquer outro, deve ser desejado ou executado. Todas as outras regras morais podem ser deduzidas a partir desta base.”

John C. Wright, A Grande Transcendência (último livro de uma trilogia fantástica de ficção científica)

Verdadeiro final da Caverna do Dragão

March 11, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Redação 46 Comments →

No passado dia 09 deste mês, faleceu o co-criador de Dungeons & Dragons (Caverna do Dragão), Gary Gygax.

Em homenagem a este louvável senhor, deixo aqui aos leitores deste site um presente, oferecido por nada mais nada menos do que Michael Reaves, roteirista da série na época (1984-1985).

Caverna do Dragão

Antes de mais, deixo aqui uma nota pessoal.

Caverna do Dragão foi um de meus desenhos animados favoritos durante a minha infância. Era impossível não gostar do Presto. Era também impossível não odiar o unicórnio maldito que sempre atrapalhava a volta deles.
Já repararam que o unicórnio, quando abria a boca, fazia o som de cabrita? Era inevitável…

“UNIIIIIIIIIII”
- Bééééééééééé!

Se pararmos para pensar, chegamos à conclusão que a Caverna do Dragão foi, na realidade, o primeiro Lost.
Acompanhem o raciocínio:

Um grupo de pessoas está vivendo sua vida normalmente, andando de avião ou na montanha russa, quando ocorre um acidente.
De repente, eles estão em um lugar desconhecido, com seres fantásticos à volta, cercados de perigos, tentando sair e, quando finalmente acham que vão conseguir progredir, voltam atrás para a estaca zero.

Acabei de descrever em um parágrafo Lost e Caverna do Dragão ao mesmo tempo.

Voltando ao presentinho:

Michael Reaves conta, em sua página (em inglês), que a produtora (CBS) chegou nele e disse “Amiguinho, precisamos de um final para a terceira temporada”

Estava assim encomendado um final para Caverna do Dragão.
Michael queria que ele se chamasse “Redemption” (Redenção), mas a CBS achou que esse nome já entregava o ouro, e optaram por “Requiem”.

A idéia era que Requiem encerrasse uma fase na vida dos meninos, e iniciasse uma nova, em que eles seriam menos dependentes das armas, e mais auto-confiantes. Ou seja, em Requiem, eles não sairiam daquele mundo, pois estavam pensando já numa segunda temporada.

Mas nem tudo na vida é como a gente quer e, devido a alguns problemas com uma empresa associada, a série foi cancelada. Sem choro nem vela. Cancela Requiem, cancela quarta temporada, cancela a felicidade dos pivetes brasileiros que ficavam em casa assistindo TV e comendo Chandelle, babando no sofá.

De qualquer forma, o script estava pago e escrito. Assim, Michael colocou o trabalho em seu portfólio e resolveu tornar o negócio público.

Em seu site ele diz que leu os finais que as pessoas andaram inventando.
Sabe aquele final que as pessoas juram de pé junto que é o oficial, dizendo que eles morreram? E que o Vingador e o Mestre dos Magos eram a mesma pessoa? E que o unicórnio maldito estava trabalhando para o Vingador, justamente para impedir que eles voltassem? Lembram? Lembram? Vou utilizar o comentário do Michael que responde a essas versões:

“Bushwah, poppycock and balderdash.” ou seja, “bla bla bla bla”

Assim, o episódio final e ultra-resumido é assim (se preferirem, podem fazer o download da versão original, em inglês, muito mais completa e interessante de se ler em Requiem – Dungeons & Dragons):

- Mestre dos Magos encontra Vingador. Vingador diz que os meninos só sobreviveram até ali porque sabem que o Mestre dos Magos está lá pra salvá-los sempre. Mestre dos Magos nega. Vingador propõe um desafio ao Mestre dos Magos. Ele (MdM) deveria parar de ajudá-los. Se eles sobrevivessem, o Vingador entregaria a Chave a eles. O pequeno careca aceita.

- Meninos lutam contra uma Hidra. Estão quase perdendo, quando o Mestre dos Magos aparece. Eles ficam aliviados, mas o Mestre dos Magos diz friamente “vocês se meteram nesta confusão, saiam dela sozinhos”, ou seja, “caguei e andei procêis”. E desaparece, pra variar. Todos se sentem traídos e incrédulos, mas escapam.

- Discutem sobre o Mestre dos Magos, e decidem que ele é mau. Vingador aparece e diz que ele é o bonzinho, e que o Mestre dos Magos sempre os levou para a confusão, quando ele pode levá-los de volta a casa. Para isso, basta irem ao Limite daquelas terras. Lá estaria uma tumba vazia, apenas com uma Chave dentro. Teriam apenas que jogar a Chave no Abismo e iriam para casa.

- Metade acredita, outra metade não cai na conversa. Eles se dividem em dois grupos (Bobby, Hank, Diana e Unicórnio do inferno de um lado, e Eric, Presto e Sheila do outro) e seguem caminhos diferentes. O grupo do Eric está desiludido com o Mestre dos Magos e acreditam no Vingador. Os outros ficam desconfiados.

- Grupo de Eric encontra um barco. Presto faz mágica bonita e o barco começa a voar. Eles sobem no barco e este decola. Grupo de Hank encontra um Dragão Prateado, ficam amiguinhos, e sobem nas costas dele, que os leva voando atrás do barco voador.

- Os dois grupos voadores passam por um vulcão. O Hank manda o Eric parar. Eric nega, e Hank puxa de um arco e flecha pra tentar forçar o barco a pousar. Hank atira, e Eric defende a flecha com seu mega hiper super ultra escudo. A flecha cai no meio da lava. O vulcão entra em erupção. O grupo de Hank se salva, pois o dragão é macho. Porém o grupo de Eric não sai do meio da fumaça. Hank decide continuar na direção dos Limites do Mundo.

- O grupo de Eric se salvou graças ao chapéu mágico do Presto. Eles não vêem o outro grupo, e acham que estes morreram. Assim, temos os dois grupos pensando que o outro morreu. Engraçado.

- Vingador encontra o Mestre dos Magos novamente, e diz que sem a ajuda dele, os garotos estão perdidos. O pequenote diz que confia neles e que eles farão o que é certo.

- O grupo de Hank chega às portas de Cenotaph, o local onde está o túmulo com a Chave. Grupo de Eric aparece. Todos felizes e contentes novamente.

- Eric quer entrar. Hank não deixa. Presto explode a porta e eles entram correndo. Separados novamente. É a vida… *suspiro*

- Hank ameaça atirar em Eric com uma flecha se ele não parar. Durante a discussão, aparece um monstro amebóide que começa a ir atrás deles. Bobby usa a clava mágica e destrói as parades, soterrando o amebóide. Ao mesmo tempo, fechando o caminho de onde eles vieram. A única opção é continuar em frente.

- Vingador e Mestre dos Magos estão ao lado da tumba, conversando. Mestre dos Magos vagloria-se do progresso dos rapazes. Vingador acredita que eles falharão.

- Os aventureiros chegam ao sarcófago. O Vingador e o Mestre dos Magos não estão visíveis. Ao aproximarem-se do caixão, reparam que nele há uma fechadura. Após alguns segundos, se apercebem que o caixão está entalhado com uma figura. Um cavaleiro de porte nobre, que eles reconhecem imediatamente como sendo o Vingador, mas sem os caninos, os chifres e as asas.

- Eles abrem o sarcófago. Lá dentro, uma chave velha. Eric pega na chave, e sai correndo pra jogar a chave no Abismo. Hank entra na frente pra impedir.

- Hank tenta convencer Eric a não confiar no Vingador, Eric quer jogar a Chave no Abismo de qualquer jeito. Pra variar, durante a discussão, o Amebóide aparece de novo e interrompe. Durante a luta com o Amebóide, Hank diz ao Eric que ele não pode jogar a Chave fora, porque eles estão presos em uma masmorra (dungeon), e que o Vingador também está preso nela, e que aquela é a chave que abre as portas da masmorra.

- Após alguma luta com o Amebóide, Hank cai no Abismo.

- Eric fica indeciso sobre o que fazer com a Chave. Vingador aparece, e diz a ele que jogue a Chave no Abismo, para que eles possam voltar para casa. Eric olha para a fechadura no sarcófago. Eric corre na direção do sarcófago. Vingador lança um raio, que Eric defende com o escudo. O Vingador tenta novamente, mas o Amebóide ataca o Vingador também. Eric pára na frente do sarcófago e diz “Hank, é bom você ter razão”. E enfia a chave na fechadura. Vingador grita o clássico “NÃÃÃO!”

- As portas do sarcófago se abrem e de dentro sai uma luz muito brilhante. Vê-se a luz de longe. Um grupo de trabalhadores nos campos vê um portal à sua frente abrir-se com a passagem para o mundo natal deles. Contentes, atravessam o portal. A mesma coisa acontece para Homens Lagarto. De todos os lados conseguem se ver portais abrindo-se para os mais diversos mundos.

- Correm para o Abismo por onde Hank caiu. Ele está pendurado, se segurando em algumas rochas. Todos contentes novamente. Ajudam Hank a subir novamente.

- Todos olham para o Vingador, que se transmorfa/transfigura/transforma no cavaleiro que todos viram entalhado no sarcófago.

- Hank grita “Eu estava certo! A nossa missão não era matar o Vingador, e sim REDIMÍ-LO!”

- O Mester dos Magos aparece, olha para o Vingador e sorri. O Vingador olha para o Mestre dos Magos, se ajoelha e diz “Pai, eu voltei”

- Explicação do Vingador para os rapazes:

“Há milhares de anos atrás, decidi seguir outro mestre – um mestre maléfico. Aprisionei neste sarcófago tudo o que o Mestre dos Magos havia me dado. E vocês me libertaram!”

- Mestre dos Magos ergue as mãos, e o portal para o parque de diversões aparece à frente deles. O anão mestre diz:

“Vocês devolveram a liberdade a todos aqueles que estavam presos nesta masmorra. O mínimo que posso fazer é o mesmo por vocês. Estão livres para voltar ao vosso mundo agora, se assim desejarem”

O pequenote prossegue:

“Ou podem continuar aqui. Ainda há muito Mal que precisa ser combatido, e muitas aventuras por ser vividas. A escolha, meus filhos, é vossa.”

- Eles começam a olhar uns para os outros, rindo, enquanto a imagem vai se afastando cada vez mais, até mostrar aquele mundo inteiro, gigantesco.

FIM

Na minha opinião, ia ser um final MUITO BOM. Pena que não foi ao ar.
Espero que gostem do presentinho.

Eu xabô! Eu conxegô!

October 19, 2007 By: Mytho Category: Cronica, Redação, Utilidades 6 Comments →

Bom, eu já tenho alguns aninhos de internet e blogs e coisas parecidas.
Como fiz a primária aqui em Portugal, para mim é mais fácil escrever na língua portuguesa sem cometer erros. Não digo que escrevo sem nunca errar. Simplesmente por conhecer mais intimamente a raiz da língua, talvez me seja mais “natural” escrever de forma correta.

Quando eu era moleque, teve uma vez que eu tava com meu pai passeando no shopping, e a gente parou do lado de uma vitrine de sapatos, e uma mulher chamou o vendedor e perguntou:

“Quanto custa esses sapato?”
No Brasil é normal, talvez por influência italiana, engolir o “s” do plural.

Eu, com meus 6, 7 anos de idade, puxei a saia da mulher e gritei lá de baixo:

- MOÇA, É QUANTO CUSTAM ESSES SAPATOSSSSSSSS! TEM “M” E “S”!

Diz meu pai que a cara da mulher passou por todas as cores habituais encontradas em um semáforo, e sorrindo, saiu dali sem esperar a resposta do vendedor.

Claro que depois eu cresci e deixei de ser mala.

Mas a verdade é que às vezes leio coisas em determinados blogs que arrepiam os meus pelos nasais. Eu entendo muitos dos erros que leio, e consigo perceber às vezes porque é que as pessoas os cometem.

O que me causou espanto ultimamente foi a quantidade crescente de blogs portugueses que cometem erros que completamente assassinam o nosso querido e amado Português (não, não é o tiozinho da padaria, é a língua mesmo).

Eu não vou entrar em discussões sobre como as pessoas falam (Mais ou menas, estou meia tonta, etc).

Vou falar mesmo é da escrita. Então vamos lá. Tente ter paciência, pode ser que este post acabe por te ajudar de alguma forma. Ou pode ser que eu esteja errado em algo que diga, e cabe a você me corrigir. ;)

Pérolas portuguesas:

“Se nós fizer-mos isto, vamos conseguir”
“Nós ontem conversá-mos e tomá-mos uma decisão”

Criaturas de Deus, o que aquele hífen está fazendo ali no meio? Por favor, não nos precipite-mos!!
O problema é que aqui em Portugal escrever dessa forma está virando moda! As pessoas começam a ler em outros lugares e vira epidemia. Nunca vi igual. Te-mos que ter cuidado para não errar-mos, senão esta-mos ferrados!

Outra coisa linda de se ver aqui em Portugal são os adolescentes escrevendo no MSN. Segue um comentário de uma garota em um site português:

“pr acaso nnca tnh reparad, ms e msm verdade.. Engraxad exa coisa… O cerebro e msm 1 coisa bestial… E pena k alguma pessoas s eskeçam k tem 1… ms pntx.. nem tud e perfeit.. lol bj e fica bm”

Ela tentou dizer “Por acaso nunca tinha reparado, mas é mesmo verdade… Engraçada essa coisa… O cérebro é mesmo uma coisa bestial… É pena que algumas pessoas se esqueçam que têm um.. Mas pronto, nem tudo é perfeito… lol beijo e fica bem.”

E acreditem em mim quando vos digo que este exemplo é mesmo muito light e dos mais fáceis de entender que andam por aí. O negócio está atingindo proporções alarmantes.

No Brasil:

O Brasil perde um pouco nesta “batalha”, pois há certas coisas que nos complicam a vida a nós, brasileiros, quando o assunto é a escrita. O primeiro problema é que normalmente as nossas vogais são abertas. Sempre que tem a letra “A” sozinha, a gente lê “À”. E daí talvez venha o primeiro erro que digo aqui.

Reparei que cada vez mais, as pessoas confundem “esta” com “está”.

Do tipo: “Nossa, está casa é linda!”

Criançada, “está” é apenas um verbo! Verbo estar. Quando alguem quer falar “este, aquele, aquela, esta”, é sempre sem acento. Como diria o Jô Soares no seu e-mail, “é sem acento é sem acento é sem acento”.

Aqui em Portugal existe uma grande diferença na forma de falar “esta casa” e “ele está com fome”, e talvez por saberem bem a diferença fonológica entre cada uma das palavras, consigam escrever bem com mais facilidade.

Ah, mas ainda não acabei. Tem mais erros para mim explicar pra vocês.
Esse é o erro que eu gosto de chamar “erro de curuMIM”. Parece índio falando. Povo, mim não faz nada. Mim compra tudo feito.
O problema é que esse erro já tá incorporado na cultura brasileira de tal forma, que daqui a alguns anos é bem capaz de ser incluído na gramática. Lutem contra os curumim’s!

Eu também queria falar dos acentos no “A”, mas é guerra perdida. Você vê em posto de gasolina, cartazes gigantescos, com “pagamento à prazo” escancarados. É outro erro que aqui em Portugal não cometem, pois dizer “à vista” e “a prazo” têm dois sons totalmente distintos. Eu não vou entrar aqui em regras gramaticais, senão até eu adormeço. Meu objetivo foi só apontar o erro.

Outro erro.. outro dia li no orkut: “era pra ele vim, mas aconteceu um problema”.
É mais um erro que provém da fala. Nego fala errado, mais cedo ou mais tarde, começa a escrever errado. A única forma correta de “vim” é na primeira pessoa, passado: “Eu vim”. O resto tá errado.

Como regra geral, há erros que ambos os países cometem.

Vêm – Vêem: Decore isto. Você vê com os 2 olhos, então para o verbo “ver”, o correto é “vêem” com dois “e”. “Vêm” é do verbo vir.
Vir – Vier: Se você quiser dizer “quando eu voltar..”, não diga “vir”. “Vir” é de “ver”. “Vier” é de “voltar”.

Sempre que tiver alguma dúvida de como se escreve uma palavra, põe ela pra lutar com a alternativa no Google Fight. Escreve lá “à prazo” e “a prazo” e vê quem ganha. ;)

Bom, chega de dar uma de Prof. Pasquale. Termino o post com uma dúvida genuína minha que até hoje ninguém conseguiu me responder. Sempre me respondem com teorias que não levam a lado nenhum. Talvez por aqui eu tenha sorte.

Considerem opostos – antônimos:

Claro – Escuro.
Simples – Complicado.
Maior – Menor.
Mais – Menos.
Fácil – Difícil.
Pequeno – Grande.

Até aqui sem problemas, certo? Vamos dar uma incrementada, assumindo que a regra se aplica sempre:

Mais claro – Mais escuro.
Mais simples – Mais complicado.
Não existe “Mais maior”, portanto também não existe “Mais menor”.
Mesma coisa se aplica para “Mais” e “Menos”.
Mais fácil – Mais difícil.
Mais pequeno – Mais…. grande?

Calma lá. Eu sempre aprendi que “Mais grande” não existe, mas nunca vi problema nenhum em ouvir pessoas falando “Mais pequeno”. “Grande” não é o oposto de “Pequeno”?
Então qual é o motivo de poder “Mais pequeno” e não poder “Mais grande”?

Esta, meus amigos, é a pergunta que não quer calar.

A Abelha (repost)

August 18, 2007 By: Mytho Category: Cronica, Redação No Comments →

A abelhinha estava voando em busca de flores.
Claro, porque as abelhas precisam de flores, isso é básico.
Precisam daquele pólen que só as flores têm. De lá elas levam para a colméia e… ah, não preciso dizer… vocês sabem muito bem o que uma abelha faz com o pólen e o que que sai no final.
Continuando..
Ela estava em busca de flores para fazer aquilo-que-todo-mundo-já-sabe… só que havia um problema: Esta abelha é da cidade, nascida num carrinho de caldo de cana do centro da cidade.
Um dia, a abelhinha saiu pra dar um rolê e o tiozinho do caldo de cana foi embora e nunca mais voltou.
Claro, toda a abelha que se preza tem o famoso instinto animal… esta não era diferente e começou a procurar flores, mesmo nunca tendo visto uma.
Sabia que devia ir atrás de algo bem colorido e bem cheiroso… e que lá encontraria o que procurava.
Então ela voou.

(Aqui você pode inserir um texto poético com expressões do tipo “bailando pelos ares” ou “na direção do horizonte”, “infinito”, coisas assim – para o vôo dela ficar mais bonito).

E eis que ela vê cores! Cores e perfumes! Só pode ser ali!
E a abelhinha acelera (toda serelepe) em direção a uma loja de tecidos, bem ao lado de uma outra de cosméticos…
Ao chegar perto, a abelhinha (que não era nada burra), percebeu que as cores vinham de um lado e os odores de outro… na dúvida, seguiu os cheiros…
Mergulhou de cabeça num pote de creme hidratante que uma mulher fedida fazia questão de violar e tirar o plástico sem comprar.
Ao ver uma abelha no creme, a fedorenta (vocês não têm noção da raiva que me dá ver gente abrindo embalagens de perfume, xampu, desodorante e etc em supermercados, sem terem a intenção de levar… esta parte da história é uma crítica a essas pessoas, caso vocês não percebam) deu um grito, saiu correndo, tropeçou, bateu a cabeça na guia e morreu. Com a abelha nada aconteceu.
Ela bateu as asinhas algumas vezes para retirar o creme (que aliás, deixou suas asas muito mais sedosas e macias) e decolou em sua busca por flores.

(aqui cabe mais um texto poético e tal)

Sem perceber, a abelhinha acabou saindo do centro da cidade e ia cada vez mais na direção de um parque.
Ao longe avistou umas árvores e ficou maravilhada, pois sentiu que era ali o seu lugar… engatou uma segunda e acelerou na direção do verde.
Ao chegar, percebeu que não havia apenas verde, mas sim outras cores e tons e perfumes… sim, era ali o seu lugar…
A abelhinha viu ao longe uma flor.
Seus olhos se encheram de lágrimas (eu sei, abelhas não choram, mas é pra mostrar que ela ficou emocionada) e ela ficou até ranhosa de tanta emoção.
Era uma flor azul, e com um perfume que ela nunca antes havia sentido. Ela sabia que era uma flor. Seu instinto gritava e confirmava.
Ela sabia agora o que devia fazer.
Lentamente pousou em uma pétala da flor e viu ali o que procurara a vida inteira e nunca vira antes; o pólen.
Extasiada, enfiou a cabeça naquele pozinho doce, mágico…
Ao tirar a cabeça, uma sensação estranha… um formigamento em seu rosto, uma comichão…um espirro. Outro. E outro. E muitos outros.
Quase sem forças, a abelha decolou e procurou um carro de caldo de cana. Tinha alergia a pólen.

Este texto é uma homenagem a todas as abelhas que têm alergia a pólen.

*** Post original em 24-06-2002 (site antigo)

Redação – O Caracol (repost)

August 11, 2007 By: Mytho Category: Cronica, Redação No Comments →

O caracol

O caracol é uma lesma. Não é bem uma lesma como essas que a gente usa pra pescar. É uma lesma com uma casca, que é a casca do caracol.
A gente chama a casca de casa do caracol porque ele mora lá dentro, quando não tá aqui fora.
O caracol tem duas antenas que servem pra ele pegar cartoon networks na casa dele.
O caracol é muito lento, porque minha vó falou que quando alguém vê muita TV, fica lerdo que nem um caracol e preguiçoso igual meu pai. Meu pai não tem antenas e nem é um caracol.
De vez em quando eu piso nos caracóis que vejo no jardim. Sai uma meleca gosmenta e ele morre.
Às vezes eu tiro uma meleca parecida do meu nariz, mas eu não sou um caracol. A meleca do meu nariz é salgadinha.
Nas férias fui comer caracol. Eles chamam o caracol que a gente come de outro nome, um nome estrangeiro, parecido com “se cagou”.
O Se Cagou é salgadinho igual a meleca do meu nariz.
Minha mãe não deixa eu comer meleca, mas deixa eu comer Se Cagou.
Um dia eu vou colocar um monte de caracol na cabeça, porque a minha namorada na escola falou que acha lindo menino com caracol no cabelo.

*** Post original em 22-01-2004 (site antigo)



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