Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Archive for the ‘Vidas Estranhas’

Vidas Estranhas - Turbilhão

June 23, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Vidas Estranhas No Comments →

E mais uma vez, ele estava decepcionado.
Tinha acabado de encontrar (de novo) provas irrefutáveis de que estava sendo enganado bem diante do próprio nariz. Era demais. A gota d’água.

Sabia o que devia fazer. Sabia qual o caminho certo. Faltava apenas seguí-lo. “Apenas”… como se fosse fácil. Como se fosse um ato corriqueiro, uma banalidade do dia-a-dia.

Olhou atentamente para as fotos, esperando que aquelas duas pessoas enroscadas na imagem mudassem subitamente de identidade, fazendo com que tudo voltasse a ficar bem novamente. Inútil. Conseguia ver bem o rosto dos dois protagonistas da foto. O olhar cúmplice, o abraço, as bocas quase encostadas, e o sorriso de satisfação.

Resistiu ao impulso de rasgar aquelas fotos e pousou-as em cima da cama. Começou a andar de um lado para o outro no quarto, como se fosse um tigre enjaulado.
Precisava agir. Precisava passar ao ataque. Não podia estagnar.

Foi à cozinha, abriu a porta da geladeira para pensar. Era um hábito seu. Abria a geladeira e ficava olhando lá para dentro, sem tirar nada.
Decidiu que ia confrontá-la assim que chegasse a casa. Ia colocar os pingos nos is, ia gritar, e ia embora dali. Não podia engolir um sapo desses.

Passou as horas seguintes ensaiando tudo o que ia dizer. Repassou o diálogo na sua cabeça vezes sem conta, alterando as respostas dela a cada vez, de forma a que ficasse preparado para qualquer vertente que a conversa pudesse seguir.

Barulho da fechadura.
Ela entra, cansada do dia de trabalho. Ainda assim conseguia estar linda, como sempre.
Olha para ele, sorri. Dá um abraço apertado, um beijo (como ela beija bem!) e vai para o quarto trocar de roupa.

Enquanto observa ela se trocando, ele decide.
Ela está perdoada. Mas só dessa vez.

Fetiches

February 02, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Vidas Estranhas No Comments →

Ele tinha um gostinho especial pelas mais maduras. Era algo que o deliciava. Excitava-o.
Aquela manhã ele acordou com um desejo incontrolável de experimentar uma diferente. Não podia ser daquelas baratas. Tinha que ser de luxo. Elite. De preferência de outro país. E madura. Um pouco passada do ponto, não demais, mas ainda assim gostosa.

Sorriu com a idéia.
Vestiu-se apressadamente, entrou no carro e começou a percorrer as ruas, olhando bem para cada esquina, cada beco, em busca do que procurava. Era um predador e quase conseguia sentir o cheiro da presa.

No rádio, uma música muito antiga fazia menção às coroas, e que a panela velha é que faz comida boa. Mais uma vez, sorriu. Perfeito.
Não encontrando o que queria nas ruas - cheias de produtos reles, baratos e demasiado jovens para sequer captar a sua atenção, voltou para casa.

Pegou no jornal, abriu os classificados. Nada. Não havia o que ele queria.
Internet. Abriu o browser, começou a sua busca em motores de pesquisa. Achou um fórum de pessoas com os mesmos gostos - pessoas de bom gosto - e com algumas dicas. Percorrendo os tópicos, achou o que queria. Era africana. Madura. Só de pensar em como seria, seu corpo começou a tremer. Contendo-se de excitação, pegou no telefone e marcou o número.

Atendeu um homem. Voz grossa, não devia ter mais de 35 anos, provavelmente musculoso e pronto para brigar com qualquer um que tentasse lhe roubar as pequenas…
Disse o que queria.
- Então é comigo que você tem que falar. Vamos negociar preços - disse, desconfiado.

A negociação durou vinte minutos.
Disse o homem:

- Não temos carros. Tem que vir buscar. Anota o endereço.

Assim foi. Entrou novamente no carro, dirigiu-se ao endereço combinado, e lá estava ele. Quase dois metros, tatuagens, tríceps do tamanho do pescoço de uma girafa. E segurando-a na mão.
Quando a viu, seu coração falhou uma batida. Nunca antes tinha visto tamanha perfeição. Aproximou-se dela devagar. Estaria ele tendo alucinações ou ela estava realmente sorrindo para ele?
Com a respiração acelerada, pagou ao homem antecipadamente e levou-a para o carro.

Durante o caminho, a timidez impediu que lhe dirigisse a palavra. Apenas olhava para ela pelo canto do olho sempre que podia. Ela lá estava. Em silêncio, linda, e pedindo atenção.

Creepy Smile

“Ah, eu vou te dar toda a atenção que você merece, minha jóia africana!” - pensou.

Chegando a casa, mal podendo conter-se, abraçou-a durante muito tempo. Ela não o impediu e isso fez com que ele ficasse ainda mais excitado.
Lentamente, começou a despí-la.

A parte de cima primeiro, depois em baixo, revelando um corpo maduro delicioso. Não aguentava mais. Tinha que comê-la de qualquer jeito.
Cego de ansiedade, enfiou os dentes nela. Arrancou um pedaço.
Que banana deliciosa.

Vidas Estranhas II

August 10, 2007 By: Mytho Category: Cronica, Vidas Estranhas No Comments →

Ele gostava de conquistar as mulheres. Era só o prazer da conquista.
Gostava de usar a lábia que tinha por dom e conquistar a torto e a direito.

Era simples a sua técnica: ia a esses bares de solteiros, encontrava alguém que ainda tivesse os olhos vermelhos de chorar (mais vulneráveis, claro), conquistava-as, e depois de uma noite, matava-as com um objeto estranho.

Podia ser qualquer coisa, desde bater na cabeça delas com um peixe congelado até cortar a cabeça delas fora com cortador de unhas.

Esta noite não seria diferente. Duas gotinhas de perfume. Gel no cabelo. Camisa cara com marca visível. Elas adoram um homem que usa roupa de marca, então não vamos correr o risco de elas não saberem que esta é de marca.

No bar, inicia uma conversa. Ela é simpática. Ainda está chorando (costuma ser muito mais fácil assim) por um namorado que morreu no dia anterior.
Aos poucos, ele começa a gostar da conversa, e, sem perceber, vai ficando cada vez mais curioso sobre a vida dela, de onde ela veio, o que faz, quais os seus sonhos…

Sem muita dificuldade, ela aceita ir a casa dele.
Conversam mais um pouco e ele não precisa fingir interesse desta vez.

Inevitavelmente, começam as carícias, e logo estão na cama. É surpreendentemente bom. É diferente, é intenso… será que valeria a pena matá-la? Já estava cansado de viver sozinho. Esta era diferente, era especial.
Tomaria conta dela. Pronto, estava decidido… mudaria a sua vida e nunca mais mataria um ser vivo.
Engraçado que esta seria sua centésima vítima… coincidência? Nunca saberia. Ficaria nas 99 mesmo.

Enquanto pensava nisso, de olhos fechados, ouviu um som muito parecido de broca de dentista. Abriu os olhos mesmo a tempo de ver a tal broca de dentista perfurar seu olho direito.
Ganindo de dor, tentou se defender, mas ela tinha amarrado suas mãos com seda minutos atrás.

————————–

Depois de verificar que ele estava mesmo morto, ela vestiu-se.
Ainda dava tempo de voltar ao bar e fazer mais um.
Pingou umas gotas nos olhos, para que começasse a chorar.
Desta vez usaria um garfo de plástico. Seria sua centésima vítima.

*** Post original em 13-12-2003

Vidas Estranhas I

August 09, 2007 By: Mytho Category: Cronica, Vidas Estranhas No Comments →

Ele acordou e olhou em volta. Demorou alguns segundos para reconhecer seu próprio quarto. Ao seu lado, ela. Nua. Aos poucos, as recordações da noite anterior foram aflorando e, com as recordações, o sorriso inevitável apareceu.
Conteve a súbita vontade de gritar, rir, abraçar aquele corpo, sentou-se na cama e vestiu as cuecas e uma camiseta. Vai do avesso mesmo, quem tem paciência pra virar a camiseta do outro lado quando acorda?
Sem fazer barulho (para não acordar os pais), foi ao banheiro, voltou ao quarto, vestiu-se.
Sentou-se novamente na cama, beijou-a demoradamente. Disse baixinho ao seu ouvido “eu te amo”.
Depois, tirou a faca das costas dela, embalou-a em um saco de lixo grande, jogou tudo no porta-malas do carro e foi trabalhar. Ainda tinha que passar no banco antes pra pagar uma conta. Tanta coisa pra fazer e tão pouco tempo disponível…

*** Post original em 17-11-2003 (antigo site)




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