Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
Subscribe

Problemas e Soluções

September 29, 2007 By: Mytho Category: Aviação, Cronica, Humor No Comments →

Após cada vôo, pilotos preenchem um formulário, comunicando aos mecânicos em terra qualquer problema que o avião tenha tido durante o vôo. Os mecânicos o lêem e corrigem o problema, e, na metade inferior do formulário, descrevem por escrito a solução foi adotada. O piloto revê o relatório antes do vôo seguinte. Que não se diga que o pessoal de terra e os engenheiros não tenham senso de humor…

** O texto abaixo não foi escrito e nem verificado por mim, mas é engraçado e por isso faço um post **

Aqui estão alguns problemas reais de manutenção submetidos pelos pilotos da Qantas (empresa Aérea Australiana) e as soluções registradas pelos engenheiros. A propósito, Qantas é a única grande empresa aérea que nunca registrou acidente aéreo algum.
(P = problema acusado pelo piloto)
(S = solução adotada pelo engenheiro em terra)

P: Pneu esquerdo principal interno quase precisando de substituição.
S: Pneu esquerdo principal interno quase substituído.

P: Teste de vôo OK, exceto pelo piloto automático, que pousa mal o avião.
S: Piloto automático não instalado nessa aeronave.

P: Alguma coisa está solta no cockpit.
S: Alguma coisa foi apertada no cockpit.

P: Besouros mortos no para-brisa.
S: Besouros vivos já encomendados.

P: Piloto automático não mantém nível, produzindo ascenção de 200 pés por
minuto.
S: Não pudemos reproduzir o problema no solo.

P: Evidências de vazamento na engrenagem principal de pouso.
S: Evidências removidas.

P: O volume do DME está incrivelmente alto.
S: O volume do DME foi ajustado para volume mais crível.

P: As travas de fricção estão prendendo os controles.
S: É para isso que servem as travas de fricção.

P: IFF inoperante.
S: IFF sempre inoperante quando DESLIGADO.

P: Suspeitamos de trinca no para-brisa.
S: Suspeitamos de que vocês estejam certos.

P: Turbina número 3 perdida.
S: Após breve busca, turbina número 3 localizada na asa direita.

P: A aeronave se comporta de modo engraçado.
S: A aeronave foi advertida para se comportar, voar direito e ficar séria.

P: O radar faz ruído fora de tom.
S: Radar reprogramado para executar líricos.

P: Rato no cockpit.
S: Gato prontamente instalado.

Red Bull Air Race

August 21, 2007 By: Mytho Category: Aviação, Rotina 1 Comment →

Red Bull

E o dia 01/09 já está aí. Finalmente poderei ir ver o pessoal do Red Bull Air Race este ano. O Porto é aqui a 1 horinha de distância, por isso contem comigo lá. A paisagem também é perfeita, por isso levo o meu brinquedo e tento tirar proveito ;)

(aí aposto que chego a casa e vou correndo pro FSX tentar repetir o que o povo fez por lá…)

Air Race

Vamos?

Mais do Comandante Loureiro

August 09, 2007 By: Mytho Category: Cronica, Rotina 3 Comments →

E aqui está. Publicaram o meu texto (originalmente o nome do texto é “Quem Conta Um Conto…”).

Obrigado ao Guilherme e a todos os que estão comentando por lá (e por aqui).

Por favor, se alguém vir o texto circulando por aí, digam alguma coisa, só pra eu saber… gosto de relê-lo de vez em quando e observar a reacção das pessoas. ;)

Comandante Loureiro

July 31, 2007 By: Mytho Category: Cronica 6 Comments →

Alguns anos atrás, resolvi escrever um conto. Escrevi um conto sobre a minha paixão por aviação, e, como “quem conta um conto aumenta um ponto”, exagerei e fiz uma ficçãozinha.

Quando acabei, li, reli, e concluí que gostei bastante. Juntei coragem, e, após postar no meu blog na época, resolvi também postar no fórum da IVAO BR.

O resultado foi surpreendente. Todos os dias comecei a receber e-mails e respostas no fórum de pessoas que diziam ter se emocionado ao ler o meu texto. Sinceramente, sempre achei que era um pouco de exagero, mas aos poucos fui recebendo tanto feedback, que acabei acreditando.

Alguns meses depois, me pediram autorização para utilizar o texto numa feira de aviação. Ouvi dizer que fizeram um cartaz com o texto, e a esposa de um comandante conhecido em SP leu, e chorou.

O texto já foi destacado em vários sites de aviação, e ontem postaram numa comunidade do Orkut. Aqui.

Aproveitei e resolvi fazer uma busca no Google por “Comandante Loureiro” e achei alguns sites. Alguns dão o devido crédito, outros não. Engraçado que o primeiro da lista não diz o meu nome. Eu não faço assim tanta questão. Só o fato de ver o texto indo tão longe já me deixa feliz (desde que não postem o texto dizendo que foram eles que escreveram, claro =D).

Assim, mais uma vez, deixo aqui a história que tanto prazer me deu em escrever, e tanto prazer me dá em ler, e ver que as pessoas gostam (outro dia vi num fórum uma pessoa perguntando “alguém tem um link pra um texto que eu li uma vez de um comandante aposentado que vai voar pela ultima vez no 734?” - priceless).

Texto:

Ele entrou no avião. Era um velho Boeing 737-400. Hoje em dia não voam mais. Dizem que bebe muita gasolina pra pouco espaço que cobre. Dizem que é lento. Podem até mesmo dizer que é pequeno. Mas é o preferido de 11 em 10 comandantes que já o pilotaram.
Mal ele entrou, inspirou fundo e deixou seus pulmões serem invadidos por aquele cheiro característico de interior de avião, uma mistura de gasolina de avião com ar condicionado desligado. Não perguntem, é esse o cheiro mesmo.
Olhou em volta, as poltronas vazias. Lembrou-se da primeira vez que pilotara o velho 737-400 (ou 734, como é carinhosamente chamado pelos comandantes). Lembrou-se da trepidação das turbinas ao ligá-las, e o frio na barriga que sentiu então. Aquele avião inteiro sob seu comando. Todos confiavam nele. A vida de 120 pessoas em suas mão, dependendo totalmente de seu juizo.

Lentamente andou pelo corredor, por onde outrora passaram carrinhos com bebidas e comidas. Alguns anos mais tarde, passariam por ali também carrinhos com souvenirs, revistas e jornais. Se fechasse os olhos, poderia ouvir e ver passageiros passando por ali, indo ao banheiro, conversando com as famílias. Via as comissárias (”aeromoças”, como diziam na época) sorrindo sempre, entregando toalhinhas refrescantes e fones de ouvido aos passageiros.

Chegou à cabine, onde observou demoradamente o painel, com todas as luzes e mostradores tão familiares. Vivera para aquilo a vida inteira.
Sentou-se na poltrona do piloto e fechou os olhos. Agora via o tráfego. Ouvia os controladores que davam instruções às aeronaves que chegavam ou partiam. Sentia a segura presença do co-piloto e engenheiro de navegação ao seu lado. Eles também confiavam nele cegamente.

Com as mãos firmes no manche, pôde sentir o controle absoluto daquele pássaro gigante de ferro e alma. Sim, porque não importa quão avançada é a tecnologia do homem, um objeto daquele tamanho e peso nunca sairia do chão se não possuísse uma alma para voar.

Uma mão pousou no seu ombro.

- Querido, temos que ir.

Era a sua esposa. Estava sorrindo, num misto de pena e tristeza. Sabia o que se passava no interior de seu marido. Ele olhou para ela.

- Me fala, Maria… quantos anos eu tenho?
- Você faz 70 hoje…
- Setenta… sabia que dentro deste avião eu passei 30 anos desses 70?
- Sim…
- Sabe Maria… eu achava que ia morrer voando. Nunca foi o meu medo. Foi a minha vontade. Já na escola de pilotos, todos diziam: “Bom mesmo é morrer voando”… Não é justo morrer em terra.
- Querido…
- Sabe.. acho que nunca ninguém pensou no “depois”. Eu não pensava. Só sabia que estava destinado a voar. E nunca tinha parado pra pensar que um dia eu ia ter que parar. Simplesmente um dia eu não ia mais poder entrar num avião destes na qualidade de comandante. Pensava que aquilo ia durar para sempre.
- Não fala assim… nós temos filhos e netos que te adoram…
- Adoram, mas não deveriam. Esta profissão me consumiu. Eu raramente parava em casa, como você se lembra. Sempre daqui pra lá. De lá pra cá. Este é o último 734 operacional no mundo, você sabia?
- Não.. mas já foi sorte terem deixado a gente entrar aqui antes dos outros… daqui a pouco o piloto e os passageiros chegam e nós temos que ir nos sentar lá atrás, junto com os passageiros…
- É… ainda bem que eu conheço o pessoal neste aeroporto, não é verdade? Pude entrar aqui e ver tudo… matar saudades…
Ela sorriu.. não havia nada para dizer.
Ele se levantou e foram se sentar em suas poltronas, enquanto os passageiros entravam e ocupavam seus lugares. Os comissários de bordo iniciavam os serviços, auxiliando as pessoas a encontrarem suas poltronas, ajudando com as bagagens, tirando dúvidas.

Assim que as portas do avião se fecharam, ouviu-se a voz mecânica do comandante.
“Senhores passageiros, muito boa tarde, aqui quem vos fala é o comandante Soares. Gostaria de dar a todos as boas vindas ao vôo 1322 da nossa companhia aérea. Hoje é um vôo especial, pois é o último vôo deste Boeing 737-400 antes de ser substituído pelo novo Boeing 737-800. Temos também conosco neste vôo de despedida o Comandante Loureiro, que voou durante 30 anos somente no Boeing 734, como nós o chamamos. Hoje o Cmdte Loureiro completa setenta anos de idade e seria um grande prazer tê-lo durante o vôo na cabine de comando.”

Dito isto, todos os passageiros olharam em volta, procurando o velhinho. Atônito, ele levantou-se e, sob uma enorme quantidade de aplausos, dirigiu-se à cabine.
O comandante recebeu-o com um largo sorriso e sentou-se no lugar do co-piloto.

- Comandante Loureiro, é com enorme prazer que o recebo em minha cabine e entrego em suas mãos o último vôo do nosso querido 734. Eu fico aqui de co-piloto, caso tenha se esquecido de alguma coisa.

Com os olhos marejados e sem articular palavra, ele olhava para o comandante e para o assento do piloto, temendo acordar a qualquer momento.

- Com todo o respeito, - conseguiu finalmente dizer - em momento algum da minha vida eu me esqueci de como isto se faz.
- Não duvido, Comandante Loureiro, não duvido. Sua fama como piloto é legendária, e se não fosse ela, jamais teríamos conseguido permissão da companhia para que o senhor pilotasse. Agora seria bom sentar-se, pois estamos atrasados.

Assim que se sentou, sua expressão modificou-se e os gestos tornaram-se precisos e mecânicos. O avião tornara-se parte do seu corpo. Todos os procedimentos faziam parte de um ritual sagrado que ele interiorizara tão bem quanto o ato de andar, mastigar ou piscar os olhos.
Pelo rádio, pediu autorização para taxiar até a pista. Na resposta, outra surpresa. Ele conhecia aquela voz.

- Antunes? - perguntou tímidamente.

A resposta veio precedida por uma risada.

- Então Loureiro, você acha que é o único velho sortudo que vai ter a oportunidade de se despedir dessa sucata? Em nome de todos os controladores (aposentados e ativos) dou-lhe os parabéns pelo aniversário e desejo um ótimo vôo para o já saudoso 734. Não poderia estar em melhores mãos.

Enxugando rapidamente uma lágrima que teimava rolar pelo canto do olho, ele disse:

- É bom saber que eu não sou o único gagá neste aeroporto. Agora me dá a autorização logo antes que eu fique em último na fila.
- Não se preocupe, parece que todos os comandantes neste aeroporto sabem do evento e se recusam a decolar enquanto não virem a última decolagem do “Loureiro e seu passarinho de estimação”
- Fazia tempo que eu não ouvia essa expressão… bom, então se temos platéia, que o show seja bonito. Taxiando ao ponto de espera da pista 09L…

É difícil descrever o que se passava em seu interior. Ele decolou ao som de palmas dos passageiros e da torre de controle, foi saudado com entusiasmo pelo pessoal do Controle e depois do Centro. Passou pelos 20.000 pés e, quando finalmente nivelou nos 33.000 pés, morreu.

Hoje em dia, quem visitar a sua lápide, pode ler.
“Pilotou para viver e pilotou para morrer”
Em baixo, uma foto do velho comandante em frente ao seu 734. Na foto, os dizeres “Loureiro e seu Passarinho de Estimação. Um não viveria sem o outro.”

Mytho Leal

Quem conta um conto

August 11, 2006 By: Mytho Category: Cronica 5 Comments →

Ele entrou no avião. Era um velho Boeing 737-400. Hoje em dia não voam mais. Dizem que bebe muita gasolina pra pouco espaço que cobre. Dizem que é lento. Podem até mesmo dizer que é pequeno. Mas é o preferido de 11 em 10 comandantes que já o pilotaram.

Mal ele entrou, inspirou fundo e deixou seus pulmões serem invadidos por aquele cheiro caracterí­stico de interior de avião, uma mistura de gasolina de avião com ar condicionado desligado. Não perguntem, é esse o cheiro mesmo.
Olhou em volta, as poltronas vazias. Lembrou-se da primeira vez que pilotara o velho 737-400 (ou 734, como é carinhosamente chamado pelos comandantes). Lembrou-se da trepidação das turbinas ao ligá-las, e o frio na barriga que sentiu então. Aquele avião inteiro sob seu comando. Todos confiavam nele. A vida de 120 pessoas em suas mãos, dependendo totalmente de seu juizo.

Lentamente andou pelo corredor, por onde outrora passaram carrinhos com bebidas e comidas. Alguns anos mais tarde, passariam por ali também carrinhos com souvenirs, revistas e jornais. Se fechasse os olhos, poderia ouvir e ver passageiros passando por ali, indo ao banheiro, conversando com as famí­lias. Via as comissárias (”aeromoças”, como diziam na época) sorrindo sempre, entregando toalhinhas refrescantes e fones de ouvido aos passageiros.

Chegou à cabine, onde observou demoradamente o painel, com todas as luzes e mostradores tão familiares. Vivera para aquilo a vida inteira.
Sentou-se na poltrona do piloto e fechou os olhos. Agora via o tráfego. Ouvia os controladores que davam instruções às aeronaves que chegavam ou partiam. Sentia a segura presença do co-piloto e engenheiro de navegação ao seu lado. Eles também confiavam nele cegamente.

Com as mãos firmes no manche, pôde sentir o controle absoluto daquele pássaro gigante de ferro e alma. Sim, porque não importa quão avançada é a tecnologia do homem, um objeto daquele tamanho e peso nunca sairia do chão se não possuí­sse uma alma para voar.

Uma mão pousou no seu ombro.

- Querido, temos que ir.

Era a sua esposa. Estava sorrindo, num misto de pena e tristeza. Sabia o que se passava no interior de seu marido. Ele olhou para ela.

- Me fala, Maria… quantos anos eu tenho?
- Você faz 70 hoje…
- Setenta… sabia que dentro deste avião eu passei 30 anos desses 70?
- Sim…
- Sabe Maria… eu achava que ia morrer voando. Nunca foi o meu medo. Foi a minha vontade. Já na escola de pilotos, todos diziam: “Bom mesmo é morrer voando”… Não é justo morrer em terra.
- Querido…
- Sabe.. acho que nunca ninguém pensou no “depois”. Eu não pensava. Só sabia que estava destinado a voar. E nunca tinha parado pra pensar que um dia eu ia ter que parar. Simplesmente um dia eu não ia mais poder entrar num avião destes na qualidade de comandante. Pensava que aquilo ia durar para sempre.
- Não fala assim… nós temos filhos e netos que te adoram…
- Adoram, mas não deveriam. Esta profissão me consumiu. Eu raramente parava em casa, como você se lembra. Sempre daqui pra lá. De lá pra cá. Este é o último 734 operacional no mundo, você sabia?
- Não.. mas já foi sorte terem deixado a gente entrar aqui antes dos outros… daqui a pouco o piloto e os passageiros chegam e nós temos que ir nos sentar lá atrás, junto com os passageiros…
- É… ainda bem que eu conheço o pessoal neste aeroporto, não é verdade? Pude entrar aqui e ver tudo… matar saudades…
Ela sorriu.. não havia nada para dizer.
Ele se levantou e foram se sentar em suas poltronas, enquanto os passageiros entravam e ocupavam seus lugares. Os comissários de bordo iniciavam os serviços, auxiliando as pessoas a encontrarem suas poltronas, ajudando com as bagagens, tirando dúvidas.

Assim que as portas do avião se fecharam, ouviu-se a voz mecânica do comandante. “Senhores passageiros, muito boa tarde, aqui quem vos fala é o comandante Soares. Gostaria de dar a todos as boas vindas ao vôo 1322 da nossa companhia aérea. Hoje é um vôo especial, pois é o último vôo deste Boeing 737-400 antes de ser substituí­do pelo novo Boeing 737-800. Temos também conosco neste vôo de despedida o Comandante Loureiro, que voou durante 30 anos somente no Boeing 734, como nós o chamamos. Hoje o Cmdte Loureiro completa setenta anos de idade e seria um grande prazer tê-lo durante o vôo na cabine de comando.”

Dito isto, todos os passageiros olharam em volta, procurando o velhinho. Atônito, ele levantou-se e, sob uma enorme quantidade de aplausos, dirigiu-se à cabine. O comandante recebeu-o com um largo sorriso e sentou-se no lugar do co-piloto.

- Comandante Loureiro, é com enorme prazer que o recebo em minha cabine e entrego em suas mãos o último vôo do nosso querido 734. Eu fico aqui de co-piloto, caso tenha se esquecido de alguma coisa.

Com os olhos marejados e sem articular palavra, ele olhava para o comandante e para o assento do piloto, temendo acordar a qualquer momento.

- Com todo o respeito, - conseguiu finalmente dizer - em momento algum da minha vida eu me esqueci de como isto se faz.
- Não duvido, Comandante Loureiro, não duvido. Sua fama como piloto é legendária, e se não fosse ela, jamais terí­amos conseguido permissão da companhia para que o senhor pilotasse. Agora seria bom sentar-se, pois estamos atrasados.

Assim que se sentou, sua expressão modificou-se e os gestos tornaram-se precisos e mecânicos. O avião tornara-se parte do seu corpo. Todos os procedimentos faziam parte de um ritual sagrado que ele interiorizara tão bem quanto o ato de andar, mastigar ou piscar os olhos. Pelo rádio, pediu autorização para taxiar até a pista. Na resposta, outra surpresa. Ele conhecia aquela voz.

- Antunes? - perguntou tí­midamente.

A resposta veio precedida por uma risada.

- Então Loureiro, você acha que é o único velho sortudo que vai ter a oportunidade de se despedir dessa sucata? Em nome de todos os controladores (aposentados e ativos) dou-lhe os parabéns pelo aniversário e desejo um ótimo vôo para o já saudoso 734. Não poderia estar em melhores mãos.

Enxugando rapidamente uma lágrima que teimava rolar pelo canto do olho, ele disse:

- É bom saber que eu não sou o único gagá neste aeroporto. Agora me dá a autorização logo antes que eu fique em último na fila.
- Não se preocupe, parece que todos os comandantes neste aeroporto sabem do evento e se recusam a decolar enquanto não virem a última decolagem do “Loureiro e seu passarinho de estimação”
- Fazia tempo que eu não ouvia essa expressão… bom, então se temos platéia, que o show seja bonito. Taxiando ao ponto de espera da pista 09L…

É difí­cil descrever o que se passava em seu interior. Ele decolou ao som de palmas dos passageiros e da torre de controle, foi saudado com entusiasmo pelo pessoal do Controle e depois do Centro. Passou pelos 20.000 pés e, quando finalmente nivelou nos 33.000 pés, morreu.

Hoje em dia, quem visitar a sua lápide, pode ler: “Pilotou para viver e pilotou para morrer”
Em baixo, uma foto do velho comandante em frente ao seu 734. Na foto, os dizeres “Loureiro e seu Passarinho de Estimação. Um não viveria sem o outro.”



  • Bebijuteria
  • Top Commentators


    • Ariane (13)
    • Mãe (3)
    • Ronaldo (3)
    • Jessy (3)
    • Herick Stifler (2)
    • Rose (2)
    • Nadynne (2)
    • Guaxinim (2)
    • TATIANE (2)
    • Thiago Dantas (2)
  • Add to Technorati Favorites
  • Blog Rank: 648,909
  • Spam Blocked


Site Meter