Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Pegadinhas da mente

July 24, 2008 By: Mytho Category: Cronica 13 Comments →

Ele finalmente conseguira fazer com que ela aceitasse seu convite para sair. Ele estava orgulhoso de si mesmo! Lá estava ele, na sua formatura, acompanhado pela mulher de seus sonhos.

Eles já haviam namorado alguns meses atrás, mas ela era extremamente ciumenta e não suportava que ele olhasse para o lado sequer. A pressão foi demais, e eles terminaram.
Aí a saudade bateu e ele passara as últimas semanas tentando fazer com que ela fosse o par dele na formatura dos dois, que estudavam juntos.

Ele ainda se lembrava bem da última briga. Em uma festa de aniversário da avó dela, um copo caíra no chão e uma prima dela se abaixou para pegar os cacos.
Ele olhou na hora errada, e a namorada estava só esperando aquele movimento sutil de seus olhos na direção da bunda da prima.

Tinha sido um daqueles reflexos naturais, ele tinha olhado completamente distraído, sem nem prestar atenção, mas quem ia conseguir convencê-la disso?

E o pior é que ela nem armou confusão. Limitou-se a ignorá-lo dali para a frente, com um olhar furioso. Até o pai dela se aproximou dele e, com a mão em seu ombro, sentenciou:
“xiii rapaz… é pena, eu até que ia com a sua cara… mas ela quando fica daquele jeito…”

Então ele iniciara uma campanha para reconquistá-la. Num dia, pediu a todos os seus amigos do Orkut que enviassem um e-mail a ela pedindo para que ela reconsiderasse e voltasse para ele. Ela recebeu 230 e-mails naquele dia com o subject “Ele te ama!”

Em outro dia, ela recebeu flores em casa e alguém encheu o seu quarto com bexigas coloridas, com frases românticas escritas. Ela também recebeu chocolates, bilhetes, cartas, vídeos no youtube.

A cartada decisiva tinha sido poucos dias atrás, quando ele foi buscá-la na escola montado em um cavalo branco! Não se falava de outra coisa. Ela finalmente cedera às suas investidas.

Ele estava ali, absorto em seus pensamentos, em transe, de boca aberta, sonhando de olhos abertos e relembrando de tudo o que passara para chegar ali, e feliz por ter valido a pena. Uma mão em seu ombro o despertou repentinamente daquele estado. Focando a visão, ele viu o que não queria ter visto. A prima dela. Na sua frente. Dançando funk. E ele tinha estado ali aquele tempo todo de boca aberta, em transe, olhando para aquela direção.

A mão era do pai dela novamente.

- É meu camarada… agora você vai precisar de um unicórnio…

Ela já não estava ali.

Roadkill

January 06, 2008 By: Mytho Category: Fato Verídico 6 Comments →

Ontem foi dia de ensaio da banda.
Não é aqui onde eu moro, é na pacata e litorânea cidade da Figueira da Foz, assim chamada por ser a foz do rio Mondego. Mas chega de geografia. Queremos fatos.

Fato #1 - Estava chovendo
Fato #2 - Havia neblina
Fato #3 - Eu tava indo devagar, meia hora mais cedo do que o necessário

Local: Rotatória em frente ao castelo de Montemor-o-Velho

Castelo de Montemor-o-Velho
Bonito, não?

Sequência dos eventos:

- Mytho aproxima-se da rotatória, olha para a esquerda para ver se já há algum veículo ingressado na mesma. Veículos nas rotatórias têm prioridade sempre, a menos que indicado o contrário. Não havia indicações contrárias.

- Mytho também olha para a direita, porque em Portugal a maioria dos condutores são… perigosos. Eu disse “A MAIORIA”. Se a carapuça não serviu, não me encha o saco, por gentileza. Obrigado.

- Mytho entra na rotatória. A partir desse momento Mytho tem a preferência.

- Mytho repara pelo canto do olho direito que algo não está como deveria. Há alguma coisa rápido demais vindo em sua direção.

- Após rotacionar a cabeça para o lado direito, o mistério é desvendado. Um veículo branco, derrapando, efetuando um bonito peão, totalmente descontrolado.

- O veículo branco sobe em cima da guia e agora vem na direção de Mytho em duas rodas. Mytho congela maravilhado com a cena.

- A poucos metros de atingir o carro de Mytho, o carro volta a cair nas 4 rodas e faz mais um peão

- A traseira do veículo branco finalmente pára, após colidir com a porta direta do carro de Mytho

Resultados:

O tiozinho do carro não parava de tremer, vai ter que pagar o conserto dos dois carros, eu fiquei com pena dele, porque é claramente desprovido de bens materiais (mas assim é a vida), cheguei atrasado ao ensaio.

E agora, para responder a pergunta que todos estão se fazendo:

- Sim, conseguimos tocar todas as músicas e o meu baixo está inteiro.

Conto de Natal

December 26, 2007 By: Mytho Category: Cronica 2 Comments →

26 de dezembro.
Acordou com a maior ressaca de sua vida. O despertador tocando quase o levava ao limiar da insanidade. Sem abrir os olhos, tentou acertar a mão de uma vez naquele objeto do demônio que não se calava.

Ao bater a mão na mesa, acertou o copo de água que estava em cima da mesinha de cabeceira, que quebrou. Cortou o dedo. A mão ainda acertou o fio do despertador, que estava descascado.

Fio elétrico com água dá sempre o mesmo resultado, e o esticão que ele tomou ali foi quase fatal.
Atordoado, tentou ficar de pé. Seu primeiro passo foi, obviamente, em cima de um dos cacos de vidro.

No melhor estilo Saci-Pererê, chegou ao banheiro. Não achou a pinça pra retirar o caco. Que se dane, iria fazer então ali mesmo o seu número 2, e depois pensaria no pé ensanguentado.

Baixa calças. Baixa cueca. Senta. Bunda molhada. Claro, tava tão bêbado no dia anterior que fez xixi em todos os cantos do banheiro, menos dentro da privada. Xingando, aliviou o peso extra que o estava incomodando.

Cadê o papel? Não tem papel? Como ia secar a bunda? Como ia limpar a bunda?
Água, claro. Se tivesse. Mas não tinha.

Furioso, levantou-se e tentou chegar à cozinha. Calças pelo joelho, saltando em um pé só, bunda cheirando a mendigo.

Na cozinha, procurou papel toalha. Nada.

“Não tem tu, vai tu mesmo”, resmungou ele para o pano de chão.

Depois de se limpar(!?) com o pano de chão e ainda assim cheirando a esgoto, com um pé e um dedo sangrando, achou que seria melhor tirar o pijama ensanguentado, vestir uma roupa limpa e ir à farmácia.

Pegou o celular, viu que tinha 3 chamadas não atendidas. Resolveu ouvir a caixa postal, com medo.

Mensagem 1: Da namorada, desmanchando o namoro devido à vergonha que ele a teria feito passar na noite anterior.
Mensagem 2: Da mãe, chorando, dizendo que o pai fugira de casa com o mecânico. Aparentemente eles tinham um caso desde antes de ele nascer.
Mensagem 3: Do hospital, dizendo que já tinham o resultado dos exames, e pedindo para que ele fosse lá pessoalmente para conversar com o médico e com o psicólogo.

Começou a rir. O riso rapidamente passou a gargalhada e em poucos minutos ele estava no chão, dobrado de tanto rir e sem fôlego, com a mão ensanguentada por cima da barriga, que doía com o ataque de riso.

Sentou no sofá, ligou a televisão. Propaganda de ringtones e wallpapers de mulheres peladas.
Pensou em aquecer comida no microondas, mas teve medo de causar um holocausto nuclear, então comeu a lasanha congelada mesmo. Quebrou dois dentes no processo.

Chega. Aquilo era claramente uma mensagem.

Em um pé só, sangrando, de pijama e fedendo, abriu a janela. Estava no 10º andar.
Sem pensar, mergulhou, sorrindo.

Quando passava pelo 6º andar, foi atropelado pelo trenó do Papai Noel.

Sobreviveu, mas ficou paraplégico. Foi internado num hospício depois de tentar convencer as pessoas de que tinha sido atropelado pelo bom velhinho.
Hoje em dia vive numa cama. Não consegue se mexer, as pessoas têm que fazer tudo por ele. Toma sedativos muito fortes, então está sempre chapado com as drogas.

É feliz. Mas continua não gostando da publicidade dos ringtones.

Diário de Murphy

October 13, 2007 By: Mytho Category: Fato Verídico, Rotina 7 Comments →

Murphy viu. Murphy sabe que eu existo. Murphy é do cacete. Imaginem musica de Independence Day e leiam isto.

14 de março. 2001. São Paulo.
Dia 1

Mytho vai trabalhar.. de ônibus, pois é dia do rodízio de seu carro.
Mytho trabalha o dia todo que nem um animal.
Mytho TEM que ir pra faculdade de qualquer jeito, pois a matéria é embaçada.
Mytho se prepara para ir embora. Já são 17:50
Às 18:00 chefe de Mytho diz que ele tem que ficar até mais tarde. Mytho ri. Mytho argumenta.
Mytho vai embora às 19:00.
Mytho chega na facu para a segunda aula e percebe que na primeira aula teve prova surpresa. Mytho não ri.
Mytho pega carona até o carro, que estava no metrô carrão.
Mytho entra no carro.
Mytho liga o carro.
Mytho engata primeira.
Mytho acelera.
Mytho percebe que o pneu tá furado.
Mytho descobre que o estepe tá pior que o pneu que furou.
Mytho se dá conta que está numa rua cheia de traveco, e todos olham fixamente para ele.
Mytho se tranca no carro assustado e com medo, enquanto liga para casa e pede histericamente socorro pro irmão.
Vinte minutos depois, irmão de Mytho chega. Ele leva o pneu pro borracheiro. Mytho permanece no local. Assustado. Com sono. Com fome. Cheio de traveco perto.
Mais vinte minutos. Chega o pneu. Mytho troca o pneu rapidamente. Mytho estaciona o carro na garagem de sua casa.
Mytho vai dormir.

15 de Março. 2001.
Dia 2

Mytho acorda pra ir trabalhar. Mytho liga o carro.
Mytho sai com o carro do prédio.
Mytho segue pelo Tatuapé.
Mytho pisa na embreagem.
Mytho solta a embreagem.
A embreagem não volta.
Mytho começa iradamente a distribuir bicas agressivas e violentas na embreagem.
A embreagem continua no fundo do carro, impávida.
Mytho aciona o guincho.
Guincho chega.
Mytho&Guincho na oficina mecânica.
Mecânico anuncia a paulada pra manutenção do veiculo. Mytho tem ataque histérico no meio da rua e começa a dançar Rumba desvairadamente.
Carro na oficina.
Mytho no buso. De novo.
Mytho no trabalho. E daqui a pouco no buso. De novo.

MURPHY!!!!!! OBRIGADO!!! GLÓRIAS A TI, MURPHY!!!

Sai zica

September 30, 2007 By: Mytho Category: Rotina, Sukuru 8 Comments →

Sorte

Eu não sou muito de reclamar, mas vistas bem as coisas, convenhamos que há limites para tudo.

Como eu já mencionei antes, eu e minha banda vamos tocar na FNAC aqui de Coimbra, amanhã, às 17h num evento chamado 12 Horas 12 Bandas.
No regulamento está explícito que cada banda tocará 3 músicas.

Ontem foi a festa de inauguração do evento, numa discoteca tradicional de Coimbra.

Aí a gente tava lá (eu ainda baqueado da minha aventura de sexta feira), e chega o organizador do evento pra falar com a gente… o papo foi mais ou menos assim:

- Opa, tá tudo pronto pra segunda feira? Já sabem o que têm que fazer?
- Sim, chegar às 15:30 pra tocar às 17h, é isso?
- Exatamente! Perfeito… já sabem… meia hora pra tocar… vai dar tudo certo…
- Pois é.. mas olha só.. meia hora pra tocar 3 músicas é complexo… cada música tem mais ou menos 3 a 4 minutos…
- …. eu não avisei vocês?
- ….
- Vocês têm meia hora pra tocar. Esqueçam as 3 músicas. Façam o que quiserem na meia hora. A gente vai gravar tudo de qualquer forma e depois a melhor música entra no CD.

Ok. Levando em conta que o nosso baterista mora a 200 Km daqui e que a gente só ensaiou as 3 músicas que supostamente íamos tocar, vamos rever os acontecimentos dos últimos dias:

Sexta Feira: Mytho vai parar na Emergência do hospital com fortes dores toráxicas, onde passa o dia fazendo eletrocardiograma, raio X, exame de sangue e tomando remédio na veia. Até hoje sente dor, mas felizmente vai dar pra tocar (sentado - ainda bem que o evento é acústico).

Sábado: Hugo (vocalista) fala com Mytho ao telefone, porque pegou uma gripe, tá sem voz. Ainda estão na expectativa de como será na segunda feira.

Sábado pra domingo: Organizador do evento avisa aos dois que afinal eles vão ter que tocar mais músicas para além daquelas que foram ensaiadas (coisa que eles não poderão fazer novamente, porque o baterista se esconde a 200 kms de distância e já tem outros compromissos para domingo).

E ainda é domingo de manhã.

Sinceramente, eu vou me dar por satisfeito se a gente sair de lá vivo amanhã.



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