Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Adrenalina no asfalto

July 29, 2008 By: Mytho Category: Fato Verídico, Rotina 16 Comments →

Lá acordei eu, atrasado e ensonado para vir para o trabalho.
Acorda, banheiro, roupas, mochila, boné, chave de casa, chave do carro, beijo na patroa, beijo na gata, rua.
Entra no carro, liga carro, abre vidros, mete CD no máximo, e vamo nessa. Procedimento normal, em um dia normal.

Aproximadamente 3 minutos depois, em uma grande reta, eu vi um carro branco vindo na direção contrária e fazendo uns movimentos “agressivos”, meio em zig-zag. Foi quando eu percebi que na realidade os movimentos eram mais “sem controle” do que “agressivos”, ou seja, eu estava presenciando um carro a alta velocidade, sem controle, vindo na minha direção.

Instintivamente, pé no breque. Mas ABS é coisa de rico, e eu não tenho isso não sinhô. O carro branco (que se revelara uma van familiar velha) muito menos.
Puxo pela cabeça uma solução rápida para parar o carro no menor espaço possível antes de tomar a cacetada de frente.

Lembrei daquelas aulinhas básicas de condução defensiva/ofensiva que tive moooointos anos atrás. Olhei no retrovisor, não vinha ninguém. O trânsito que vinha na minha direção havia parado para não baterem no descontrolado, por isso eu tinha a estrada livre para ocupar as duas pistas. Mão no freio de mão, volante pra esquerda, e seja o que INRI quiser. INRI quis e eu parei o carro, de lado no meio da estrada. Estava me preparando para acelerar pra sair da frente da van, quando o motorista finalmente saiu da estrada e foi de frente com uma árvore. Tirei o carro do meio da estrada, saí correndo na direção da árvore.

Ao me aproximar do carro, vejo que o motorista está tentando abrir a porta e não consegue. Sem pensar duas vezes, enfia um soco no vidro, que quebrou em pedacinhos. O cara me sai de lá de dentro com um bebê no colo.
Dou a volta pro outro lado do carro e ouço o choro histérico de alguém. Uma mulher, que também tenta sair. Consigo abrir a porta pra ela. Pai, mãe e criança chorando, um abraçando o outro. Consegui ver que os adultos estavam bem, mas o bebê com um vermelhão na cabeça.

- Entra todo mundo no meu carro.

Entraram, e dei a volta pra trás, na direção do PS mais próximo. O caminho até lá foi com os três chorando, o cara dizendo pra ela que “eu te avisei pra você não sentar de lado no carro” e ela gritando pra ele “já te falei que ele devia ir sempre na cadeirinha”. Obviamente, com a gritaria dos dois, a criança só podia gritar ainda mais alto (fora o susto e a dor).

Deixei os três no PS e vim para o trabalho. Esperemos que a criança esteja bem, e que tudo não tenha passado de um susto.

Eu não vou sequer fazer considerações e entrar aqui em discussões de quem teve culpa de quê. É claro que ambos tiveram culpa, é claro que ninguém deveria dirigir àquela velocidade, é claro que ninguém se despistou de propósito, e é claro que estas coisas acontecem.

Errado mesmo foi virem gritando na frente do bebê, que já estava assustado o suficiente. Errado mesmo foi terem vindo discutindo, em vez de abraçados pelo outro estar bem. E mais errado ainda foi eu estar talvez tão nervoso quanto eles os dois e não ter mandado eles calarem a boca, pelo bem do menor.

Enfim.

Inclusão Digital

July 23, 2008 By: Mytho Category: Rotina 2 Comments →

Aí o Seu Franciso, lá de Ohio, Maçaxuçetis, resolve vender o carro.
Aí ele anda pra lá e pra cá com um papelzinho com o número do celular dele: “vêndiçe”

Ao não conseguir vender o carro, vai no buteco e pergunta para os camaradas de cana. “comofas\\”

Eles respondem. “Vai na interweb! Minha filha até arranjou namorado na invernet! Com certeza você consegue vender o carro lá também!”

Seu Francisco gostou da idéia. Foi na padaria, único lugar no bairro que tinha um pc com net, levou um disquete de 5 1/4 com a única foto que ele tinha do carro e postou:

Vendedor
Tradução do texto: “1999 ACURA INTEGRA - Muito limpo, capotou apenas uma vez, menos de 60k…etc etc etc”

Seu Francisco é gente que não mente.

Quem morre primeiro?

June 17, 2008 By: Mytho Category: Cronica 15 Comments →

E lá vai bomba:

Eu sou contra carros movidos a água.
É tudo muito bonito, é tudo muito ecológico, é tudo muito perfeito, mas chegando na hora do “vamuvê”, as coisas complicam.

Pensou? Nego fazendo uma viagem pelo sertão, sol de 40ºC, sombra de 45ºC, mulher e filhos no carro.
Aí o filho, olhando para o garrafão de 5 litros de água na sua frente:

- Pai, tô com sede!
- Vai ter que aguentar aí, filhão! Essa água é do carro!

Meus amigos, morrer de sede com 5 litros de água na frente é cruel. Eu tô pra ver chegar o dia em que o Homem vai disputar água com o carro.

E temos outro problema. A água já tá ficando com um precinho todo especial. Imagina quando o planeta utilizar a água como combustível? Já pensou? Enquanto for o petróleo, por mim é naquelas.. o dia que não der mais, pego numa carroça, compro um pangaré e aí é só no chicote. Mas agora quando mexer com a minha água, o bicho pega. E aí, como fica? A gente vai beber petróleo? Só se colocarem gás. E uma rodela de limão.

Meus amigos. Vamos parar com essa palhaçada de querer utilizar carros a água pensando que vai ser o paraíso, porque não vai. Vamos pressionar a comunidade científica para que seja desenvolvido o motor a urina!

Dá uma mijadinha no tanque, já dá pra mais alguns Kms… mas não mexam na minha água!

O Ninja bravão

June 16, 2008 By: Mytho Category: Video 2 Comments →

O cara é ninja, educador e disciplinador.
Tiozinho de branco é Gente Que Faz!

Ou então é simplesmente cagado pra cacete.

Filosofia de Volante

May 05, 2008 By: Mytho Category: Cronica 11 Comments →

Tobogã

Ao regressar de viagem ontem (pelas estradas nacionais sem pedágio, devido ao roubo de mais de 30 euros na ida), reparei que as pessoas podem dirigir em 3 tipos de velocidade diferentes:

- Devagar
- Rápido
- DDPIA&RDPU

Vamos falar sobre estas 3 velocidades.

Devagar

Tendo em conta que as estradas nacionais normalmente só têm 1 faixa pra cada sentido e muito mais curvas que o normal, esta seria a velocidade desejada. Dirigir devagar significa que você é uma pessoa bem resolvida com a vida e que sabe que pode dirigir rápido, mas simplesmente não precisa, afinal de contas viver para ver o sol nascer amanhã é mais importante.
É como treinar artes marciais. Se você perguntar a qualquer grande mestre o motivo deles treinarem tanto, 99% vão responder “eu treino para não precisar lutar”. Mesmo princípio. Dirija devagar. Se tá com pressa, vai nas grandes rodovias com 15 faixas e deixe sua contribuição com os tiozinhos do pedágio.

Rápido

Quem adota este tipo de velocidade normalmente tem um órgão reprodutor de dimensões reduzidas, e precisa de alguma forma de compensação. Assim, para impressionar a garotinha do lado (ou simplesmente para fazê-la esquecer da última broxada), o meninão tucha o pé no acelerador, ajusta os óculos escuros, faz cara de mau e sai passando todo mundo para chegar primeiro que aquele rival imaginário. Estas pessoas também podem ser vistas a grande velocidade dentro de ambulâncias, e infelizmente normalmente não estão sozinhas.

DDPIA&RDPU

Aqui está o problema. Você não quer encontrar um desses na estrada. É o pesadelo de qualquer motorista.
Quem anda Devagar Demais Para Ir Atrás E Rápido Demais Para Ultrapassar deveria ser multado. Normalmente é aquela tiazinha que tá conversando com a pessoa do lado e está constantemente variando a velocidade.
Quando tem trânsito vindo de frente e não dá pra passar, ela resolve tirar o pé do acelerador, enfia os dois no freio e começa a tricotar. Aí vem a linha tracejada, tudo fica desimpedido e você vai ultrapassar. Mas aí ela já enfiou um CD do Black Sabbath e tá tacando fogo no asfalto. Até aparecer o primeiro carro na faixa oposta. E voltamos à estaca zero. 20 Km/h.
A minha solução para estes casos é errada e pode correr muito mal, mas eu ontem não conseguia aguentar mais depois de 4 horas atrás do volante e tive um sequestro de amígdala:

Todas as vezes que ela andava devagar, eu fungava no cangote dela. Praticamente entrava no porta malas dela com meu carro e ficava ali, com cara de “sei de nada”. Ela começou a ficar nervosa, olhando pelo retrovisor a cada 5 segundos e, obviamente, quando a oportunidade surgiu, teve o maior prazer em me deixar passar, não sem antes me dar aquela mirada mortal, como quem diz “Eu teria conseguido, se não tivesse sido esse grupo de crianças e esse cachorro metido - Scoobydoobydooooooo!”

Façam o que eu falo, não façam o que eu faço. Dirijam sempre com prudência e, obviamente, sem álcool no sangue. Quem dirige depois de beber não só tem um bigulinho microscópico como também gosta muito que lhe façam fio terra.



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