Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Nota do Autor

December 08, 2008 By: Mytho Category: Cronica 13 Comments →

Este site não pretende ensinar ninguém. É um site feito somente de opiniões de uma pessoa que, como já a maioria percebeu, tem vários parafusos a menos.
Se aparecer neste site algo com aparências didáticas, é favor desconsiderarem de imediato, pois esse “ensinamento” provavelmente trará danos à sua vida pessoal, profissional, emocional, comportamental, e queijo emental, Wilson Simonal, um balde de cal, bem ou mal, fenomenal.

A totalidade maioria destes posts não possuem qualquer sentido lógico. Só volta aqui quem tem distúrbios psicológicos. Sérios. Graves. Gravíssimos. Fatais, diria eu.

Sempre que qualquer tipo de idéia for publicada neste domínio, você será ridicularizado(a) e alienado da sociedade caso resolva acreditar em uma vírgula sequer da mesma.

Nunca admita que conhece o Você Não Acreditaria. Nunca diga que já ouviu falar de seu autor. Jamais cite textos lidos neste caos literário. Horário. Mário. Que Mário? Dromedário. Abecedário. Prontuário, armário e camarário. Santuário.

E tenho dito. Repito. Apito. Cito e recito. Mytho.

Vidas Estranhas III

May 26, 2008 By: Mytho Category: Cronica 14 Comments →

De repente, apercebeu-se de que estava com fome. O ronco de sua barriga confirmara o que já vinha sentindo há meia hora. Fome. Impulso primitivo que garantia a continuidade do indivíduo. Alimentação. Instinto de sobrevivência já há muito tempo racionalizado e incorporado na sociedade.

Levantou-se preguiçosamente do sofá, cambaleou até a cozinha. Abrindo a geladeira, constatou mais uma realidade: geladeira vazia é desperdício de energia elétrica.
Lá dentro, apenas um pratinho onde outrora estivera um belo pedaço de carne ensanguentada. A recordação trouxe-lhe água à boca.

Carne

Estava decidido. Ia apreciar uma carninha.
Pegou a carteira, chaves do carro, e ganhou a rua.
No carro, começou a olhar em volta, enquanto dirigia para a periferia.
No caminho, uma jovem lia distraidamente um livro. Linda. Perfeita. Foi amor à primeira vista.
Estacionou o carro, aproximou-se dela.

- Boa noite! – disse ele, com um sorriso.
Ela ainda levou dois segundos a perceber que tinham lhe dirigido a palavra.
- Ah, olá! – respondeu, sorrindo.
- Me perdoe a ousadia, mas eu estou procurando algum lugar para comer, e confesso que quando passei por aqui de carro, notei uma linda, linda jovem sentada lendo um livro e tive que vir ver o seu sorriso.
Mostrando ainda mais os dentes, com o ego lá em cima, ela fechou o livro.
- Muito obrigada pelo elogio! Precisa de ajuda para encontrar comida?
- Se puder me aconselhar sobre lugares de qualidade aqui na região, seria realmente uma grande ajuda. Se decidir me acompanhar, o prazer será meu em oferecer-lhe jantar…
- Obrigada, mas eu já jantei e…
Uma faca atravessou rapidamente sua garganta.

Passou um dedo pelo sangue que jorrava e levou-o à boca. Magnífico. Um pouco de pimenta do reino e teria alimento de qualidade para uma semana. Carne macia estava difícil de encontrar naqueles dias.

Até que ponto

May 16, 2008 By: Mytho Category: Cronica 6 Comments →

Tytho e Betão eram dois amigos. Eram, na verdade, o melhor amigo um do outro.
Rápidos no raciocínio, tinham sempre uma resposta na ponta da língua. Estavam sempre sintonizados um com o outro. “Inseparáveis”, diziam os amigos quando se referiam à dupla. Até que um dia, ao conversarem filosoficamente sobre ameixas de madagascar, torneiras pingando e a consistência do pão de forma quando molhado em leite, tomaram uma decisão.

Foram a um cirurgião plástico e, decididos, revelaram:

- Doutor, queremos fazer uma cirurgia de união.
- Desculpe, pode repetir isso?
- União. A gente quer se unir. Sabe os irmãos siameses que nascem com 1 corpo e duas cabeças? A gente quer ser assim. Se a medicina atual consegue separar, também consegue unir.
- Mas… mas… eu creio que isso é anti-ético e…
- Doutor, em um país em que o que interessa é a cobertura mediática, você me vem com esse papinho careta de ética? Você vai ficar famoso!
- Bem, admito que o desafio é aliciante e…
- Tá decidido. O senhor vai juntar a gente em um só corpo, mantendo apenas as cabeças separadas.

A imprensa descobriu. Nos jornais, manchetes maldosas misturavam-se com manchetes de esperança e fraternidade:

“Cirurgia de união – até que ponto alguém pode ser homossexual?”
“Os melhores amigos do mundo decidem prová-lo!”

Na televisão, foram entrevistados por Jô Soares, Ana Maria Braga, Marília Gabriela, e deram uma palhinha no Faustão.

Chegado o dia da cirurgia, eles finalmente encontraram-se sozinhos no quarto.

- Betão, temos que definir algumas regras básicas. Eu sou canhoto, por isso o lado esquerdo do corpo vai ser meu.
- Certo. No banheiro, eu seguro, mas você balança. No máximo 3 vezes. Mais que 3 é masturbação e eu iria me sentir desconfortável.
- Justo.
- Tenho alergia a amendoins, por isso aproveita pra comer agora, que amanhã não dá mais.
- Sem problema… eu tava aqui pensando… como a gente vai fazer na hora de…
- Ah sim, eu também tava pensando nisso… você se refere a contatos íntimos com as mulheres, certo?
- Sim… como faz?
- Cara, quando estivermos com a minha namorada, você tem que prometer não sentir prazer. E eu prometo o mesmo para a sua namorada.
- Gostei.

Cirurgia feita com sucesso. Mídia por toda a parte, fazendo perguntas, mais entrevistas, mais televisão, mais rádio, mais loucura.
E chega um telefonema. Tytho atende o telefone, conversa durante alguns minutos e desliga, abobado:

- Fomos convidados para uma festinha privê na casa da… Mo..Mo…
- Mo Mo Mo quem, rapá?
- Mo Mo Mo nica Bellucci…
- …
- …
- Tá me tirando?
- N-não, cara… cabei de falar com ela.
- Mas ela convidou você ou eu?
- Larga a mão de ser besta, essa piada já perdeu a graça. Ela tá mandando um jatinho particular pra gente ir.

Dentro do avião, a discussão:
- Se ela der mole, eu que vou ter o prazer!
- Você nada! Eu que vou! Um dia você disse que ela é velha!
- E não é?
- Então! Pra mim tá no ponto!

Finalmente decidiram no Papel-Pedra-Tesoura que Tytho ia ser o felizardo da noite.
Jantarzinho romântico a três (ou dois e meio), Betão bebendo vinho e Tytho ficando chapado.
Sorrisos, olhares e sedução até que encontraram-se no quarto da atriz, despidos de pudores e roupas.

- Betão, você tá gemendo!
- Não, cara… tô bocejando… bocejando, é diferente!

E viveram juntos para sempre.

O retorno do guerreiro

May 06, 2008 By: Mytho Category: Cronica 19 Comments →

Então ela olhou para ele e, chorando, devolveu a aliança. Virou as costas e foi embora. Para sempre.
E, uma vez mais, ele encontrava-se solteiro.

O problema era que a cada vez que ele se via solteiro, estava um pouco mais velho, e desta vez não era diferente. Já não podia se considerar um jovem na flor da idade, mesmo não tendo ainda entrado na chamada “terceira idade”. Trinta e alguns. Longe de ser velho, mas também longe de ter aquela energia que um dia tivera.

Se antes ele saía para a balada nesta situação, hoje ele procurava alguém na net. Não se sentia com energia (e muito menos paciência) para sair e enfrentar a noite, o barulho, a muvuca, e, principalmente, a concorrência dos garotões de 20 anos, que dariam prazer 4, 5 vezes seguidas à presa daquela noite.
Não. Ele iria procurar de forma mais inteligente alguém que pudesse suprir suas carências.

E foi entrando nesses sites de encontros amorosos que ele conheceu Deusdelinda. Deusdelinda era uma garota linda, de 20 anos, que tivera o azar de ser registrada no cartório por um funcionário disléxico em um computador com a tecla de espaço quebrada. Linda De Deus acabou por ser Deusdelinda, e ela acabou por se acostumar com o nome, até porque as pessoas preferiam, por algum motivo, chamá-la de Linda.

E realmente, Linda era linda. Simpática, charmosa, e detentora de um corpo extremamente bem delineado. Tudo no lugar, sem qualquer efeito da gravidade aparente. Linda era definitivamente um achado para esse tipo de sites.

Ele podia não ser o cara mais jovem dali, e foi justamente essa a arma dele para chamar a atenção de Linda: a experiência.
Sabia o que elas gostam de ouvir. Sabia como elas querem se sentir, e ele se empenhou com todas as suas forças para fazer com que ela se sentisse única, especial, maravilhosa e amada. E ela se sentiu.

E foi então no MSN que ela tomou a iniciativa:

- Eu quero você.
- Eu também te quero, linda Linda.
- Você não está entendendo. Eu quero você.
- erm… como assim?
- Preciso sentir você dentro de mim.
- Você está se referindo a…
- Sexo. Amor. Selvagem. Gostoso. Tô doida por você.
- Cristo! Eu tô indo já aí! Segura essas intenções que eu não demoro!

Entrou no carro ainda com um tênis na mão, passou numa farmácia, comprou proteção, acelerou, passou 4 sinais vermelhos, e estacionou o carro à porta de casa daquela deusa do amor, sexo e luxúria.

Deu uma ajeitada no cabelo, calçou o tênis que faltava, sorriu para o espelho retrovisor e disse baixinho “é garotão, você ainda tá com tudo… agora você vai se dar bem com a ninfetinha…”

Saiu do carro, bateu na porta da casa dela.
Quando ela abriu, estava deslumbrante. Uma camisolinha meio transparente e mais nada por baixo.

Sorrindo sedutoramente, ela abriu um pouquinho as pernas e disse “entra”.
Quase babando, ele entrou dentro de casa dela e tentou se acalmar.

- Oi Linda… você tá.. maravilhosa… eu..eu…

Foi atacado imediatamente pela boca voraz de Linda, que o beijava como se fosse o último beijo da vida dela.
Linda era macia, cheirosa, quente, e sabia o que fazia. Ele estava no paraíso, sendo guiado pela diabinha mais tentadora que ele já tivera a oportunidade de conhecer.

Depois das preliminares, os dois não aguentaram mais e resolveram que era hora de consumar o desejo que sentiam.
Ela se posicionou em cima de um puff, apoiada nos joelhos e nos braços. Ele, de joelhos atrás, fez o que lhe competia.
Ficaram ali naquele movimento ritmado durante alguns minutos, e então ele começou a sentir o joelho dolorido de tanto raspar naquele chão irregular.
Se sentindo um ator de filmes adultos, resolveu se apoiar nos pés, ficando quase agachado, joelhos abertos um pra cada lado, movimentando-se com energia e vigor.

E então aquela sensação começou a se apoderar dele.

- aaaaaaaaahhhhhhhhhhh

Ele tentava resistir, mas não havia forma de parar.

- aaaAAAAAAAAAAAHHHHHHHH
- Tá chegando lá? Vem pra mim, vem! Você tá chegando lá?
- AAAAAAAAAAAAHHH!!! Não! É cãimbra!

E caiu para o lado, agarrado a uma perna, que, naquela idade, já não estava preparada para aquele tipo de atividade.
Eles ainda saem de vez em quando, mas ela agora chama ele de “tio” e decidiram que não vão mais chegar perto de puffs.

Cabeça a cabeça

April 29, 2008 By: Mytho Category: Cronica 3 Comments →

Então ela olhou para ele, sorriu suavemente, e disse “você não é meu dono”.
Ele ficou ali parado, tentando lidar com a devastadora verdade que aquela frase continha. Ele realmente não era dono dela.

- Mas nós… – tentou ele dizer
- Querido – continuou ela – nós somos um conceito. A sociedade é um conceito. Eu sou livre, eu sou mais eu, e eu não preciso de você, nem de ninguém

“…eu preciso de você” – ele pensou.

- Além do mais, olha para mim. Olha para o meu corpo. Olha para a minha vida, minha energia. Você realmente acha que daria conta?

“eu tentaria com todas as minhas forças” – pensou. Mas disse:

- Não. Eu acho que não.
- Pois é, meu caro! Eu gasto energia, eu preciso de energia para me alimentar. Esse negócio de ficar em casa deitada no sofá no seu colo é pra velho! E esse negócio de cozinhar pra você? Cê tá doido? Eu quero é sair. Eu preciso me divertir. Eu quero mais que você.

“você não é meu dono. Você não é meu dono” – a frase repetindo milhares de vezes em sua cabeça deixava-o louco.

- Não me leve a mal! O tempo que nós passamos foi ma-ra-vi-lho-so! Mas já deu. Já foi. Já era. Já num tô mais aqui, saca? Não consegue acompanhar, a gente não pode ficar ensebando mais ainda.

- Mas eu amo v….
- Nem fala isso, por favor! Não estraga! Estamos falando civilizadamente. Chantagem emocional aqui não.

“você não é meu dono você não é meu dono você não é meu dono”

- Que cara é essa?
- Você tem razão, minha cara. Eu não sou seu dono. Ninguém pertence a ninguém, e nós não seríamos a confirmação da regra, não é mesmo? – ele agora sorria assustadoramente.
- S-sim… mas…
- E o futuro a Deus pertence, é ou não é?
- Claro…
- Permita-me discordar.
- ?
- Permita-me refutar o que acabamos de concluir.
- Como assim?
- Vou citar um livro conhecido, chamado “O Pequeno Príncipe”, ou “O Principezinho”, dependendo do país onde você mora.
- Eu já li, mas o que tem a ver o…
- Lá, algures, há uma frase que fala sobre amizade e responsabilidade. Você se lembra?
- N-não..
- Lá diz que você se torna eternamente responsável por aqueles que você cativar. O conceito de responsabilidade, de certa forma, pressupõe alguma posse. Não em termos de ciumes ou autoridade, mas em termos de… responsabilidade. Respeito. Ajuda. Cumplicidade. Companheirismo. Intimidade.
- Claro.
- Então, seguindo nessa lógica, existe uma posse mútua entre duas pessoas que têm este tipo de elo. Tá acompanhando?
- Tô, mas…
- Então eu estou aqui à sua frente dizendo que você me cativou. Você tentou me cativar. Você conseguiu me cativar, e agora você é responsável por mim. Nós temos o elo. Nós temos o laço, e nós estamos unidos.
- Mas é que
- Eu tô pouco me lixando se você quer energia, se você tem energia a mais, ou se você é livre e vai mudar sua cidadania para os estados unidos! Você pertence a mim e eu pertenço a você. Talvez isso não te agrade, talvez agrade. Não importa.

- Você não está sendo coerente.
- Minha querida, eu vou colocar as coisas de forma simples. Você me tem e eu te tenho. Não sou homem de deixar as minhas coisas escaparem pelos meus dedos. Você não vai sair por essa porta sem antes me dar luta feia de argumentos. Eu tenho o amor do meu lado. Quem você chama pro seu time?

- Chega mais pra lá, quero deitar no seu colo e ver TV. Depois você vem comigo até a cozinha que eu quero te fazer aquela lasanha que você adora.
- E depois eu te levo pra dançar e depois a gente passa a noite brincando no quarto.
- Sou sua amor, você sabe né.
- Claro que sim.



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