Jebedeu era um rapaz calmo, pacato, organizado, vaidoso e paciente. Quase um gay. Jebedeu gostava de xadrez, matemática, boliche, e colecionava selos.
Jebedeu era feliz. Gostava de ajudar a sua avó, costureira, e sua mãe, prostituta, mas muito honrada.
Não me pergunte como é que ele ajudava a mãe. Não sei e não me interessa. Pervertido.
O (provável) pai de Jebedeu encontrava-se neste momento cumprindo 218 anos de pena por assédio sexual a uma orangotango do zoológico da cidade que, segundo ele, “estava me provocando enquanto comia aquela banana”. Não pergunte. Não quero saber.
Jebedeu, surpreendentemente, tinha conseguido se livrar dos “maus efeitos” que este ambiente pudesse lhe causar, e era um dos melhores alunos do seu curso, FaFuPi (Faculdade de Funilaria e Pintura). Com jeito para a arte, Jebedeu era mestre na arte de endireitar uma porta usando apenas uma caneta e um envelope branco.
Sim, você adivinhou o apelido de Jebedeu. “MecGyver” era como seus colegas o chamavam, por ser o MacGyver dos mecânicos. Teve um dia em que Jebedeu endireitou o eixo dianteiro de um furgão utilizando um elástico, um alfinete, quatro ovos e margarina. Não pergunte. Não me interessa.
Era irônico que Jebedeu se locomovesse em uma velha vespa toda amassada. Jebedeu vivia tomando capote e a vespa era praticamente uma bola de metal. Jebedeu dizia “Eu preciso me lembrar de cada tombo que eu levei. Se eu desamassar um milímetro que seja, é parte de meu aprendizado que se vai embora”.
Assim, Jebedeu mostrava que era, além de tudo, honesto.
Um dia, a caminho de casa, Jebedeu teve um acidente em sua vespa. Caiu, ralou a bunda e quebrou uma unha da mão direita. Em seu auxílio veio uma garota. Bonita. Bonita demais para ele, talvez. Tão bonita que até eu, que a acabei de inventar, fiquei com um pouco de inveja. Era linda. Não, não posso dar assim uma garota tão linda a Jebedeu. Era mais ou menos. Ok, melhor assim. Uma garota mais ou menos foi ajudar Jebedeu. O nome dela era Jezebel.
Eu sei que é clichê dizer “foi amor à primeira vista”, mas a realidade é que… foi amor à primeira vista. Para os dois. Não pergunte.
Namoraram durante 3 anos, ficaram noivos. Jebedeu agora tinha uma oficina chamada Jebeleléu, em que ele recuperava veículos que mais ninguém conseguia recuperar. Deu PT? Leva no Jebeleléu, ele deixa novinho.
*leia a próxima frase em voz alta*
Jebedeu e Jezebel resolveram se casar. Jezebel e Jebedeu foram feitos um para o outro. Jebedeu e Jezebel e Jezebel e Jebedeu.
Marcaram igreja, conversaram com o padre. Marcaram restaurante. Jebedeu era rico, mas por algum motivo a lua-de-mel foi marcada na Zona Leste de São Paulo, em Guaianazes. Dizia Jebedeu:
“Gosto de manter os pés no chão”
Não pergunte. É assim mesmo.
Utilizou sua influência com o prefeito da cidade, que era seu cliente assíduo, e conseguiu uma autorização especial para que seu (provável) pai estivesse presente no casamento.
Chegado o dia da cerimônia, Jebedeu não podia estar mais feliz. Tudo estava correndo bem. Perfeito.
Até receber o telefonema.
- Alôôôôôuuuu - cantarolou Jebedeu, muito bambi da vida
- Bom dia, é o Senhor Jebedeu Jeremias Jefferson?
- O próprio!
- Eu tenho más notícias… a viatura policial que estava levando seu pai ao casamento sofreu um acidente e… ele está preso nas ferragens.
O semblante de Jebedeu endureceu. Com os olhos cemicerrados, que Jebedeu tinha visto uma vez Clint Eastwood fazer, perguntou:
- Onde?

- Na marginal, perto do rio. Infelizmente os bombeiros dizem que não conseguem desamassar o carro sem arrancar as duas pernas, os dois braços e o testículo esquerdo de seu pai.
- Estou a caminho.
Montou em sua vespa, passou na oficina, pegou uma única ferramenta que iria precisar, e dirigiu-se ao local do acidente.
Quatro tombos depois, finalmente chegou ao local.
Em doze minutos seu pai estava do lado de fora da viatura. Jebedeu conseguira salvar suas pernas e seus braços, deixando seu pai apenas privado do testículo esquerdo.
Jebedeu e Jezebel se casaram naquela tarde, e partiram contentes numa vespa amassada para algures em Guaianazes.

Não perguntem.