Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Disclaimer

April 11, 2008 By: Mytho Category: Cronica 18 Comments →

Este site não tem assunto central.
Este site pode (ou não) ser chamado de blog. A decisão é sua.
Este site é pessoal, e tudo o que eu faço aqui (não) é de minha inteira responsabilidade. Comprometo-me a utilizar (in)adequadamente os parênteses, que como todos sabem, (não) devem ser considerados.

Este site é sobre música, crônicas, opiniões pessoais, artigos, vídeos, bizarrices e curiosidades.

Dou-me ao direito de contar mentiras aqui, se com isso achar que terei uma maior satisfação pessoal.
Dou-me ao direito de apagar comentários. Eu pago por este espaço e assim como eu decidi fazer dele um espaço público, também decidi instaurar uma democracia ditatorial, onde todos decidem, desde que eu concorde.

Sim, eu olho para o meu umbigo, mas é somente porque ele é lindo e não é daqueles saltados para fora, que eu particularmente desgosto.

Às vezes palavrões serão encontrados aqui, assim como posts sobre assuntos considerados tabu ou nojentos. Eu gosto de falar de cocô.

As pessoas que convivem comigo pessoalmente normalmente sabem que mantenho este site, e portanto se eu falar mal de algum amigo/conhecido por aqui não será de forma alguma um ato de covardia, e sim um anúncio (ao qual ele poderá responder nos comentários, e que eu decidirei se apagarei ou não - vide leis acima).

Apesar disso tudo que foi dito, não sou iludido. Escrevo para os outros, além de para mim. Não vou tentar enganar ninguém dizendo “se este site não tivesse visitas pra mim era igual”. Não seria. Gosto de saber que as pessoas visitam este espaço e, por tabela, gosto das pessoas que entram aqui (se alguém se interessa pelo que eu escrevo é porque algo devemos ter em comum, certo? Certo.)

A estrutura dos textos é decidida por mim. Eu posso iniciar os posts da forma que quiser e acabá-los como bem enten

Sacrifício

April 11, 2008 By: Mytho Category: Cronica No Comments →

- Oi Marcelo!
- Oi Tati!
- Onde você tava? O chefe veio ainda agorinha mesmo te procurar…
- Eu fui ali no bar da empresa… tomar um café, bater um papo…
- Sei, e quem tava lá?
- Ah, tava eu, o pessoal de marketing e a Suzan.
- A Suzan? A estagiária americana? Ah Marcelo, pelo amor de Deus, até você já caiu nessa?
- Hein?
- Será possível! Acredita que eu NUNCA vi essa menina sozinha? Sempre que eu trombo com ela, tem uns 10 tentando comprar 2 segundos de atenção dela! Ainda por cima com aquele inglês fulêro que esse povo tem! “rélou quéti! ráuáriu?” Alguém ensina esses paspalhos que cat em inglês é só um animal doméstico!
- Acho que você tá exagerando.
- Acha, é? Será coincidência que toda vez que ela levanta a bunda da cadeira pra ir no bar, dois terços dos homens da empresa resolvem fazer uma pausa pra café?
- O pessoal apenas é cavalheiro. Querem ser simpáticos com a garota nova…
- Pois eu quando cheguei não passei por nada disso… ninguém tentou me deixar confortável, ninguém me chamou para almoçar, ninguém ia pro bar quando eu ia… terá algo a ver com o fato de ela ser bonitinha gostosinha e eu ser… feia?
- Você não é feia! De onde você tirou essa idéia??
- Você não me acha feia?
- Claro que não! Você é… erm… exótica!
- Jura? Nunca tinha visto a coisa por esse lado…
- É, desencana desse negócio… você encucou com essa mina e isso tá te fazendo mal.
- Pode ser, pode ser… bom, tô cansada… vamo ali comigo tomar um café no bar?
- Xi, num vai dar… cabei de voltar de lá e tô atrasadão aqui nos projetos.
- Tudo bem, a Suzan tá indo lá, ela me faz companhia.
- …as coisas que eu não faço por você… bora lá, vai…

Fetiches

February 02, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Vidas Estranhas No Comments →

Ele tinha um gostinho especial pelas mais maduras. Era algo que o deliciava. Excitava-o.
Aquela manhã ele acordou com um desejo incontrolável de experimentar uma diferente. Não podia ser daquelas baratas. Tinha que ser de luxo. Elite. De preferência de outro país. E madura. Um pouco passada do ponto, não demais, mas ainda assim gostosa.

Sorriu com a idéia.
Vestiu-se apressadamente, entrou no carro e começou a percorrer as ruas, olhando bem para cada esquina, cada beco, em busca do que procurava. Era um predador e quase conseguia sentir o cheiro da presa.

No rádio, uma música muito antiga fazia menção às coroas, e que a panela velha é que faz comida boa. Mais uma vez, sorriu. Perfeito.
Não encontrando o que queria nas ruas - cheias de produtos reles, baratos e demasiado jovens para sequer captar a sua atenção, voltou para casa.

Pegou no jornal, abriu os classificados. Nada. Não havia o que ele queria.
Internet. Abriu o browser, começou a sua busca em motores de pesquisa. Achou um fórum de pessoas com os mesmos gostos - pessoas de bom gosto - e com algumas dicas. Percorrendo os tópicos, achou o que queria. Era africana. Madura. Só de pensar em como seria, seu corpo começou a tremer. Contendo-se de excitação, pegou no telefone e marcou o número.

Atendeu um homem. Voz grossa, não devia ter mais de 35 anos, provavelmente musculoso e pronto para brigar com qualquer um que tentasse lhe roubar as pequenas…
Disse o que queria.
- Então é comigo que você tem que falar. Vamos negociar preços - disse, desconfiado.

A negociação durou vinte minutos.
Disse o homem:

- Não temos carros. Tem que vir buscar. Anota o endereço.

Assim foi. Entrou novamente no carro, dirigiu-se ao endereço combinado, e lá estava ele. Quase dois metros, tatuagens, tríceps do tamanho do pescoço de uma girafa. E segurando-a na mão.
Quando a viu, seu coração falhou uma batida. Nunca antes tinha visto tamanha perfeição. Aproximou-se dela devagar. Estaria ele tendo alucinações ou ela estava realmente sorrindo para ele?
Com a respiração acelerada, pagou ao homem antecipadamente e levou-a para o carro.

Durante o caminho, a timidez impediu que lhe dirigisse a palavra. Apenas olhava para ela pelo canto do olho sempre que podia. Ela lá estava. Em silêncio, linda, e pedindo atenção.

Creepy Smile

“Ah, eu vou te dar toda a atenção que você merece, minha jóia africana!” - pensou.

Chegando a casa, mal podendo conter-se, abraçou-a durante muito tempo. Ela não o impediu e isso fez com que ele ficasse ainda mais excitado.
Lentamente, começou a despí-la.

A parte de cima primeiro, depois em baixo, revelando um corpo maduro delicioso. Não aguentava mais. Tinha que comê-la de qualquer jeito.
Cego de ansiedade, enfiou os dentes nela. Arrancou um pedaço.
Que banana deliciosa.

Coisas inexplicáveis

January 10, 2008 By: Mytho Category: Cronica 14 Comments →

Jebedeu era um rapaz calmo, pacato, organizado, vaidoso e paciente. Quase um gay. Jebedeu gostava de xadrez, matemática, boliche, e colecionava selos.
Jebedeu era feliz. Gostava de ajudar a sua avó, costureira, e sua mãe, prostituta, mas muito honrada.
Não me pergunte como é que ele ajudava a mãe. Não sei e não me interessa. Pervertido.

O (provável) pai de Jebedeu encontrava-se neste momento cumprindo 218 anos de pena por assédio sexual a uma orangotango do zoológico da cidade que, segundo ele, “estava me provocando enquanto comia aquela banana”. Não pergunte. Não quero saber.

Jebedeu, surpreendentemente, tinha conseguido se livrar dos “maus efeitos” que este ambiente pudesse lhe causar, e era um dos melhores alunos do seu curso, FaFuPi (Faculdade de Funilaria e Pintura). Com jeito para a arte, Jebedeu era mestre na arte de endireitar uma porta usando apenas uma caneta e um envelope branco.

Sim, você adivinhou o apelido de Jebedeu. “MecGyver” era como seus colegas o chamavam, por ser o MacGyver dos mecânicos. Teve um dia em que Jebedeu endireitou o eixo dianteiro de um furgão utilizando um elástico, um alfinete, quatro ovos e margarina. Não pergunte. Não me interessa.

Era irônico que Jebedeu se locomovesse em uma velha vespa toda amassada. Jebedeu vivia tomando capote e a vespa era praticamente uma bola de metal. Jebedeu dizia “Eu preciso me lembrar de cada tombo que eu levei. Se eu desamassar um milímetro que seja, é parte de meu aprendizado que se vai embora”.
Assim, Jebedeu mostrava que era, além de tudo, honesto.

Um dia, a caminho de casa, Jebedeu teve um acidente em sua vespa. Caiu, ralou a bunda e quebrou uma unha da mão direita. Em seu auxílio veio uma garota. Bonita. Bonita demais para ele, talvez. Tão bonita que até eu, que a acabei de inventar, fiquei com um pouco de inveja. Era linda. Não, não posso dar assim uma garota tão linda a Jebedeu. Era mais ou menos. Ok, melhor assim. Uma garota mais ou menos foi ajudar Jebedeu. O nome dela era Jezebel.

Eu sei que é clichê dizer “foi amor à primeira vista”, mas a realidade é que… foi amor à primeira vista. Para os dois. Não pergunte.

Namoraram durante 3 anos, ficaram noivos. Jebedeu agora tinha uma oficina chamada Jebeleléu, em que ele recuperava veículos que mais ninguém conseguia recuperar. Deu PT? Leva no Jebeleléu, ele deixa novinho.

*leia a próxima frase em voz alta*

Jebedeu e Jezebel resolveram se casar. Jezebel e Jebedeu foram feitos um para o outro. Jebedeu e Jezebel e Jezebel e Jebedeu.

Marcaram igreja, conversaram com o padre. Marcaram restaurante. Jebedeu era rico, mas por algum motivo a lua-de-mel foi marcada na Zona Leste de São Paulo, em Guaianazes. Dizia Jebedeu:
“Gosto de manter os pés no chão”
Não pergunte. É assim mesmo.

Utilizou sua influência com o prefeito da cidade, que era seu cliente assíduo, e conseguiu uma autorização especial para que seu (provável) pai estivesse presente no casamento.

Chegado o dia da cerimônia, Jebedeu não podia estar mais feliz. Tudo estava correndo bem. Perfeito.
Até receber o telefonema.

- Alôôôôôuuuu - cantarolou Jebedeu, muito bambi da vida
- Bom dia, é o Senhor Jebedeu Jeremias Jefferson?
- O próprio!
- Eu tenho más notícias… a viatura policial que estava levando seu pai ao casamento sofreu um acidente e… ele está preso nas ferragens.

O semblante de Jebedeu endureceu. Com os olhos cemicerrados, que Jebedeu tinha visto uma vez Clint Eastwood fazer, perguntou:
- Onde?

Clint Eastwood

- Na marginal, perto do rio. Infelizmente os bombeiros dizem que não conseguem desamassar o carro sem arrancar as duas pernas, os dois braços e o testículo esquerdo de seu pai.
- Estou a caminho.

Montou em sua vespa, passou na oficina, pegou uma única ferramenta que iria precisar, e dirigiu-se ao local do acidente.
Quatro tombos depois, finalmente chegou ao local.

Em doze minutos seu pai estava do lado de fora da viatura. Jebedeu conseguira salvar suas pernas e seus braços, deixando seu pai apenas privado do testículo esquerdo.

Jebedeu e Jezebel se casaram naquela tarde, e partiram contentes numa vespa amassada para algures em Guaianazes.

inexplicável

Não perguntem.

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November 14, 2007 By: Mytho Category: Cronica 6 Comments →

Teófilo era um viciando em internet e informática.
Passava todo o seu tempo à frente de um computador. Se tivesse internet, melhor. Se não tivesse, gastava o seu tempo vendo e revendo filmes, séries, jogando, ouvindo música, programando, limpando o desktop, e o diabo cibernético a quatro.

Na net normalmente tinha duas contas MSN abertas, uma ICQ, uma yahoo, AIM, GAIM, FAIM, DAIM e LAME e tudo mais que rime com “êime”.
No seu browser, Gmail, Google Reader, Google Calendar, seus 4 blogs, conta no fotolog e flickr abertas.

nerd

Era filho único. Pai trabalhador, entrava à noite no quarto dele, antes de dormir, observava o rapaz sem saber o que pensar, e fechava normalmente a porta resmungando “é bom esse moleque usar essa bosta pra trazer dinheiro pra casa, que um dia eu dou um tiro naquele brinquedo do demo…”

Teófilo dormia. Às vezes. Mas o seu computador nunca. Era eterno e ativo. Um dia Teófilo teve um acidente de carro. Chegou ao hospital, os médicos perguntaram:

“Quer que a gente telefone a alguém?”
“Sim, telefona para a Infortech e manda vir um notebook com wifi. Fala com o Alemão e fala que é da parte do Tê Três Zero. Depois eu acerto com ele.”
“Tê Três Zero?”
“É, pô… é Téo em 133t”
“Cento e trinta e três tê?”
“Telefona que já tá batendo a ressaca!”

Teve outra vez que Téo conheceu uma garota pela internet. Ele gostava de conversar com ela sobre filmes, séries, música. Ela também gostava de falar com ele. O relacionamento começou bem, mas acabou rápido, pois ela queria se encontrar com ele fora de casa.

Téo cresceu praticamente dentro do quarto.
Mantinha seus 3 blogs que lhe davam sustento. Um era sobre séries. Outro era sobre tecnologia. E o outro, obviamente, era de pornografia.

Téo atualizava seus sites num ritual sagrado, diariamente. Já sabia sempre o que ia escrever, como ia escrever, e qual ia ser a conclusão do post.
Escrevia tudo de uma vez, e eram raras as vezes que usava o backspace para apagar alguma frase em detrimento de outra “mais bem pensada”.

Um dia, um dos amigos virtuais de Téo foi visitá-lo a sua casa. Téo descobriu nesse dia que era uma pessoa anti-social. Sentia-se desconfortável com a presença de outra pessoa em sua casa. Téo passou a não ir mais à rua para nada.

Recebia o pagamento por via eletrônica. Comprava tudo o que precisava pela internet, desde comida a produtos de higiene pessoal, pagava contas.

Um dia faltou luz em sua casa durante 48 horas.

Encontraram Téo duas semanas depois, morto, em seu quarto.
No seu colo, um papel que dizia:

“Shutting Down T30… It is now safe to turn off T30″.

Em sua vizinhança pouco se falou no assunto, mas foi na internet que, desesperados, milhares de leitores de seus sites prestaram homenagens virtuais a Tê Três Zero, que tinha nome de Deus escrito em 133t.




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