Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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November 14, 2007 By: Mytho Category: Cronica 6 Comments →

Teófilo era um viciando em internet e informática.
Passava todo o seu tempo à frente de um computador. Se tivesse internet, melhor. Se não tivesse, gastava o seu tempo vendo e revendo filmes, séries, jogando, ouvindo música, programando, limpando o desktop, e o diabo cibernético a quatro.

Na net normalmente tinha duas contas MSN abertas, uma ICQ, uma yahoo, AIM, GAIM, FAIM, DAIM e LAME e tudo mais que rime com “êime”.
No seu browser, Gmail, Google Reader, Google Calendar, seus 4 blogs, conta no fotolog e flickr abertas.

nerd

Era filho único. Pai trabalhador, entrava à noite no quarto dele, antes de dormir, observava o rapaz sem saber o que pensar, e fechava normalmente a porta resmungando “é bom esse moleque usar essa bosta pra trazer dinheiro pra casa, que um dia eu dou um tiro naquele brinquedo do demo…”

Teófilo dormia. Às vezes. Mas o seu computador nunca. Era eterno e ativo. Um dia Teófilo teve um acidente de carro. Chegou ao hospital, os médicos perguntaram:

“Quer que a gente telefone a alguém?”
“Sim, telefona para a Infortech e manda vir um notebook com wifi. Fala com o Alemão e fala que é da parte do Tê Três Zero. Depois eu acerto com ele.”
“Tê Três Zero?”
“É, pô… é Téo em 133t”
“Cento e trinta e três tê?”
“Telefona que já tá batendo a ressaca!”

Teve outra vez que Téo conheceu uma garota pela internet. Ele gostava de conversar com ela sobre filmes, séries, música. Ela também gostava de falar com ele. O relacionamento começou bem, mas acabou rápido, pois ela queria se encontrar com ele fora de casa.

Téo cresceu praticamente dentro do quarto.
Mantinha seus 3 blogs que lhe davam sustento. Um era sobre séries. Outro era sobre tecnologia. E o outro, obviamente, era de pornografia.

Téo atualizava seus sites num ritual sagrado, diariamente. Já sabia sempre o que ia escrever, como ia escrever, e qual ia ser a conclusão do post.
Escrevia tudo de uma vez, e eram raras as vezes que usava o backspace para apagar alguma frase em detrimento de outra “mais bem pensada”.

Um dia, um dos amigos virtuais de Téo foi visitá-lo a sua casa. Téo descobriu nesse dia que era uma pessoa anti-social. Sentia-se desconfortável com a presença de outra pessoa em sua casa. Téo passou a não ir mais à rua para nada.

Recebia o pagamento por via eletrônica. Comprava tudo o que precisava pela internet, desde comida a produtos de higiene pessoal, pagava contas.

Um dia faltou luz em sua casa durante 48 horas.

Encontraram Téo duas semanas depois, morto, em seu quarto.
No seu colo, um papel que dizia:

“Shutting Down T30… It is now safe to turn off T30″.

Em sua vizinhança pouco se falou no assunto, mas foi na internet que, desesperados, milhares de leitores de seus sites prestaram homenagens virtuais a Tê Três Zero, que tinha nome de Deus escrito em 133t.

Aconteceu na Áustria

November 01, 2007 By: Mytho Category: Cronica, Notícias 2 Comments →

Imagine que você tomou umas a mais, tá andando torto, chamando poste de “meu amor”, e, sendo uma pessoa responsável, equilibrada, racional, inteligente e ponderada mamada, resolve dirigir até casa.

Aí lá está você, totalmente trêbado, ao volante de seu possante Fusca 68 azul bebê com portas cinza e uma chave de fendas segurando a janela fechada, quando de repente, fura um pneu.

Tudo sob controle. Você sabe trocar um pneu. Você começa, mas parece que o macaco está vivo, o pneu não pára de se mexer, você não acerta com a chave e além de tudo você já vomitou 14 vezes no porta malas do fusca.
Após grande esforço, você conclui:

Está bêbado.

Finda esta epifania gloriosa, você faz a coisa mais acertada a se fazer:
Mais uma vomitadinha, desta vez no próprio pé, e em seguida, enfiando a mão melecada de macarrão no bolso, pega seu celular, essa ferramenta sempre tão útil, e resolve telefonar para o serviço de emergência.

É claro que você está bêbado demais pra ler as letrinhas que aparecem no visor, mas isso não importa, afinal de contas, o pior que pode acontecer é você marcar o número errado, certo? Certo.

Tá chamando.

- Serviço de Emergência, em que posso ajudar?
- Ooooi amor da minha vida, voxê é um ÂÂÂÂÂnjo! Eu tava aqui trocando o pneu do possante e *burp* essa porra *desculpa* essa merda de pneu tá vivo e eu quero sabê se tem jeito *burp* de ocêis *hic* vim aqui ajudá eu, que eu acho que já fiz um pouquinho de cocô na cueca…
- Qual é o endereço, senhor?
- Puta merda, agora você me lascou, gatinha *burp* peraí, tô vendo ali a praca… É a rua zé da silva.
- Obrigado, aguarde e alguém já aparecerá pra ajudar.
- Brigadão, você é um ÂÂÂÂnjo pra mim messs, eu te amo!! EU TE AMO!!!

5 minutos mais tarde, a polícia aparece.
Aparentemente você em vez de telefonar para o mecânico, você telefonou para a polícia.

A história acima aconteceu na Áustria.
Talvez eu tenha enfeitado um pouquinho.
Mas aconteceu.

Quem me contou foi o titio Reuters.

Vida, música, e outras coisas ridículas - repost

October 21, 2007 By: Mytho Category: Cronica 2 Comments →

Virou as costas a ela e fechou a porta atrás de si. “Lágrimas por ninguém, só porque é triste o fim” - como diriam os Paralamas do Sucesso….
Entrou no elevador, que tocava uma das milhares de versões instrumentais de Garota de Ipanema, e ficou um tempo parado, olhando para o painel, como se não soubesse o que fazer… “Eu vivo sempre no mundo da lua” - essa era daquele grupo infantil.. Trem da Alegria ou Balão Mágico? Já não se recordava. E naquele momento também não importava isso.

Sadness

Apertou o botão do andar térreo, e encostou as costas à parede do elevador oposta à porta, como mandam as regras não escritas do transporte. Cabeça baixa, levantando ocasionalmente ao painel numérico que indicava o andar por onde passava, conforme ia descendo.
Soube que chegara ao andar desejado ao sentir seu peso aumentar com a desaceleração repentina. Saiu do prédio e entrou no carro. Não era um carro de rico, mas ao menos era dele. “Meu calhambeque - bibi - quero buzinar meu calhambeque” na voz do rei.
Dirigiu sem destino durante algum tempo. Passou por ruas desconhecidas, viu pessoas levando as suas vidas, alheias à dele e ele às delas. Quantos não estariam passando pelo mesmo que eles? Provavelmente todos. Provavelmente nenhum. Um ou dois.
Não percebeu bem como, mas achou-se parado à frente da casa de uma ex-namorada. “Paixão antiga sempre mexe com a geeeente” - Horrí­vel, e ele não fazia a mí­nima idéia de quem era.

Quando ia ligar o carro novamente para sair dali, percebeu um par de olhos à janela. Deteve o movimento de colocar a chave na ignição e olhou para aqueles olhos tão conhecidos, como se dali pudesse sair alguma resposta imediata aos seus problemas. “Que a noite traga alí­vio imediato” - Engenheiros.
Não saberia dizer ao certo quanto tempo ficaram se observando sem um movimento sequer. Ele queria entrar por aquela janela. Ele queria voltar ao prédio de onde acabara de ter saí­do. “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante” - RS.
Repentinamente, obedeceu ao impulso de ligar o carro e sair dali, deixando pra trás aqueles olhos que cantavam como sereias para que ele voltasse e seguisse o caminho mais fácil. “Seus olhos e seus olhares, milhares de tentações” - Leoni.

Dirigiu para casa, entrou no banheiro e tentou reconhecer aquele refletido no espelho. “Olhei até ficar cansado de ver os meus olhos no espelho” - Titãs
Já não era ele. Já não era ninguém. Já não era. Quem era? “Tudo à volta é tão feio, só me apetece fugir” - Rui Veloso

Foi para o quarto. Deitou-se, ligou o som e adormeceu. Sonhou com o silêncio.

Elementar, caro Watson

October 12, 2007 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 4 Comments →

Meu amigo, estou indignado! Estou abismado! Estou… estou… estou… eu diria até mesmo aperreado! E outras palavras que terminam com “ado”. Estou essas todas! Menos viado. E aboiolado. E essas que poriam em dúvida a minha extrema masculinidade.

Mas volto à questão.

Imagine você, caro companheiro que trabalha duro no dia-a-dia, que o seu almoço nesta sexta feira foi uma bela feijoada. Ou dois Big Mac’s. Ou até mesmo (e porque não?) buchada de bode.

Aí você volta pra sua mesa, na sua empresa, e é claro que, ao fim de um tempinho, o seu organismo, competente do jeito que é, separe o joio do trigo, e, não gostando minimamente de joio, queira se ver livre do mesmo, acionando para isso mecanismos já pré-existentes através de todo um processo evolutivo que demorou milhões de anos a serem aprimorados, e que sábiamente denominamos “sistema digestivo”.

Resumindo, nego come pra burro e depois tem que dar a bela da cagadinha, que é de lei.

Aí você levanta, e vai lá passar um fax pra Boston, libertar o mandela, escorregar o barro, fazer uma escultura, votar no Barroso, ou qualquer outro nome simpático que você queira dar à bela da cagadinha.

Background: Aqui na empresa temos vários banheiros, mas cada um deles é individual, ou seja, você entrou na portinha, tem uma pia, e atrás de outra portinha tem a privada (ou o troninho, caso você ainda seja de tenra idade). Apenas a segunda porta tem chave para se trancar, pois você pode ter um peão lavando a mão e o outro se aliviando.
Outra particularidade é que o interruptor para as luzes de ambos os “aposentos” é do lado de fora da primeira porta, ou seja, ainda no corredor.

Então, voltando ao nosso cenário da buchada de bode, você acendeu as luzes, entrou na primeira porta, entrou na segunda, trancou, *zip*, sentou, *splosh*.
Aí lá está você, sentadinho, costas da mão no queixo, pensador, quando de repente as luzes se apagam e a porta abre.

“Normal, alguém quis ir ao banheiro, pensou que estava acendendo as luzes, e abriu a porta. Vai ver as luzes apagadas, vai fazer 2+2 e vai deduzir que estou aqui dentro.”

Mas eis que alguém TENTA ABRIR A SUA PORTA (com as luzes ainda apagadas).

“Ou é ladrão ou é um pouquinho lerdo, mas agora vai entender que tem gente aqui dentro”.

Passos. As luzes acendem.

“Finalmente”.

E pronto. Tentam abrir a porta NOVAMENTE, DUAS VEZES!

Vamos analisar de perto a mente do sujeito:

“Putz, quero ir ali, que aquele bobó de camarão tá fazendo efeito. Vou acender as luzes. Agora abro a porta. Hmmm… interessante.. as luzes estão apagadas… devem estar queimadas. Tudo bem, eu aprendi a arte de fazer cocô sem luz com os monges tibetanos ali de Macaé. Hmmm… interessante… a porta está trancada. Talvez se eu tentar acender mais uma vez as luzes já consiga abrir a porta.
Pronto, luzes acesas, mas a porta ainda não dá! Talvez se eu tentar novamente!!!!!”

Povo… já dizia o poeta: “Live and let live”.
E digo eu: “Shit and let shit”

Cagar

É o único momento de paz durante o dia e não precisamos de ter alguém utilizando as luzes como strobo lights e forçando a maçaneta na porta a 10 centímetros do nosso nariz.

Aqui vai uma dica: Luz acesa + porta trancada = vai procurar outro banheiro e me deixa cagar em paz!

Meu cu agradece.

O “não” garantido

October 06, 2007 By: Mytho Category: Cronica 3 Comments →

Ele era um cara tímido com mulheres. Nunca tinha sido muito bom em “chegar chegando”, jogar aquele xaveco manjado, e esperar pelo “sim” ou “não”.
Sempre que alguma garota de programa chamava ele de “gracinha”, corava e nem conseguia olhar para a cara dela.

O problema era a recusa. Ele nunca suportaria a recusa. Assim, se não tentasse, não era recusado. Esperava sempre que elas tomassem a iniciativa.
Este comportamento tinha, obviamente, como resultado, o fato de ele quase nunca ter tido namoradas.

Em compensação, as que tinha tido, foram de no mínimo um ano. Era um cara que depois que conseguia superar o primeiro passo, estava em casa. Era a área dele, o manter relacionamentos. Era gentil, cavalheiro, humilde, compreensivo, bom ouvinte, romântico, ajudava a escolher sapatos e passava o dia vendo vitrine com ela, se fosse necessário.

Não era perfeito, assim como ninguém o é, e portanto as suas relações até aí sempre tinham tido um fim, por este ou aquele motivos. Às vezes culpa delas (que também não eram perfeitas), outras vezes culpa dele, que acabava fazendo asneira ou simplesmente se cansava da companheira.

Acontece, são coisas da vida, não há como evitar.

Um dia foi com seu melhor amigo a um bar e ambos repararam que duas garotas trocavam olhares com eles insistentemente.

Diz o amigo:

- Camarada, tá na hora de perder essa virgindade de xaveco.
- Hein?
- É. Cê vai lá, vai falar qualquer besteira pra elas, porque essas tá na cara que estão no papo.
- Xi, pirou de vez.
- Porra mano, dessa vez vai ter que ir. Olha lá… olha, tô falando! Viu? Elas estão secando a gente aqui… daqui a pouco o povo do bar vai achar que a gente é gay… você já viu o tamanho dos air bags daquela de vermelho?
- Lógico que vi, mas você já sabe como eu sou… eu não consigo chegar lá e…
- Hoje consegue. Você não vai porque tem medo de tomar não, e daquelas duas não tem como tomar não… se elas olharem com um pouco de mais força, a nossa mesa quebra.
- Mas véio, o que que eu falo pra elas?
- Sei lá, cumprimenta, fala seu nome, pergunta o nome delas, oferece uma bebida, chama pra sentar aqui.
- Mano, só no “oi” eu já mijei nas calças… como eu vou fazer esse discurso todo aê no sangue frio?
- Ó, vou te contar o segredo pra você ir tranquilão.
- Sério?
- É, cala a boca. Seguinte… existem duas teorias para incentivar nego assim que nem você meio boiola a chegar na mulherada.
- Ei!
- Pssst! Tô falando, pô. Ouve e aprende. Primeira teoria é a teoria da percentagem. É bem simples de entender. Vamos supor que a cada 10 minas que você xaveca, 3 dão bola procê. Trinta por cento não é muito, né? Então… a teoria diz simplesmente que quanto mais mulher você cair em cima, mais cai na sua rede. É matemática, tá tudo já provado e comprovado.
- E não é que é mesmo? Mesmo assim vou tomar 7 “nãos”, e é isso que eu não suporto.
- Não criemos pânico! É justamente pra isso que serve a segunda teoria.
- Conta logo então, cacete!
- A segunda teoria apenas diz que os 7 “nãos” você já levou! Ou seja, você já tem um “não” de cada mulher neste bar, visto que nenhuma tá abraçada a você. Na pior das hipóteses, você continua com o “não” que já tinha antes. Mas se ela estiver naqueles 30%, o seu “não” passa a “sim”! Entendeu?

Ele já não estava ali. Estava na mesa das duas garotas, que riam gostoso de alguma piada que ele tinha contado.




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