Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Segurança, vôos, e outras coisas incompatíveis

September 03, 2008 By: Mytho Category: Rotina 14 Comments →

Vamos falar um pouco sobre a Iberia, essa gigante espanhola que faz vôos para o Brasil regularmente e que, por motivos econômicos, foi a escolhida para a viagem ao Brasil e volta.

Na ida, sem problemas. Nos avisaram no aeroporto “cada pessoa pode levar 23 Kg”. Maravilha. Fomos com duas malas, ambas meio vazias, para que na volta pudessemos vir com ambas cheias de muamba comprada em terras tupiniquins.

Escala no aeroporto de Madrid, Barajas (2 dias antes do acidente com o vôo da Spanair), e então, finalmente, São Paulo.

Por muito que me custe falar bem de espanhóis, devo dizer que o vôo de ida foi perfeito, tanto em termos de serviço como em termos de cumprimento de horários. Até mesmo os problemas de pressão nos ouvidos que eu costumo ter não estiveram presentes desta vez. O meu muito obrigado ao comandante por pensar nos passageiros e iniciar o processo de descida antecipadamente, fazendo com que este fosse mais lento e, logo, mais tolerável aos ouvidos.

Mas a volta…. ah, a volta…

EMPRESA MALA COBRA PELA MALA

No aeroporto de Bagulhos, em São Paulo, fomos ao check-in (ou como eu gosto de chamar, o chequinho).
Lembram lá no início que eu falei 23 Kgs por pessoa? Então.
Primeira mala na balança: 26 Kgs
Segunda mala na balança: 17 Kgs

Vamos brincar de matemática. Duas pessoas, cada uma com direito a 23 Kgs.

23 + 23 = 46 -> peso que podíamos levar.
26 + 17 = 43 -> peso que queríamos levar.

43 < 46, logo tudo estaria nos conformes.

"Senhor, a mala está com sobrepeso. Será cobrado excesso de bagagem" - disse a checadora do chequinho, me colocando em cheque.
Tentei argumentar com as contas acima, que não a convenceram.

"Senhor, são regras da empresa. Recomendo que tire 3 quilos de uma mala e coloque na outra."

Acontece, minha cara cara-de-batata, que as duas malas foram meticulosamente programadas, projetadas e concebidas para estarem com aquele conteúdo exatamente, para que houvesse proteção aos itens comprados durante as férias. Ou seja, remanejar o conteúdo demoraria tempo que nós não tínhamos.

- Quanto é o excesso de bagagem? - Perguntei, com resolução. Afinal de contas, 3 Kgs a mais não podem ser assim tão caros, não é mesmo?

- Cinquenta EUROS, senhor.

Retirei lentamente a faca de minhas costas, reprimi uma lágrima no canto do olho, suspirei, esbofeteei mentalmente aquela criminosa duzentas vezes, e então ela jogou a bomba derradeira:

- Se o senhor tiver outra mala, pode passar algum conteúdo para lá também.
- Mas não são 23 Kg por pessoa?
- Não, são 23 Kg por mala. Duas malas por pessoa.

Pára. Pára. Pára o universo, que eu tô com cãimbra.

- Então cada pessoa pode levar na realidade 46 Kgs, desde que dividido em duas malas de 23?
- Isso.
- Eu posso levar DUAS malas de VINTE E TRÊS QUILOS, mas não posso levar UMA mala de VINTE E SEIS?
- Exatamente.

Vamos fazer 5 segundos de pausa para refletir sobre isto.

...

...

Fez sentido agora?
Nem pra mim.

Chamada a supervisora da Iberia, o papo foi o mesmo. "Eu só cumpro regras, senhor. Eu sou uma otária, senhor. Eu mereço 500 chibatadas, senhor. bla bla bla bla"
No fim das contas, ela nos deixa com um "pode reclamar no site".

Ah claro. Depois de pagar tudo vou reclamar. Aí vai chegar um e-mail pra tiazinha da faxina na Iberia, que vai olhar, dar risada, fazer forward pra 500 amigos, e sonhar com a loteria. Obrigado, não.

Resolvemos utilizar um saquinho de pano que eu estava utilizando para levar 2 pipas que meu pai havia comprado. Sim, meu pai me deu 2 pipas do batman, dessas que se vendem em semáforo. É apenas para você ter noção da idéia que meu pai faz de mim, agora aos quase 30 anos de idade. Antes pipa que bengala, é o que eu digo.

Abrimos a mala pesada, passamos 4 Kg de roupa para dentro do saco, e levamos ele na mão.
Sim, nós andamos por 3 aeroportos internacionais com um saco de pano transparente cheio de roupa dentro. Não dá pra parecer mais mendigo que isso.

Chegamos a Madrid atrasados, e obviamente perdemos o vôo de conexão para Lisboa. Tudo bem. Fomos ao balcão de atendimento da Iberia e nos deram um novo vôo, para dali a 3 horas e meia. Também nos deram um vale-rango em um restaurante do aeroporto, como forma de compensar.

Fomos ao terminal onde íamos embarcar e tivemos que passar pelo detector de metais. Segurança em primeiro lugar, obviamente.
Passando a mochilinha da loira que estava comigo, eles decidiram abrir a mesma, pois havia algo suspeito lá dentro.

O que seria?
Um gel? Um líquido? Uma pasta de dentes?
Não.

Um canivete de metal. Um c-a-n-i-v-e-t-e. Faca. Instrumento de corte. Arma branca.
Minha digníssima tentava passar pela polícia espanhola com uma arma branca na mochila. :o

Meia volta, sai do terminal, vai no chequinho espanhol, e despacha mochilinha junto com as malas.

Volta pro terminal, passa de novo pelo detector de metais, e finalmente conseguimos chegar ao maldito restaurante "ARS" e almoçar decentemente na faixa.

Na volta para Lisboa, o comandante do MD-88 tava com pressa pra descer. Embicou o bicho pra baixo e dá-lhe chiclete para não explodir os tímpanos com a pressão. Eu devia parecer uma máquina de mascar, ali sentadinho abrindo e fechando a boca e forçando bocejos para manter a dor longe de mim.

Assim, meu caro companheiro, da próxima vez que for viajar, lembre-se de ler BEM as políticas de bagagem e de preferência deixem os canivetes dentro da mala no check-in.

Já eras, férias…

September 02, 2008 By: Mytho Category: Rotina 14 Comments →

Tudo que é bom acaba rápido, e lá se escoaram as minhas férias em terras tupiniquins.
De volta a Portugal, tento organizar e decorar cada momento destas duas semanas que foram, no mínimo, diferentes.

Ainda tenho e-mails para responder, contas para pagar, fotos para baixar pro pc, e muito o que contar por aqui.

Por enquanto limito-me a dizer “voltei”. A todos os macumbeiros que tentaram fazer os aviões em que estive cair, fica aqui o meu “ah, deixa disso, seu bosta!” muito sincero.

Até logo, com muito mais notícias. ;)

Soluções Radicais

August 14, 2008 By: Mytho Category: Rotina 2 Comments →

Hoje, voltando do almoço:

Amigo: Eu queria viver naquelas ilhas cheias de gays, assim a mulherada ia me procurar…
Eu: Os gays também.
Amigo: É, mas aí eu andava sempre virado de costas pra parede.
Eu: Eu mandava cortar minhas pernas.
Amigo: ?
Eu: Assim andava raspando com a bunda no chão…

Eu. Preciso. De. Férias.

Surpresas e viagens

April 15, 2008 By: Mytho Category: Rotina 21 Comments →

No próximo dia 01/Maio será celebrado um ano de roça matrimônio deste que vos escreve.
Decidimos amarrar o bode em um feriado internacional, para que pudéssemos ter sempre um tempinho só nosso para comemorar.

Como neste ano o dia cairá numa quinta feira, já mandei o mais-que-esperado e-mail pro patrão avisando que na sexta feira seguinte utilizarei o sistema “nameview”, a.k.a “nem-me-viu” (esse eu tive que explicar, era puxadinho…).

Era suposto eu fazer uma surpresa à pequenina e levá-la a algum lado no feriado prolongado. Era.
Outro dia ela vira pra mim:

“Mytho, já reservei um lugarzinho pra gente passar o feriado prolongado. Vamos pro Algarve. Tem piscina e praia perto.”

Patroa, aí quebra minhas pernas! Como é suposto um cidadão preparar surpresas para uma “preparadora de surpresas”?

De qualquer forma, este blog entrará em regime minimalista do dia 30/04 até 04/05.

Estarei no Brasil em Agosto. Visto que a primeira semana passarei em SP, aceitam-se sugestões do que fazer por aí na segunda semana. Nordeste? Rio? Sta. Catarina? Amazônia não, que a mulé tem pele fraca pra mosquito.

Peixe faz bem aos intestinos

March 26, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 11 Comments →

Nas minhas épocas de infância/adolescência, durante 3 ou 4 anos seguidos, meu pai costumava mandar eu e meu irmão para um acampamento de férias no interior de SP chamado Paraíso do Sol.

Normalmente ficávamos uma semana, mas chegou a acontecer de ficarmos 2 semanas seguidas. Assim como em todos os acampamentos de férias, a criançada sempre volta com centenas de histórias para contar, e o meu caso não é diferente. Eu poderia escrever páginas e páginas de histórias que me aconteceram por lá, desde entrar no refeitório vestido de mulher um dia antes do jantar à fantasia até tentar convencer os monitores (responsáveis por nós) a comprar um combustível ecologicamente correto chamado Urinolina, feito à base de urina de bode.

Mas a história que quero partilhar aqui hoje é diferente.

Tudo começou num dia em que houve a Trilha.
A Trilha era nada mais nada menos do que uma caminhada pelo meio do mato, pela lama, até o topo de um monte que havia ali. Demorava aproximadamente 3 horas e não podíamos levar água ou comida. Só quem levava cantil eram os monitores, que não cediam uma gota sequer de água durante todo o percurso.

Trilha
Tá com sede? Bebe saliva!

Chegando ao cimo do monte, eles ensinavam técnicas para matar a sede sem ser preciso beber água, e ensinavam também a importância da água para o planeta e para a nossa vida.

Em seguida, com o povo já desesperado de sede, eles davam UM GOLE de água para cada um e, com um sorriso rasgado, jogavam o resto da água dos cantis no chão.

Pois bem, na volta o pessoal tava sempre sujo, com sede, e com fome, e quase na hora de jantar.

Naquele dia a comida era carne louca ou macarrão. Escolhi a primeira, que me parecia especialmente apetitosa naquela tarde. Foi também a escolha da maioria do pessoal que estava ali, visto que macarrão era repeteco do almoço.

Depois do jantar, fogueira, músicas, histórias, brincadeiras, e cama. E foi quando aconteceu.
Por volta das 4 da manhã acordo suando frio, já com a mão na barriga. Uma cólica vinda dos confins do fogo do inferno se apoderava de mim e eu mal respirava com medo que minhas resistências (a.k.a. “pregas”) falhassem e manchassem a minha reputação e o meu colega que dormia na cama de baixo do beliche.

Sem pensar em nada, saltei da cama e corri para o banheiro. Ao tentar abrir a porta, a voz sai lá de dentro:

“Volta pra fila, palhaço! Acabei de entrar!”

E foi então que percebi o ambiente à minha volta. Das beliches do quarto inteiro vinham gemidos e vozes dizendo “aê espertão, nada de furar fila hein….” e “volta pra sua cama que depois sou eu!”.
Eu sei que as pessoas gostam de se sentir parte de um grupo, e se sentem melhor quando compartilham experiências, mas aquilo era um pouco de exagero. Caganeira em grupo é intimidade a mais pra mim.

Quase ajoelhado de dor, voltei pra minha cama e foi com esforço herCUleo que aguentei até a minha vez, quando praticamente deixei um clone meu para a empresa de saneamento público cuidar e criar.

Quando finalmente nos reunimos de manhã com o restante do pessoal dos outros alojamentos, a cena era hilária se eu não estivesse no meio:

Os monitores trocavam segredos entre si, o pessoal só falava de cocô, e as meninas, tentando manter a pose, desconversavam, pálidas e com olheiras, distribuindo sorrisos forçados.

Os monitores, após conferenciar durante algum tempo, chegaram à conclusão que o problema era da sobremesa do jantar do dia anterior, um pudim meio estranho que a maioria do pessoal (inclusive eu) comeu.

Assim sendo, retirou-se a sobremesa do menu e substituiu-se por salada de fruta.

O almoço foi sopa e legumes, para acalmar os intestinos da galera, mas o jantar, depois de um dia (e uma noite) de atividades intensas, tinha que voltar a ter “sustança”.
Como o macarrão tinha acabado, o jantar era carne louca ou peixe.

Quando eu era mais novo, ODIAVA peixe. Lógico que parti pra cima da carne louca e fiz um pratão de pedreiro. E aposto que você já está batendo a mão na testa e murmurando “putz, que otário…” adivinhando o que se seguiu.
Mas é nessas horas que Nossa Senhora Dos Intestinos Soltos intercede por nós. Enquanto eu ia para a minha mesa, um moleque passou por mim e me deu uma trombada com tamanha força que o meu pratão de pedreiro de carne louca voou pelos ares e explodiu no chão.

Praguejando pelo meu “azar”, voltei para a fila pra pegar mais comida. A carne louca tinha acabado.
Xingando até não poder mais, aceitei o peixe que me jogaram na frente e fui resmungando pra mesa comer.

Por volta das 4 da madrugada, acordei com barulhos. As pessoas à minha volta gemiam, se contorciam nas camas e rogavam pragas à carne louca. Do banheiro, um colega nosso gritou a seguinte frase, que jamais esquecerei:

“Cacete! Minha bunda parece um semáforo! Já saiu o verde, o amarelo, e a qualquer momento eu sinto que vai sair vermelho!”

Mas dessa vez eu consegui rir e voltar a adormecer tranquilamente.




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