Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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No meu tempo…

July 08, 2008 By: Mytho Category: Cronica 7 Comments →

É impressionante que sempre que alguém menciona um sistema ou jogo mais antigo, tem sempre um neguinho que inicia uma “sessão nostalgia” falando sobre as coisas mais antigas que conseguem se lembrar.

Hoje durante o almoço a conversa conseguiu evoluir(?) do assunto “pirâmides - seita ou estratégia para fazer dinheiro?” e, de alguma forma, foi parar aos Ataris, PCs com 20 MB de HD, jogo Pong, Invaders, DOS, etc etc etc.

Aí tem sempre alguém que quer contar vantagem e ser O velho e O experiente. Eu gosto também de participar nessas conversas, mas longe de mim querer mostrar que tenho mais ou menos experiência que todo mundo. Aliás, não é segredo pra ninguém que eu estou envelhecendo a contra-gosto. Uma hora dessas decido parar de envelhecer e aí quero só ver. Estou ficando cansado de brincar disso.

Aí quando eles começaram a falar que o primeiro brinquedo foi um Atari (e tinha gente lá que nem sabia o que era o Atari), eu parei de falar, para não acontecer o que normalmente acontece: eu menciono o Odyssey, com o jogo Didi Na Mina Encantada e Senhor das Trevas e fica todo mundo olhando para mim com cara de assustado, como se eu fosse um velho ancião eremita da montanha, que já viveu 15 mil luas e que faz tranças com a barba e passa o dia arrotando ervas e falando com os deuses.

Odyssey

Mas deixa eu falar… Didi Na Mina Encantada eu jogaria até hoje, se tivesse trazido o Odyssey pra Portugal… e sim, ele ainda está no Brasil, na casa de papai, e ainda funciona.

Didi na Mina Encantada

Ai meu nariz - atchim

June 25, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 13 Comments →

Vamos lá definir aqui uma ou outra coisinha.
Espirro contido é broxante. É como estar ali nos relacionamentos íntimos trocando um saudável fluído corporal, e na hora de revirar o olho, simplesmente parar.

Como assim, conter um espirro? Além de dizer a cultura popular que faz mal (durante um espirro, o ar sai da nossa boca a velocidades que atingem os 120 km/h. Imagina a pressão que não faz aí no seu sistema respiratório. Vai arrebentar uma veia aí e depois reclama), é também se auto-negar a um sentimento de prazer e alívio que o espirro nos proporciona.

Espirro

Não tem nada mais gostoso sentir aquela coceirinha no nariz, puxar o ar, fechar o olho (pra não saltar da órbita), e soltar um “ATCHIM” que causaria inveja ao Lobo Mau dos Três Porquinhos.

Claro que há horas em que é discutível se podemos ou não nos dar a este prazer. E a hora do almoço é uma delas, como devem imaginar.

Vamos então à minha mini-aventura de hoje, passada em um shopping aqui na pacata cidade de Coimbra.

Fui almoçar ao chinês. Pedi frango com amêndoas, e o rolinho primavera, como não podia deixar de ser. Arroz xau xau (primo do arroz oi oi… péssima, eu sei, mas nunca perde a energia essa piada) e coca cola.

Pauzinhos para comer o frango, mas aí acabada a iguaria, precisei me voltar para os talheres para degustar o arroz xau xau, que, como todos sabem, é soltinho.

Garfada de arroz, pedacinho de rolinho primavera na boca, e a coceirinha no nariz. Aquela coceirinha que você prevê que vai ser a Mona Lisa dos espirros. Vai ser aquele espirro que vai até te dar uma leve excitação, de tão gostoso. Espirro que dá vontade de gravar em vídeo e ficar dando replay só pra tentar relembrar a sensação.

A cabeça começa a fazer os cálculos à velocidade da luz.
“Se eu prender o nariz, a vontade passa. Será que eu consigo engolir a comida antes de espirrar? Será que eu consigo espirrar de boca fechada? Será que…”

O tempo acabou, a minha boca já tava aberta, inalando o ar que seria utilizado para a formação do espirro. Foi o tempo de colocar a mão na frente da boca.

Estou encontrando arroz na minha roupa até agora. Veio parar até no ombro.

Mas vou te contar… puta espirro gostoso… ;)

Piro Infanto Maníacos

April 28, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 10 Comments →

Essa é das antigas.
Dois irmãos sentados num quarto. Um deles chamado Mytho. Aproximadamente 6 anos de idade e muito tempo ocioso pela frente.

Na época tínhamos dois carrinhos de brinquedo. Um vermelho dos bombeiros e um branco da polícia, cada um com dois buraquinhos na frente, perto do vidro dianteiro. O funcionamento era simples:

- Colocar pilha nos carrinhos
- Ligar o interruptor dos carrinhos
- Pegar um mini galãozinho de borracha que vinha com os carrinhos e encher de água
- Jogar algumas gotinhas no buraquinho que tinha uma setinha de entrada

E pronto. O carrinho começava a andar, alimentado pela água. Para desligar o carrinho era simples:

- Esvaziar o galãozinho de borracha
- Introduzir o mesmo no buraquinho com a setinha de saída
- Apertar o galãozinho e observar ele se enchendo de água, ao esvaziar o interior do carro

E pronto. Sem a água lá dentro, o carrinho parava.

Voltamos então à cena anterior, onde os dois irmãos (um deles eu) estavam sentados em cima da cama, pensando em alguma coisa para fazer.

- Mytho, olha ali aqueles carrinhos! Lembra deles? Faz tempo que a gente não brinca!
- É mesmo! Ó ali a bombinha pra encher!
- Legal! Vou buscar um copo com água!

- Pronto, voltei… Mytho, pega o carro da polícia!
- Tó aqui.
- É pra encher, senhor?
- Sim, por favor!

- Mytho, o carro não tá andando.
- Claro, seu burro. Faltou ligar aqui o botãozinho.

*click*

- Mytho, o carro ainda não tá andando.
- Pega o do bombeiro então.
- Tá, mas o bombeiro sou eu.
- É pra encher?
- É sim! Deixa eu só ligar aqui o botãozinho!

*click*

- Pode encher!

- Mytho, ainda não tá andando.
- Poxa, a gente já ligou o botãozinho, já botou água… já sei! O carro do papai anda a álcool!!
- É mesmo! Vamos tirar a água dos carrinhos e colocar álcool! Aí vai andar!
- Vou buscar o álcool no banheiro! Vai tirando a água dos carrinhos!

- Ok, agora vai! Bom dia, senhor!
- Bom dia! Enche o tanque por favor!
- Claro senhor!

- Mytho…
- Vamos tentar o outro!

- Nada…

** Momento Eureka **

Mytho: Já sei! Vamos tacar fogo nos carrinhos! Aí a gente finge que teve guerra!
Irmão: Vou buscar os fósforos!

Minutos depois, o pai dos garotos, na sala, começa a sentir um cheiro estranho a fumaça.
Já com uma ponta de preocupação, corre na direção do quarto dos pequerruchos.
Ao abrir a porta, a confirmação dos medos.

Cada um sentado numa cama, olhando atentamente (e muito quietinhos) para a fogueira que se erguia no carpete do quarto, consumindo dois objetos disformes, um vermelho e um branco, ao lado de uma garrafa de álcool.

Para que nunca se esquecessem do dia em que quase morreram queimados, aquele carpete queimado ficou ali durante anos, até o dia em que mudaram de casa.

Moral da história: nunca deixem as pilhas dos brinquedos dos seus filhos gastarem (ou tenham filhos mais inteligentes do que eu

Peixe faz bem aos intestinos

March 26, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 8 Comments →

Nas minhas épocas de infância/adolescência, durante 3 ou 4 anos seguidos, meu pai costumava mandar eu e meu irmão para um acampamento de férias no interior de SP chamado Paraíso do Sol.

Normalmente ficávamos uma semana, mas chegou a acontecer de ficarmos 2 semanas seguidas. Assim como em todos os acampamentos de férias, a criançada sempre volta com centenas de histórias para contar, e o meu caso não é diferente. Eu poderia escrever páginas e páginas de histórias que me aconteceram por lá, desde entrar no refeitório vestido de mulher um dia antes do jantar à fantasia até tentar convencer os monitores (responsáveis por nós) a comprar um combustível ecologicamente correto chamado Urinolina, feito à base de urina de bode.

Mas a história que quero partilhar aqui hoje é diferente.

Tudo começou num dia em que houve a Trilha.
A Trilha era nada mais nada menos do que uma caminhada pelo meio do mato, pela lama, até o topo de um monte que havia ali. Demorava aproximadamente 3 horas e não podíamos levar água ou comida. Só quem levava cantil eram os monitores, que não cediam uma gota sequer de água durante todo o percurso.

Trilha
Tá com sede? Bebe saliva!

Chegando ao cimo do monte, eles ensinavam técnicas para matar a sede sem ser preciso beber água, e ensinavam também a importância da água para o planeta e para a nossa vida.

Em seguida, com o povo já desesperado de sede, eles davam UM GOLE de água para cada um e, com um sorriso rasgado, jogavam o resto da água dos cantis no chão.

Pois bem, na volta o pessoal tava sempre sujo, com sede, e com fome, e quase na hora de jantar.

Naquele dia a comida era carne louca ou macarrão. Escolhi a primeira, que me parecia especialmente apetitosa naquela tarde. Foi também a escolha da maioria do pessoal que estava ali, visto que macarrão era repeteco do almoço.

Depois do jantar, fogueira, músicas, histórias, brincadeiras, e cama. E foi quando aconteceu.
Por volta das 4 da manhã acordo suando frio, já com a mão na barriga. Uma cólica vinda dos confins do fogo do inferno se apoderava de mim e eu mal respirava com medo que minhas resistências (a.k.a. “pregas”) falhassem e manchassem a minha reputação e o meu colega que dormia na cama de baixo do beliche.

Sem pensar em nada, saltei da cama e corri para o banheiro. Ao tentar abrir a porta, a voz sai lá de dentro:

“Volta pra fila, palhaço! Acabei de entrar!”

E foi então que percebi o ambiente à minha volta. Das beliches do quarto inteiro vinham gemidos e vozes dizendo “aê espertão, nada de furar fila hein….” e “volta pra sua cama que depois sou eu!”.
Eu sei que as pessoas gostam de se sentir parte de um grupo, e se sentem melhor quando compartilham experiências, mas aquilo era um pouco de exagero. Caganeira em grupo é intimidade a mais pra mim.

Quase ajoelhado de dor, voltei pra minha cama e foi com esforço herCUleo que aguentei até a minha vez, quando praticamente deixei um clone meu para a empresa de saneamento público cuidar e criar.

Quando finalmente nos reunimos de manhã com o restante do pessoal dos outros alojamentos, a cena era hilária se eu não estivesse no meio:

Os monitores trocavam segredos entre si, o pessoal só falava de cocô, e as meninas, tentando manter a pose, desconversavam, pálidas e com olheiras, distribuindo sorrisos forçados.

Os monitores, após conferenciar durante algum tempo, chegaram à conclusão que o problema era da sobremesa do jantar do dia anterior, um pudim meio estranho que a maioria do pessoal (inclusive eu) comeu.

Assim sendo, retirou-se a sobremesa do menu e substituiu-se por salada de fruta.

O almoço foi sopa e legumes, para acalmar os intestinos da galera, mas o jantar, depois de um dia (e uma noite) de atividades intensas, tinha que voltar a ter “sustança”.
Como o macarrão tinha acabado, o jantar era carne louca ou peixe.

Quando eu era mais novo, ODIAVA peixe. Lógico que parti pra cima da carne louca e fiz um pratão de pedreiro. E aposto que você já está batendo a mão na testa e murmurando “putz, que otário…” adivinhando o que se seguiu.
Mas é nessas horas que Nossa Senhora Dos Intestinos Soltos intercede por nós. Enquanto eu ia para a minha mesa, um moleque passou por mim e me deu uma trombada com tamanha força que o meu pratão de pedreiro de carne louca voou pelos ares e explodiu no chão.

Praguejando pelo meu “azar”, voltei para a fila pra pegar mais comida. A carne louca tinha acabado.
Xingando até não poder mais, aceitei o peixe que me jogaram na frente e fui resmungando pra mesa comer.

Por volta das 4 da madrugada, acordei com barulhos. As pessoas à minha volta gemiam, se contorciam nas camas e rogavam pragas à carne louca. Do banheiro, um colega nosso gritou a seguinte frase, que jamais esquecerei:

“Cacete! Minha bunda parece um semáforo! Já saiu o verde, o amarelo, e a qualquer momento eu sinto que vai sair vermelho!”

Mas dessa vez eu consegui rir e voltar a adormecer tranquilamente.

Ser popular

March 22, 2008 By: Mytho Category: Fato Verídico 8 Comments →

Diariamente somos bombardeados por filmes de adolescentes americanos em que tudo se baseia à volta da popularidade. É a menininha que fica amiga das populares só pra ser popular e pisa nos antigos amigos, só pra no final se arrepender, pedir desculpas em público, ganhar os amigos de volta, e ficar ainda mais popular que as outras, é o cara que quer aquela garota popular, e faz de tudo para pensarem que ele é outra pessoa, e no fim das contas, quando consegue finalmente a garota desejada, percebe que gosta mesmo é daquela nerd que o ajudou a ser popular, entre muitas outras histórias.

Popular
Só os populares comem as menininhas bonitinhas

No Brasil o concurso de popularidade começa ainda mais cedo.
Eu sempre fui tímido e, portanto, anti-popularidade. Não só era tímido, como sempre tive trauma de rejeição. Quer combinação mais catastrófica?

Pra você ter uma idéia, eu NUNCA fiz aquela brincadeira “Quem quer brincar de ….. põe o dedo aqui, que já vai fechar!” com medo de que ninguém quisesse brincar do que eu estivesse propondo. Atingiu a gravidade da situação?

Eu era um Mythinho solitário e invisível. Não estou me queixando, muito pelo contrário. Popularidade, ainda por cima quando adquirida desde cedo, pode ser prejudicial. Nego começa a achar que todo mundo baba ovo pra ele, fica insuportável, mimado e normalmente, pisa em quem tenta passar batido sem ser notado.

Graças aos céus e à genética de papai e mamãe, eu era tímido mas tinha cérebro, e nunca tive medo de usá-lo. A minha infância foi passada aqui em Portugal, lendo livros, gibis, jogando xadrez, damas, Trivial Pursuit, entre outros jogos que estimulavam o intelecto.
Calma, eu não sou o Geek Supremo Maximus Nerdicus Porky´s. A minha aula preferida na escola sempre foi Educação Física, e eu sei jogar todo e qualquer esporte minimamente popular que me disseres: futebol, volei, basquete, tênis, ping pong, baseball, futebol americano. Inclusive tive aulas de natação, judô e fiz Kung Fu até me faltar 2 meses para o exame da faixa preta (que não pude fazer, pois vim morar em Portugal :( ). Ou seja, eu sou nerd, mas tô longe de ser o bicho do mato que tem alergia ao ar livre e a esportes.

A minha popularidade sempre se limitou a círculos fechados, onde eu normalmente podia ser eu mesmo sem a parte da timidez. Descobri já bastante tarde que conseguia ser engraçado sem ter que me esforçar e que havia gente que gostava realmente de passar tempo perto de mim.

Eu era daqueles que sentava na primeira fila da sala de aula e, quando os “populares” tentavam tirar barato, a resposta era sempre rápida e humilhante, daquelas que fazia o pessoal gritar “VIXE VIXE ÔRRA ÔRRA EU NUM DEIXAVA! CHAMOU O PAI DE COXINHA, A MÃE DE EMPADINHA E COMEU OS DOIS!” - entre outras frases super bem boladas do pessoal na época.
Ou seja, eu era a pedra no sapato do pessoalzinho descolado. Por um lado, eu era o nerd que só tirava nota boa e que ficava sempre de fora nas festas e baladas. Por outro lado, eu era “terreno perigoso” porque não podiam me agredir fisicamente (eu não era o gordinho nerd típico, e a luta livre sempre foi um must lá em casa entre eu e o meu irmão), e também não podiam tirar barato com a minha cara, correndo o risco de receber uma resposta de volta desconcertante e humilhante.

Como conviver com alguém assim? Não mexendo com ele. Deixa ele quieto. Se eu não mexer com ele, ele também não mexe comigo.
E assim passei pela infância e adolescência. Invisível, porém intacto.

E você, era popular?



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