Live long or die young
Nego tem a mania de dizer “tal pessoa morreu. Era linda e morreu, que pena” ou “era tão nova e morreu!”
Desde quando a morte de alguém é melhor ou pior devido à beleza ou idade?
“Não tinha nem um ano de idade e já morreu” – pois eu tenho muito mais pena daquele senhor de 90 anos, que viveu, aproveitou, teve filhos, netos e bisnetos, e que sabe o que significa felicidade, saudade, família e recordações.
Eu me recuso a aceitar que a cada dia que passa, a minha morte torna-se mais tolerável para os outros.
Quando eu morrer, quero mais é que o povo fique inconformado durante muito tempo. Quero mais é que fiquem indignados ao falarem daquele “senhor que morreu durante o ato sexual com trigêmeas suecas aos 130 anos” (se bem que é mais provável que fiquem indignados com as condições da morte do que com a própria morte)
Enfim. Mas isso sou só eu. Eu tenho mais pena daqueles a quem já me apeguei durante mais tempo. Eu tenho pena da pessoa, e não da idade. Idade é irrelevante.
Aí nego vem me falar essas coisas “ah, fulano tinha só 18 aninhos e morreu…” e reclama quando eu enfio o coice “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” ou “Deus ajuda a quem cedo madruga”.
Eu nado contra a corrente, mas isso não significa que eu me afogue.




