Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Beto Carrero morreu

February 01, 2008 By: Mytho Category: Notícias 3 Comments →

Beto Carrero

É daquelas notícias que te deixam meio assim assim.

Beto Carrero é o típico cara de que você nunca se lembra, mas quando morre você pensa “cacete, vou sentir falta do desgraçado”.

Beto Carrero, dono do Beto Carrero World, tinha 70 anos e morreu durante uma cirurgia, no Sírio-Libanês. Morreu de endocardite infecciosa e choque cardiogênico, seja lá isso o que for.

Beto Carrero World

Eu sempre pensei que ele ia morrer triturado por um tigre ou pisado por um mamute, mas foi o coração que o matou. Triste.

Beto Carrero

Fonte: Globo

Um aqui e outro ali

December 12, 2007 By: Mytho Category: Rotina 14 Comments →

Ontem tava voltando na principal rodovia de Portugal do Porto até Coimbra, quando vi um sinal luminoso na beira da estrada que dizia:

“Dezembro 2006 – 87 mortes! Dirija com cuidado”

E pensei…

87 mortes nas estradas em um mês? Isso é a média diária só do bairro onde eu morava em SP… ainda por cima em dezembro, que o pessoal andava chapado e eu encontrava um amigo em cada esquina chorando e dizendo “porra cara… eu te amo bagarai, mano… cê sabe que cê é um amigãozão firmeza mesmo, tá ligado…” mamado de cachaça.

É claro que Portugal é um país muito menor, e não tem tanta população, e etc. e tal, mas… 87 mortes? É suposto impressionar?
Coloca fotos de vítimas de acidentes, que aí sim a galera pensa duas vezes.

Eu tava vindo a 130-140 e tinha carro me passando como se eu tivesse parado. Não acho que a mensagem tenha afetado alguém…

Enfim. Espero que neste ano não haja record

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November 14, 2007 By: Mytho Category: Cronica 7 Comments →

Teófilo era um viciando em internet e informática.
Passava todo o seu tempo à frente de um computador. Se tivesse internet, melhor. Se não tivesse, gastava o seu tempo vendo e revendo filmes, séries, jogando, ouvindo música, programando, limpando o desktop, e o diabo cibernético a quatro.

Na net normalmente tinha duas contas MSN abertas, uma ICQ, uma yahoo, AIM, GAIM, FAIM, DAIM e LAME e tudo mais que rime com “êime”.
No seu browser, Gmail, Google Reader, Google Calendar, seus 4 blogs, conta no fotolog e flickr abertas.

nerd

Era filho único. Pai trabalhador, entrava à noite no quarto dele, antes de dormir, observava o rapaz sem saber o que pensar, e fechava normalmente a porta resmungando “é bom esse moleque usar essa bosta pra trazer dinheiro pra casa, que um dia eu dou um tiro naquele brinquedo do demo…”

Teófilo dormia. Às vezes. Mas o seu computador nunca. Era eterno e ativo. Um dia Teófilo teve um acidente de carro. Chegou ao hospital, os médicos perguntaram:

“Quer que a gente telefone a alguém?”
“Sim, telefona para a Infortech e manda vir um notebook com wifi. Fala com o Alemão e fala que é da parte do Tê Três Zero. Depois eu acerto com ele.”
“Tê Três Zero?”
“É, pô… é Téo em 133t”
“Cento e trinta e três tê?”
“Telefona que já tá batendo a ressaca!”

Teve outra vez que Téo conheceu uma garota pela internet. Ele gostava de conversar com ela sobre filmes, séries, música. Ela também gostava de falar com ele. O relacionamento começou bem, mas acabou rápido, pois ela queria se encontrar com ele fora de casa.

Téo cresceu praticamente dentro do quarto.
Mantinha seus 3 blogs que lhe davam sustento. Um era sobre séries. Outro era sobre tecnologia. E o outro, obviamente, era de pornografia.

Téo atualizava seus sites num ritual sagrado, diariamente. Já sabia sempre o que ia escrever, como ia escrever, e qual ia ser a conclusão do post.
Escrevia tudo de uma vez, e eram raras as vezes que usava o backspace para apagar alguma frase em detrimento de outra “mais bem pensada”.

Um dia, um dos amigos virtuais de Téo foi visitá-lo a sua casa. Téo descobriu nesse dia que era uma pessoa anti-social. Sentia-se desconfortável com a presença de outra pessoa em sua casa. Téo passou a não ir mais à rua para nada.

Recebia o pagamento por via eletrônica. Comprava tudo o que precisava pela internet, desde comida a produtos de higiene pessoal, pagava contas.

Um dia faltou luz em sua casa durante 48 horas.

Encontraram Téo duas semanas depois, morto, em seu quarto.
No seu colo, um papel que dizia:

“Shutting Down T30… It is now safe to turn off T30″.

Em sua vizinhança pouco se falou no assunto, mas foi na internet que, desesperados, milhares de leitores de seus sites prestaram homenagens virtuais a Tê Três Zero, que tinha nome de Deus escrito em 133t.

In Memoriam

May 24, 2006 By: Mytho Category: Rotina 1 Comment →

Dos poucos amigos que tenho (que posso realmente considerar AMIGOS), há aquele que deu um passo além. Nos conhecemos em um dos melhores verões de toda a minha existência. Fuseta, Portugal. Praia, música, diversão, e amizades que perduram até hoje.
Essa, porém, especial. Especial a ponto de ele ter dado o meu nome ao filho dele. Gostávamos de falar sobre tudo, e principalmente sobre os nossos sonhos.
Ele queria duas coisas: ter uma Harley Davidson e trabalhar com publicidade. Pensava em fazer (por exemplo) um comercial para a Levi’s Jeans. Um congestionamento no trânsito, um Porsche com um cara e uma mina gostosíssima lá dentro. Os dois suando com o calor infernal dentro do carro. De repente, pára ao lado do carro uma Harley (tinha que ser) e um cara usando a famosa Levi’s. A mina sai do carro, sobe na moto e eles vão embora, deixando o cara no Porsche com cara de besta.
Claro que Porsches têm ar-condicionado. Mas o que vale é o sonho. É partilhar o sonho. E nós não nos cansávamos.
Lembro daquela vez que fomos dormir na ilha. É uma ilha em que não se pode passar a noite, e nós fomos. Se bem me lembro, éramos 4 carinhas e umas 7 meninas. Quer melhor que isso? Pois vai ter. A determinado momento, nós (homens) estávamos jogando frisbee (freesbee?) e ficamos cansados. Já estava anoitecendo. Mesmo assim, resolvemos entrar no mar pra dar aquela refrescada. As meninas estavam na praia, arrumando os colchonetes e cobertores, e tirando um barato da gente jogando. No mar, ele dá um sorriso e fala “tive uma idéia”. Sem pensar duas vezes, mergulha e quando sua cabeça aparece novamente, tem um sorriso safado. Começa a girar o calção por cima da cabeça e a cantar “tô nu, tô nuzinho”. Claro que nós três imediatamente seguimos o exemplo e em poucos segundos podiam se observar 4 marmanjos rodando as indumentárias por cima da cabeça cantando “tô nu, tô nuzinho” para 7 meninas. O que nós não esperávamos é que elas de repente se levantassem e começassem a correr na nossa direção. Como estávamos sem pé, não conseguíamos correr, por isso cada um nadou pra um canto diferente, até que conseguíssemos recolocar nossas roupas (sim, a intenção delas não era erótica, e sim de roubar nossas roupas – éramos novinhos).
Confesso que depois disso não falamos muito mais. Mas não era preciso. Eu morava no Brasil, ele em Portugal. Passamos muitos anos sem conversar (uns 7). Quando vim morar em Portugal, telefonei e foi como se nunca tivéssemos parado de conversar. Soube também que ele tinha se casado e que tinha um filho. Com o meu nome. Por minha causa.
A menos que já tenham passado por isso, não imaginam como isso mexe com uma pessoa.
Finalmente, 2 anos atrás, voltamos à Fuseta. Sem as brincadeiras habituais, claro, pois agora ele tem 1 filho (do qual eu me considero um padrinho) e uma filha, além da esposa.
O sonho de ter Harley não vingou. Em seu lugar, uma Virago. Moto estradeira também, estilosa. Não é publicitário, mas tem uma loja de tatuagens.
Finalmente conheci o filhote dele e inclusive fomos passear num Parque Aquático no sul de Portugal. Rimos, relembramos, e mais uma vez, fomos moleques partilhando sonhos.
Ficamos de nos telefonar qualquer dia desses e de marcar alguma coisa. Mas sabíamos que o telefonema não seria tão cedo, pois o trabalho dele ocupa o tempo todo, e a distância também não ajuda muito. Mas de qualquer forma, estávamos ali. Disponíveis para qualquer momento.

Domingo recebi o telefonema. Um acidente de moto. Morte. Morte? Não pode ser, eu ia ligar pra ele qualquer hora dessas. Ele ainda não tem a Harley. Tem a minha idade. Morto não.

A 20 de Maio de 2006, meu amigo Bruno deixou a esposa e os filhos, em um acidente besta. Ele nunca gostou de velocidade. Foi lento, por causa de areia no chão e um Scania em hora e lugar errados.
Eu sempre temi que ele nunca soubesse o quanto a nossa amizade significa pra mim, mas agora ele deve saber. Ele deve poder entrar na minha cabeça, no meu coração e finalmente perceber que fomos irmãos e que isso irá sempre prevalecer acima de tudo.

Vou manter a nossa foto daquele verão no meu quarto e um dia espero que a gente se encontre para conversar e beber mais umas cocas. Quem sabe tocar a nossa velha versão de Knocking On Heaven’s Door (irônico, né?).

Boa viagem meu camarada. A gente se vê.




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