Bateria é aquela coisa: ou você toca muito bem e todos amam te ouvir tocar ou você é qualquer coisa abaixo de ótimo e ninguém aguenta você por perto durante suas jam sessions.
Por ser um instrumento extremamente barulhento, é impossível ignorar uma bateria. Ou seja, você está ativamente ouvindo uma bateria sempre que há alguma por perto em atividade. Por isso é que as pessoas toleram guitarristas, baixistas, vocalistas medianos e ninguém aguenta um baterista mediano. Tem que ser ótimo, senão tudo o que queremos é sair de perto o mais rapidamente possível.
É claro que quando o cara é bom, tem audiência, e o povo quer é mais. Bateria é sempre 8 ou 80. Ou você é bom ou não é. Quando inserido numa banda, ou você é notado ou não.
Você consegue dividir atenções entre guitarristas, vocalistas e baixistas, mas se o baterista dá espetáculo, vai ser difícil você olhar para outro lugar durante o show.
E por isso vou dedicar este post inteiro ao baterista Andrea Vadrucci, que com um par de baquetas, quase consegue tirar a harmonia das músicas e passá-las para a bateria.
Exemplos abaixo:
Simpsons
MacGyver
Mario Bros
Acredite ou não, até o nosso amigo aí de cima (vadrum) um dia começou com a técnica “chá com pão”. Quanto tempo até chegar a esse nível? Só depende da sua força de vontade, persistência, habilidade e vizinhança.
Até lá, vejam os vídeos dele no yuyuyuyutubiu e paguem uma madeira forte.
Junte-se ao clube. Guitarra/violão é provavelmente o instrumento que atrai mais a atenção de pessoas por todo o mundo.
Explica-se:
Violão você pode levar pra qualquer lugar, cai bem à volta de uma fogueira, e está comprovado que atrai seres do sexo oposto como o mel atrai formigas. Além do mais, você pensa, “se tanta gente consegue aprender, então eu também consigo”. Mas será tão fácil assim?
A resposta é “sim”. Repare, eu não estou dizendo que em uma semana você vai sair tocando MPB como se não houvesse amanhã. Estou dizendo que em muito pouco tempo você pode aprender uma música. E tocar bastante aquela música. Aí na semana seguinte você aprende outra, com as mesmas notas, mas tempos diferentes e talvez uma ou outra nota a mais. Quando você menos espera, já consegue dominar as principais notas, e já toca um leque considerável de músicas.
Foi assim comigo. Sem professor, sem aulas, apenas com aquelas revistinhas de tablaturas que havia às toneladas antigamente, eu ia para casa todos os dias e tocava aquela música que eu gostava tanto. Hoje em dia não posso dizer que sou profissional, mas também não passo vergonha e nem tenho medo de tocar determinadas músicas (desde que alguém cante por mim, como já foi constatado).
Comece e não desista. Aí um dia, quem sabe, você poderá fazer algo deste tipo:
Tudo bem que esse tiozinho é ninja e [MODO NERD ON]solta magia com apelação, tirando todo o seu sanguinho[MODO NERD OFF] sabe o que faz, mas houve um dia em que ele teve que aprender a partir do básico, e teve que suar a camisa pra chegar nesse ponto.
Mas para quem não está à procura de tanta técnica, tudo bem. Eu entendo. Ainda assim posso mostrar aqui um conterrâneo desfazendo um violão. Você já deve ter ouvido falar de Yamandú Costa.
Se não ouviu, ouça agora.
E já que falamos em brasileiros com uma guitarra na mão, que tal fechar o post com chave de ouro?
Pegamos em um tiozinho Joselito alemão sueco com bigodinho de cafa, juntamos um techno anos 80 e uma letra de funk carioca.
Receita para o sucesso.
Você toca no meu tralalá! Hmmmm meu ding ding dong!
Altas horas da noite, eu procuro por diversão.
Altas horas da noite, eu procuro por amor.
Altas horas da noite, eu procuro por BEEEEEEEEP!
Eu li este post da Cláudia em que ela diz que sair com homem que frequenta show gospel não dá tesão.
Creio que este é um momento tão péssimo como qualquer outro para uma confissão bombástica:
Eu frequentei a Renascer em Cristo durante algum tempo. Eu vou esperar 12 minutos até que você pare de rir descontrolada e freneticamente.
(…)
Durante o seu ataque de riso, a pergunta “como?” deve ter passado pela sua cabeça. Ou ainda “por quê?”
É natural. Justo eu, um cara que faço posts misturando religião, palavrões, e alfinetadas a práticas pré-estabelecidas e integradas profundamente na sociedade, praticamente um pregador de filosofias anti-formigatizantes.
Você pode vir a se perguntar “como é possível você ter sido atraído a uma Renascer?”. A resposta é simples. Shows Gospel.
Mais 15 minutos para a gargalhada histérica.
Agora que já perdi todas as chances de um dia vir a conhecer intimamente a Cláudia devido a estar falando bem de shows gospel (e por ser casado também, já que falamos no assunto), eu passo a explicar e tentar desfazer um mito sobre a música gospel.
Uma coisa é Padre Marcelo Rossi, com o “erguei suas mãos e dai glória a Deus”. Outra coisa completamente diferente é Bride gritando “Espantalho! Traga suas crianças pra casa!”, referindo-se a Jesus, em sua típica posição de espantalho, na cruz. Não entendeu? Dá uma olhada neste show na Renascer:
Se não tivesse legendas e você tirasse o som, você diria que é um show gospel? Já começa a fazer algum sentido eu, um (na época) guitarrista, ter entrado na igreja ao ouvir este tipo de sons saindo lá de dentro? Acho que sim. Porque entre ouvir uma porrada de guitarras detonando com um vocalista falando de massacres, desgraça e matança e ouvir uma porrada de guitarras detonando com um vocalista tentando te botar pra cima, falando em amizade, esperança e felicidade, eu prefiro a segunda.
Antes de mais, é preciso separar o joio do trigo. Assim como existem professores legais e professores chatos, existem músicos legais e chatos, também existem crentes legais e chatos. A proporção aqui não importa. Existem e é preciso conhecer antes de tacar a pedra.
E quer saber o que é legal desses shows? Não tem as rodinhas metaleiras-punk em que o povo sai dando bica pra tudo quanto é lado, socando e derrubando quem estiver na frente. Ali o povo pula junto, sorri pra você, e se você tropeçar e cair, ao invés de ser pisoteado e se transformar em estampa no chão, o pessoal à sua volta te ajuda a levantar.
A idéia de que rock pesado está associado à violência perde toda a validade nesses lugares. Foi por isso que eu entrei um dia na igreja e passei a frequentar o espaço durante mais ou menos 1 ano. Toda sexta feira tinha show, e eu batia cartão lá toda sexta feira (embora não fosse aos cultos de domingo – não tinha música ).
Mas continuando. Ao ver o vídeo acima você pode dizer: “ah Mytho, mas eles são americanos! Estão sempre um passo à frente!”
Minha resposta. Você já deve ter ouvido a música Glória Glória Aleluia em algum momento de sua vida.
A música nem é assim tão feia, a melodia tem aquela fórmulazinha mágica que faz com que a letra fique na cabeça durante algumas horas. Eu sei, tá faltando guitarra, tá faltando bateria, e tá faltando peso. Ou não?
Agora me diga: qual é o problema em sair com alguém que frequente show gospel? Você não iria ver o show acima? Se a resposta é “não”, tente se perguntar o por quê. Se a resposta for “porque eles falam em Jesus e em aleluia e em salvação”, talvez seja hora de você rever seus pré-conceitos, pois provavelmente as músicas que você ouve não terão algo melhor a dizer.
Meu propósito não é evangelizar ninguém aqui, é simplesmente dizer que música boa é música boa, independente de todo o resto. Não se prenda à idéia besta de “se fala de Jesus, é chato e eu vou ter sono”. Eu fiz muito headbang ao som destas músicas, e se ainda tivesse o cabelo pela cintura, estaria fazendo até hoje.
Para conhecer melhor estas músicas, eu aconselho a que procurem no youtube mais sons de Bride, Oficina G3, Resgate, White Cross e, se você aguentar a porrada na orelha, Mortification.