Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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É preciso ter respeito (II)

May 30, 2009 By: Mytho Category: Cronica 15 Comments →

Agora que estabelecemos a afinidade entre os homens e os seios femininos, podemos prosseguir.

Dizem que esta atração deve-se ao Complexo de Édipo, e bla bla bla bla bla Freud explica. Não interessa de onde vem, o que interessa é que vem e fica. Pra sempre.

Pode colocar um decote na frente de uma criança, de um adolescente, de um adulto ou de um idoso. O resultado é sempre o mesmo.


NEGO VAI OLHAR!

E é aí que começa a confusão. Nego olha, e a garota observada se sente um objeto, fica ofendida, xinga, grita “que foi, nunca viu?”, etc e tal.

Minha amiga, deixa ver se eu entendo direito:
Você coloca um vestido com decote até à bexiga, sai na rua, passa em frente de 20 obras, vai ao estádio ver um jogo de futebol, pára pra tomar uma água no boteco da sinuca do bairro, e reclama porque o povo fica olhando? É isso mesmo?

Pirraça. Frescura. Imbecilidade. Rei na barriga. Egocentrismo.
Vou te contar um segredo: os homens olham para os seus peitos, e não para você. Eles não dão a mínima para você. Podia ser um tronco de árvore no seu lugar. Desde que tivesse seios e um belo decote, eles iam olhar do mesmo jeito, com a mesma intensidade.

Quer a prova? Quando estiver passeando no shopping com o namorado, pare propositalmente na frente de uma vitrine que tenha uma manequim pelada. Esteja atenta à reação do namorado. Peitinhos.

Pamela
Oi, eu sou uma boneca inflável!

E vou além. Eu sei que este argumento já é batido e considerado machista, mas venhamos e convenhamos, companheira:

Se você se desse a esse trabalho de produção todo, vestisse esse decote aí, saísse na rua e ninguém olhasse, você ia se sentir bem? DU-VI-DO FORTEMENTE. Capaz até de você puxar um pra fora e lamber, só para obter a atenção do povo. Eu sei porque fazem isso comigo a toda hora. Mulheres passam por mim na rua, lambem um seio e continuam andando. Tudo muito rápido, muito discreto.

Mas divago.

A verdade é que mulher se veste pensando nos outros. Mulher já se veste pensando em ser observada, e isso é fato. Qual o motivo de usar um decote? É o calor? Nããããão! É bonito. Mas bonito pra quem? Pra quem vestiu? Nããããããão! Pra quem tá vendo, claro. Aí nego vê, acha bonito, e o que acontece? Ela reclama, xinga.

caroline-miranda-decote
Tá olhando o quê? Nunca viu?

Pro inferno, minha querida. Vá para o inferno, sim?

Decote é para ser olhado. A minha digníssima patroa usa decotes às vezes, e até mesmo para trabalhar. Ela possui um bonito par de amiguinhas logo abaixo do pescoço, e se sente bem com um colar um pouco mais largo. Obviamente ela sabe que o povo vai olhar. Eu sei que o povo vai olhar. Todo mundo olha para um decote, não tem conversa. Mas de olhar até tocar vai um grande caminho.

Neste caso, a frase “olhar não arranca pedaço” não poderia esta mais certa. Fulana vem com papinho de “eu me sinto violada, eu sinto que ele me olhou sem respeito”.

Colóquio flácido para acalentação de bovinos, minha cara! Puro papo mole para boi dormir… isso é frase que você vê no cinema e fica doida para dizer igual. Desde quando você se interessa pelo respeito daquele cara que tá te olhando da esquina? Ele não fez nada. Ele está ali parado, viu que se aproximava um par de seios bem descobertos, e como o instinto manda, olhou. Perdeu, filhota. Não quer que olhem? Cubra-os. Não tem essa de ser papo machista, é a pura realidade.

Se eu sair na rua pelado, não posso sair reclamando de todos que olharem. “Ah, ela olhou para o meu John Cebola! Estou me sentindo um objeto!” Não quer brincar, não desce pro playground.

Desde que a interação se limite ao olhar, não existe queixa. Aliás, não existe nem lei contra isso. Se você chamar um policial para te ajudar, pode ter certeza que não vai dar em nada e quando você virar as costas e sair, os dois ainda vão comentar o seu decote…

- Peitão hein…
- Ôpa!
- Do jeito que eu gosto, um do lado do outro…

Decote é como uma alface no dente: não tem como não reparar.
Não quer que olhe, não usa. É a regra.

Agora, se você não se importa que as pessoas olhem, tem mais é que usar e me mandar foto e aproveitar.

Live long or die young

May 22, 2009 By: Mytho Category: Rotina 1 Comment →

Nego tem a mania de dizer “tal pessoa morreu. Era linda e morreu, que pena” ou “era tão nova e morreu!”

Desde quando a morte de alguém é melhor ou pior devido à beleza ou idade?

“Não tinha nem um ano de idade e já morreu” – pois eu tenho muito mais pena daquele senhor de 90 anos, que viveu, aproveitou, teve filhos, netos e bisnetos, e que sabe o que significa felicidade, saudade, família e recordações.

Eu me recuso a aceitar que a cada dia que passa, a minha morte torna-se mais tolerável para os outros.

Quando eu morrer, quero mais é que o povo fique inconformado durante muito tempo. Quero mais é que fiquem indignados ao falarem daquele “senhor que morreu durante o ato sexual com trigêmeas suecas aos 130 anos” (se bem que é mais provável que fiquem indignados com as condições da morte do que com a própria morte)

Enfim. Mas isso sou só eu. Eu tenho mais pena daqueles a quem já me apeguei durante mais tempo. Eu tenho pena da pessoa, e não da idade. Idade é irrelevante.

Aí nego vem me falar essas coisas “ah, fulano tinha só 18 aninhos e morreu…” e reclama quando eu enfio o coice “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” ou “Deus ajuda a quem cedo madruga”.

Eu nado contra a corrente, mas isso não significa que eu me afogue.

Divindades

December 30, 2008 By: Mytho Category: Cronica 6 Comments →

De todas as pessoas que eu já conheci até hoje, não me recordo de nenhuma que tenha dito (com sinceridade) ser perfeita. É claro que todos dizemos isso de vez em quando, naquele tom de brincadeira, justamente como forma de frisar que não somos perfeitos.

Você já conheceu alguém que afirmasse categoricamente ser perfeito e realmente acreditasse nisso? Imagino que não. Alguém assim provavelmente estaria confinada a um quarto de paredes acolchoadas muito confortável em uma instituição qualquer.
É uma verdade absoluta (sorry Melo), ninguém é perfeito. Todos temos defeitos e o interessante é que normalmente as pessoas gostam de enfatizar isso e elas mesmas se “jogam pra baixo”.

Quantas vezes você não ouviu alguém se auto-depreciar?
“Ah tadinha daquela, tem que me aturar…”
“Nossa, eu tem dias que fico impossível…”
“Não queira me ver bravo”
“Quando eu sou bonzinho, sou bom. Quando sou mau, sou melhor ainda”

Todos estamos atafulhados de defeitos. Ou pelo menos é o que dizem.
Aí de repente você encontra uma pessoa que tem uma opinião diferente da sua. Vocês debatem, vocês argumentam, e no fim das contas você consegue provar, através de lógica ou fatos, que estava certo. Mas a outra pessoa insiste que você está errado.

Teimosia

Temos aqui um padrão. A teimosia. Tem gente que mesmo depois de saber que está errado, não dá o braço a torcer. Nunca.
E alguém assim, você conhece? Aposto que sim.
Mas aposto também que essa mesma pessoa é uma das que diz “eu tenho milhares de defeitos, eu sou humano”. De que adianta você dizer genericamente que tem defeitos, se nunca os admite? Qual é a validade da afirmação “ninguém é perfeito” se sempre que alguém prova que você está errado, você refuta e inicia uma série de ofensas pessoais, esperando assim ganhar a discussão?

Eu, particularmente, não costumo dizer “tem razão, me desculpe, você está certo”. MAS eu admito quando estou errado. E para quem não gosta de dar o braço a torcer, eu aconselho a que utilizem o meu método.

- Mytho, este leite está estragado.
- Não tá não.
- Olha só, ele está cheirando mal.
- Mas ainda é branco, tem bom aspecto.
- Mytho, o prazo de validade era até o século XII…
- Não está estragado.
- Mytho, bebe esse leite.
(Mytho bebe o leite, que tem gosto de um gambá morto saído do ânus de outro gambá morto)
(Mytho sorri e diz:)
- Porra cara, eu te falei que esse leite tava estragado! Porquê você me fez experimentar?

E está feito. Você admitiu que errou, fez uma piada, e não teve que passar pela situação “me desculpa, eu errei, você estava certo, bla bla bla bla bla”

É tão difícil assim admitir um erro? Não é preciso jogar culpa em outra pessoa, não é preciso iniciar uma série de ofensas pessoais, não é preciso agredir. Admita, sorria, e parta para a próxima. As pessoas vão querer te ter por perto mais vezes, porque assim você será uma pessoa com quem se pode conversar decentemente.

Pode ter certeza de que se você é uma dessas pessoas que não dá o braço a torcer, sempre que você começa a teimar em algo que já foi provado que está errado, todos à sua volta reviram os olhos e pensam “já vai começar…” e no fim acabam por acenar a cabeça em sinal afirmativo só para que você cale essa maldita boca. E você acha que todos terão finalmente concordado com você, e eles estarão pensando “é a última vez que eu saio com este merda”.

Uma conversa/discussão pressupõe a troca de informações. Você não pode simplesmente se fechar ao que o outro está dizendo e tentar empurrar a sua versão goela abaixo. É preciso que haja reflexão e ponderação durante uma conversa.

E lembre-se sempre de desistir nas horas apropriadas. O que isso significa?
Significa que se a discussão chegar a um impasse em que nem um lado nem o outro podem ser provados, concordem com um empate.

Eu costumo fazer isso bastante com a patroa. Ela diz “A”, eu digo “B”. Aí chega uma hora em que eu digo:
- Olha, você vai passar o resto da vida dizendo “A”, eu vou passar o resto da vida dizendo “B”. Nossas vozes já estão altas que baste, eu vou te mostrar que estou certo com fatos, é só encontrar o livro que prova exatamente o que estou dizendo. Se você tiver provas da sua versão, que venham elas.

E pronto. Adie a discussão. Vá ao Google, procure base para os seus argumentos, e esteja preparado para estar errado. Perdi a conta do número de vezes que fui à net procurar provas de que estava certo e engoli em seco.

Não é rocket science. É simples e não dói. Ninguém vai pensar que você é burro por admitir um erro, muito pelo contrário. Vai mostrar que no mínimo, você aprendeu.

Ego-Generosidade

November 21, 2008 By: Mytho Category: Cronica 3 Comments →

- Tava aqui pensando…
- Você? Pensando?
- Há. Há. Há. Essa nunca perde a graça. Não parece, mas por dentro estou rindo horrores.
- Xi, alguém acordo do lado errado da cama…
- Posso continuar?
- Ah é, você pensou… continue..
- Você é a favor de caridade?
- Ah, já vi tudo… pode esquecer, não vou te emprestar grana.
- Não é isso, anta. Caridade de forma geral. Instituições de caridade, ajude os famintos da África, esse tipo de caridade.
- Ah, sim. Sou sim, esse tipo de caridade tem o meu total apoio.
- É engraçado. Você se sente bem quando faz caridade?
- Claro, todos se sentem.
- Pois é. Exatamente. Será que caridade é realmente caridade?
- Hã?
- Imagina que o ato de doar recursos não te fizesse sentir bem, por algum motivo. Você doaria?
- Não estou alcançando o ponto aonde você quer chegar.
- Imagina que uma instituição pede seu dinheiro para ajudar as criancinhas na África, e que por algum motivo depois de você fazer a doação, esse ato não te faça sentir bem. Você não tenha aquele prazer e orgulho em ajudar o próximo. Você doaria novamente? Seja sincero.
- Se eu não me sentisse bem fazendo o bem, eu provavelmente não o faria, é certo. As pessoas só fazem coisas a contra gosto quando é o trabalho delas, quando é a lei, ou quando contraria os seus próprios princípios.
- E caridade não entra nessas categorias.
- Não, é um gesto extra que fazemos.
- Então o que te leva a fazer caridade é simplesmente o fato de você se sentir bem ou não ao fazê-lo.
- Dissecando dessa forma, creio que sim.
- É engraçado que a caridade dependa tanto do egoísmo de cada um, e não da generosidade.
- Me faz um favor?
- Hm.
- Abstenha-se de pensar.

Sindicato Feminista

November 15, 2008 By: Mytho Category: Cronica 4 Comments →

Segue aqui um texto meu que foi publicado no mês passado na Papo de Homem, e que gerou uma discussão muito legal sobre a mulher moderna. Para ver outros textos de minha autoria publicados na PdH, é só clicar.

Mytho na Papo de Homem

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Eu não sou muito de lançar polêmicas, mas de vez em quando não resisto.

Me expliquem, se conseguirem, a tal lógica da famosa “greve de sexo” que as mulheres tentam sempre impingir aos homens, como forma de chantagem.
Como é possível, que em pleno século XXI, ainda haja quem caia nessa palhaçada?

É que eu ouvi dizer por aí que as mulheres de hoje em dia (sim, porque as de antigamente eram diferentes) até têm um tal de Ponto G, que (acreditem ou não) têm orgasmos – Mytho, você disse “orgasmos”? – Sim, eu disse orgasmos!!! – que às vezes são até múltiplos, e existem até mesmo aquelas mulheres (desavergonhadas) que admitem gostar de sexo!

Será verdade? É que não parece! Greve de sexo? Faça-me o favor, sua safada!

Eu, particularmente, gosto de ter relações íntimas com alguém que também queira tê-las comigo. Não sei se todo mundo é assim, mas eu sou.
Quando eu ouço uma mulher dizendo “então sem sexo pra você durante 1 mês”, na verdade o que eu entendo é “eu faço sexo com você por favor, e neste momento você não merece sexo (que só você gosta, porque pra mim tanto faz), e portanto não vai tê-lo até eu decidir voltar a fazer o favor de me entregar a você”

Pra mim não, muito obrigado. Pega nessa preciosidade toda aí, guarda numa caixinha, tranca, deixa mofar, porque eu sou do contra, e no que depender de mim, isso aí vai criar teia de aranha, mofo, fungo, cogumelo (que é um fungo, eu sei), uma família de pombas vai se mudar para aí, e daqui a milhares de anos vão encontrar um fóssil daquela que será a descoberta do século:

Mulher da Idade da Internet morreu ao parir uma família de pombas!

Mal saberiam eles que era tudo um mal entendido devido a uma greve besta de uma pessoa besta.
Eu sei que tem gente pensando “ah meu, mas homem tem mais vontade. Homem tá sempre no cio, homem quer sempre, a mulher vence pelo cansaço.”

Essa idéia é caricata demais pro meu gosto e para mim é tão realista como “mulher que atinge o orgasmo está possuída pelo demo”. Homem quer sempre com quem também quer com ele. Se o cara estiver ali e por um momento sentir que a sua parceira não está “na onda” dele, você pode ter certeza que o rendimento cai na hora.

O cara vai começar a pensar “porra, ela não tá gostando. Ela tá com sono… peraí, ela acabou de tirar uma catota do nariz???”
Quando o cara é jovem, ainda consegue continuar na raiva. Mas com a idade, esse tipo de evento resulta em uma bela duma broxada, ou simplesmente em um final feliz, mas não tão feliz assim.

Normalmente a base da chantagem, enquanto conceito, é você ameaçar fazer algo que para você tanto faz, mas que para a outra pessoa importa muito.
Acredite, se você me enviar a mensagem que para você tanto faz ter relações comigo como não ter, na mesma hora vai deixar de me importar muito e eu vou querer mais é que você morra virgem.

Utilize outras formas de chantagem, como por exemplo jogar fora aquele par de tênis confortáveis que eu já uso há 12 anos, deixar de fazer aquela massagem nas costas, ou qualquer outra coisa que não implique “eu não me interesso por você”.

Observação: A mulé não fez greve de sexo, e este post foi apenas motivado pelo que eu vejo acontecendo com outras pessoas. É apenas mais um de meus devaneios aleatórios, daqueles que acontecem sem quê nem pra quê. Se eu quisesse mandar mensagem pra ela, não seria por aqui. Eu prezo meus dentes. =D



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