Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Tender bites

August 08, 2008 By: Mytho Category: Rotina 3 Comments →

KissImage by patries71 via Flickr
Diz a lenda que, há alguns anos atrás, quando Mytho ainda era novinho novinho, mamãe Mytho tinha a mania de brincar com ele de “mãe leoa”.

Em que se baseava essa brincadeira? Muito simples… ela dizia “olha a mãe leooooaaa” e *NHAC* - tome mordida no meu braço.
Diz ela que eu tinha uns bracinhos tão fofinhos que não só dava vontade de morder, como ela cedia à vontade e mordia mesmo.

Durante anos ela brincou comigo de mãe leoa. Aí comecei a sair na pracinha do condomínio com ela pra ir brincar. E foi numa dessas belas tardes que eu fiz amiguinhos e amiguinhas, e resolvi colocar uma tradicional brincadeira em prática.

Nhac na molecada. Depois de alguns chorando, pequeno Mytho levou uns tapas na cabeça e nunca mais teve “mãe leoa” pra ninguém.

Pera lá… bronca tudo bem… parar de brincar tudo bem… mas dar uns cascudos em mim simplesmente porque eu repeti o que minha mãe me fazia há anos?

Alguém ainda me deve muitas explicações…

Dois lados da mesma moeda

June 12, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 5 Comments →

Eu nunca fiquei de recuperação e nunca tive que estudar propriamente para passar de ano.
Eu tinha aquela capacidade que os professores odeiam com todas as forças de seus coraçõezinhos: eu conversava na sala de aula e ouvia o que o professor dizia ao mesmo tempo.

Foram várias as ocasiões em que o professor tava explicando alguma coisa e eu no maior bate-papo. Aí eles viravam pra mim e diziam:

“NÉ MYTHO?”
Aí eu sorria e dizia “ééééééé, professor!”
“E você pode repetir o que eu acabei de dizer?”
“Claro….” - e repetia tudo tim tim por tim tim. Eles lançavam um olhar mortal para mim e continuavam explicando. Claro que todo mundo dava risada.

cola

E agora eu vou admitir pela primeira vez em público duas situações que, por incrível que pareça, são distintas.

1 - O dia em que eu ia ficar de recuperação

Física. Nunca mais vou esquecer esse dia. Eu tava lascado. Completamente na roça. Precisava tirar um 8 na última prova de física e não tinha estudado. E o pior: a prova já estava na minha frente. Pois é. fui pruma prova que eu precisava de 8 sem estudar. Eu não entendia UMA pergunta que fosse. Tem noção do que é isso?
Eu lia e aquilo tudo parecia chinês. Tava até com um nó na garganta. A palavra “recuperação” dançava na minha frente e tirava barato. “Não estudou, né? Sifu! Quem sabe da próxima você aprende, babaca!”
Olhei pro lado e vi a prova de um colega. A única coisa que eu consegui ver direito foram algumas fórmulas. Rabisquei tudo rapidamente numa folha de rascunho e tentei usar todas as fórmulas em cada pergunta.
consegui avançar um pouco (bem pouquinho) em algumas respostas e tive uma idéia: engenharia social.
Engenharia social tava muito na moda, ainda por cima com o hype que tava tendo com o Mr. Kevin Mitnik e suas capacidades sociais. O que era um peido pra quem tava cagado?
Chamei o professor e disse: “Professor, estas perguntas estão mal formuladas. Eu não consigo decifrar o que você quer exatamente. Eu passei a semana toda estudando estas fórmulas *apontei para o rascunho* e os exercícios do caderno e os resultados não estão batendo certo. É frustrante.”

O professor olhou as fórmulas da folha, viu minha cara de frustração (que era totalmente credível), pegou o meu lápis e corrigiu uma das fórmulas.
Depois começou a me explicar o que ele queria com cada pergunta. Mas como física você não consegue explicar bem sem ser com exemplos, ele foi resolvendo os exercícios para mim, um por um.
No fim, ele vira para mim e disse: “agora apaga e escreve tudo de novo com a sua letra”.

Eu tava besta. fiz o que ele mandou. O pior de tudo é que quando eu recebi a correção da prova, eu percebi que tinha esquecido de apagar umas contas que ele tinha feito e tinha do lado os dizeres:

“Eu conheço esta letra! :)”

Tirei 10 e passei.

2 - O dia em que eu estudei sem precisar

Matemática. Eu já tinha fechado na matéria, mas um grande amigo meu, na época precisava de tirar 9 a matemática pra passar. Ele chegou a chorar na minha frente, na escola, porque não sabia estudar, não tinha método, não conseguia se concentrar.
Eu chamei ele pra ir estudar lá em casa, mas eu também não tinha método nenhum, afinal de contas quem não pratica, não desenvolve. Eu sempre fui terrível pra estudar. Tentamos fazer exercícios lá em casa, e nada. Eu sabia fazer, mas não sabia explicar. Sempre que eu mostrava a resolução pra ele, ele coçava a cabeça e parecia cada vez mais desesperado. Quando voltou pra casa, estava desanimado e sem esperanças.
Passei essa semana inteira fazendo exercícios em casa. Marrando nos livros mesmo, todo o tempo que tive livre. nunca tinha feito isso na vida.

No dia da prova, eu tinha plena confiança de que sabia TUDO. cheguei para o meu camarada e disse “faz o que você tiver certeza. O resto deixa em branco. E não escreve seu nome na prova. Tenta sentar perto de mim”
Ele se sentou bem atrás de mim.
Fiz a minha prova inteirinha e olhei para a professora. Na primeira oportunidade, peguei na prova dele, e coloquei a minha em cima da mesa dele.
Aí vi o que ele já tinha feito, completei, apaguei a letra dele, e ele fez o mesmo com a minha.

Acontece que eu considerei algumas das contas que ele tinha feito e me limitei a copiar, sem pensar nelas direito.

Resultado: ele tirou 10 e eu 9.

Piro Infanto Maníacos

April 28, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 10 Comments →

Essa é das antigas.
Dois irmãos sentados num quarto. Um deles chamado Mytho. Aproximadamente 6 anos de idade e muito tempo ocioso pela frente.

Na época tínhamos dois carrinhos de brinquedo. Um vermelho dos bombeiros e um branco da polícia, cada um com dois buraquinhos na frente, perto do vidro dianteiro. O funcionamento era simples:

- Colocar pilha nos carrinhos
- Ligar o interruptor dos carrinhos
- Pegar um mini galãozinho de borracha que vinha com os carrinhos e encher de água
- Jogar algumas gotinhas no buraquinho que tinha uma setinha de entrada

E pronto. O carrinho começava a andar, alimentado pela água. Para desligar o carrinho era simples:

- Esvaziar o galãozinho de borracha
- Introduzir o mesmo no buraquinho com a setinha de saída
- Apertar o galãozinho e observar ele se enchendo de água, ao esvaziar o interior do carro

E pronto. Sem a água lá dentro, o carrinho parava.

Voltamos então à cena anterior, onde os dois irmãos (um deles eu) estavam sentados em cima da cama, pensando em alguma coisa para fazer.

- Mytho, olha ali aqueles carrinhos! Lembra deles? Faz tempo que a gente não brinca!
- É mesmo! Ó ali a bombinha pra encher!
- Legal! Vou buscar um copo com água!

- Pronto, voltei… Mytho, pega o carro da polícia!
- Tó aqui.
- É pra encher, senhor?
- Sim, por favor!

- Mytho, o carro não tá andando.
- Claro, seu burro. Faltou ligar aqui o botãozinho.

*click*

- Mytho, o carro ainda não tá andando.
- Pega o do bombeiro então.
- Tá, mas o bombeiro sou eu.
- É pra encher?
- É sim! Deixa eu só ligar aqui o botãozinho!

*click*

- Pode encher!

- Mytho, ainda não tá andando.
- Poxa, a gente já ligou o botãozinho, já botou água… já sei! O carro do papai anda a álcool!!
- É mesmo! Vamos tirar a água dos carrinhos e colocar álcool! Aí vai andar!
- Vou buscar o álcool no banheiro! Vai tirando a água dos carrinhos!

- Ok, agora vai! Bom dia, senhor!
- Bom dia! Enche o tanque por favor!
- Claro senhor!

- Mytho…
- Vamos tentar o outro!

- Nada…

** Momento Eureka **

Mytho: Já sei! Vamos tacar fogo nos carrinhos! Aí a gente finge que teve guerra!
Irmão: Vou buscar os fósforos!

Minutos depois, o pai dos garotos, na sala, começa a sentir um cheiro estranho a fumaça.
Já com uma ponta de preocupação, corre na direção do quarto dos pequerruchos.
Ao abrir a porta, a confirmação dos medos.

Cada um sentado numa cama, olhando atentamente (e muito quietinhos) para a fogueira que se erguia no carpete do quarto, consumindo dois objetos disformes, um vermelho e um branco, ao lado de uma garrafa de álcool.

Para que nunca se esquecessem do dia em que quase morreram queimados, aquele carpete queimado ficou ali durante anos, até o dia em que mudaram de casa.

Moral da história: nunca deixem as pilhas dos brinquedos dos seus filhos gastarem (ou tenham filhos mais inteligentes do que eu

Peixe faz bem aos intestinos

March 26, 2008 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 8 Comments →

Nas minhas épocas de infância/adolescência, durante 3 ou 4 anos seguidos, meu pai costumava mandar eu e meu irmão para um acampamento de férias no interior de SP chamado Paraíso do Sol.

Normalmente ficávamos uma semana, mas chegou a acontecer de ficarmos 2 semanas seguidas. Assim como em todos os acampamentos de férias, a criançada sempre volta com centenas de histórias para contar, e o meu caso não é diferente. Eu poderia escrever páginas e páginas de histórias que me aconteceram por lá, desde entrar no refeitório vestido de mulher um dia antes do jantar à fantasia até tentar convencer os monitores (responsáveis por nós) a comprar um combustível ecologicamente correto chamado Urinolina, feito à base de urina de bode.

Mas a história que quero partilhar aqui hoje é diferente.

Tudo começou num dia em que houve a Trilha.
A Trilha era nada mais nada menos do que uma caminhada pelo meio do mato, pela lama, até o topo de um monte que havia ali. Demorava aproximadamente 3 horas e não podíamos levar água ou comida. Só quem levava cantil eram os monitores, que não cediam uma gota sequer de água durante todo o percurso.

Trilha
Tá com sede? Bebe saliva!

Chegando ao cimo do monte, eles ensinavam técnicas para matar a sede sem ser preciso beber água, e ensinavam também a importância da água para o planeta e para a nossa vida.

Em seguida, com o povo já desesperado de sede, eles davam UM GOLE de água para cada um e, com um sorriso rasgado, jogavam o resto da água dos cantis no chão.

Pois bem, na volta o pessoal tava sempre sujo, com sede, e com fome, e quase na hora de jantar.

Naquele dia a comida era carne louca ou macarrão. Escolhi a primeira, que me parecia especialmente apetitosa naquela tarde. Foi também a escolha da maioria do pessoal que estava ali, visto que macarrão era repeteco do almoço.

Depois do jantar, fogueira, músicas, histórias, brincadeiras, e cama. E foi quando aconteceu.
Por volta das 4 da manhã acordo suando frio, já com a mão na barriga. Uma cólica vinda dos confins do fogo do inferno se apoderava de mim e eu mal respirava com medo que minhas resistências (a.k.a. “pregas”) falhassem e manchassem a minha reputação e o meu colega que dormia na cama de baixo do beliche.

Sem pensar em nada, saltei da cama e corri para o banheiro. Ao tentar abrir a porta, a voz sai lá de dentro:

“Volta pra fila, palhaço! Acabei de entrar!”

E foi então que percebi o ambiente à minha volta. Das beliches do quarto inteiro vinham gemidos e vozes dizendo “aê espertão, nada de furar fila hein….” e “volta pra sua cama que depois sou eu!”.
Eu sei que as pessoas gostam de se sentir parte de um grupo, e se sentem melhor quando compartilham experiências, mas aquilo era um pouco de exagero. Caganeira em grupo é intimidade a mais pra mim.

Quase ajoelhado de dor, voltei pra minha cama e foi com esforço herCUleo que aguentei até a minha vez, quando praticamente deixei um clone meu para a empresa de saneamento público cuidar e criar.

Quando finalmente nos reunimos de manhã com o restante do pessoal dos outros alojamentos, a cena era hilária se eu não estivesse no meio:

Os monitores trocavam segredos entre si, o pessoal só falava de cocô, e as meninas, tentando manter a pose, desconversavam, pálidas e com olheiras, distribuindo sorrisos forçados.

Os monitores, após conferenciar durante algum tempo, chegaram à conclusão que o problema era da sobremesa do jantar do dia anterior, um pudim meio estranho que a maioria do pessoal (inclusive eu) comeu.

Assim sendo, retirou-se a sobremesa do menu e substituiu-se por salada de fruta.

O almoço foi sopa e legumes, para acalmar os intestinos da galera, mas o jantar, depois de um dia (e uma noite) de atividades intensas, tinha que voltar a ter “sustança”.
Como o macarrão tinha acabado, o jantar era carne louca ou peixe.

Quando eu era mais novo, ODIAVA peixe. Lógico que parti pra cima da carne louca e fiz um pratão de pedreiro. E aposto que você já está batendo a mão na testa e murmurando “putz, que otário…” adivinhando o que se seguiu.
Mas é nessas horas que Nossa Senhora Dos Intestinos Soltos intercede por nós. Enquanto eu ia para a minha mesa, um moleque passou por mim e me deu uma trombada com tamanha força que o meu pratão de pedreiro de carne louca voou pelos ares e explodiu no chão.

Praguejando pelo meu “azar”, voltei para a fila pra pegar mais comida. A carne louca tinha acabado.
Xingando até não poder mais, aceitei o peixe que me jogaram na frente e fui resmungando pra mesa comer.

Por volta das 4 da madrugada, acordei com barulhos. As pessoas à minha volta gemiam, se contorciam nas camas e rogavam pragas à carne louca. Do banheiro, um colega nosso gritou a seguinte frase, que jamais esquecerei:

“Cacete! Minha bunda parece um semáforo! Já saiu o verde, o amarelo, e a qualquer momento eu sinto que vai sair vermelho!”

Mas dessa vez eu consegui rir e voltar a adormecer tranquilamente.

Ser popular

March 22, 2008 By: Mytho Category: Fato Verídico 8 Comments →

Diariamente somos bombardeados por filmes de adolescentes americanos em que tudo se baseia à volta da popularidade. É a menininha que fica amiga das populares só pra ser popular e pisa nos antigos amigos, só pra no final se arrepender, pedir desculpas em público, ganhar os amigos de volta, e ficar ainda mais popular que as outras, é o cara que quer aquela garota popular, e faz de tudo para pensarem que ele é outra pessoa, e no fim das contas, quando consegue finalmente a garota desejada, percebe que gosta mesmo é daquela nerd que o ajudou a ser popular, entre muitas outras histórias.

Popular
Só os populares comem as menininhas bonitinhas

No Brasil o concurso de popularidade começa ainda mais cedo.
Eu sempre fui tímido e, portanto, anti-popularidade. Não só era tímido, como sempre tive trauma de rejeição. Quer combinação mais catastrófica?

Pra você ter uma idéia, eu NUNCA fiz aquela brincadeira “Quem quer brincar de ….. põe o dedo aqui, que já vai fechar!” com medo de que ninguém quisesse brincar do que eu estivesse propondo. Atingiu a gravidade da situação?

Eu era um Mythinho solitário e invisível. Não estou me queixando, muito pelo contrário. Popularidade, ainda por cima quando adquirida desde cedo, pode ser prejudicial. Nego começa a achar que todo mundo baba ovo pra ele, fica insuportável, mimado e normalmente, pisa em quem tenta passar batido sem ser notado.

Graças aos céus e à genética de papai e mamãe, eu era tímido mas tinha cérebro, e nunca tive medo de usá-lo. A minha infância foi passada aqui em Portugal, lendo livros, gibis, jogando xadrez, damas, Trivial Pursuit, entre outros jogos que estimulavam o intelecto.
Calma, eu não sou o Geek Supremo Maximus Nerdicus Porky´s. A minha aula preferida na escola sempre foi Educação Física, e eu sei jogar todo e qualquer esporte minimamente popular que me disseres: futebol, volei, basquete, tênis, ping pong, baseball, futebol americano. Inclusive tive aulas de natação, judô e fiz Kung Fu até me faltar 2 meses para o exame da faixa preta (que não pude fazer, pois vim morar em Portugal :( ). Ou seja, eu sou nerd, mas tô longe de ser o bicho do mato que tem alergia ao ar livre e a esportes.

A minha popularidade sempre se limitou a círculos fechados, onde eu normalmente podia ser eu mesmo sem a parte da timidez. Descobri já bastante tarde que conseguia ser engraçado sem ter que me esforçar e que havia gente que gostava realmente de passar tempo perto de mim.

Eu era daqueles que sentava na primeira fila da sala de aula e, quando os “populares” tentavam tirar barato, a resposta era sempre rápida e humilhante, daquelas que fazia o pessoal gritar “VIXE VIXE ÔRRA ÔRRA EU NUM DEIXAVA! CHAMOU O PAI DE COXINHA, A MÃE DE EMPADINHA E COMEU OS DOIS!” - entre outras frases super bem boladas do pessoal na época.
Ou seja, eu era a pedra no sapato do pessoalzinho descolado. Por um lado, eu era o nerd que só tirava nota boa e que ficava sempre de fora nas festas e baladas. Por outro lado, eu era “terreno perigoso” porque não podiam me agredir fisicamente (eu não era o gordinho nerd típico, e a luta livre sempre foi um must lá em casa entre eu e o meu irmão), e também não podiam tirar barato com a minha cara, correndo o risco de receber uma resposta de volta desconcertante e humilhante.

Como conviver com alguém assim? Não mexendo com ele. Deixa ele quieto. Se eu não mexer com ele, ele também não mexe comigo.
E assim passei pela infância e adolescência. Invisível, porém intacto.

E você, era popular?



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