Você Não Acreditaria…

Perdido na Europa, tentando ficar mais rico
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Apertem Os Cintos, O Piloto Avisou

December 21, 2009 By: Mytho Category: Cronica, Fato Verídico 9 Comments →

Eu não sei você, mas eu tenho uma certa experiência em viagens aéreas. Comecei a viajar de avião aos 4 anos de idade, sozinho, e foi assim até aos 19, todos os anos, pelo menos duas vezes por ano (uma ida e uma vinda). Pois é, ossos do ofício para quem tem pais divorciados morando em continentes diferentes.

Eu viajava com aquelas coleirinhas ao pescoço, escrito “UM” em letras vermelhas garrafais, que eu pensava que significava que eu era apenas um, e que depois vim a saber que significa “Unnacompanied Minor” (Menor Não Acompanhado).

Era como na imagem acima, mas em vez do avião, “UM”. Era utilizada não só para avisar o staff do aeroporto que eu estava sozinho, como também para guardar todos os documentos importantes para a viagem (passaporte, passagem, bilhete de embarque, etc e tal).
Havia algumas vantagens, como por exemplo não pegar fila para embarcar ou passar na polícia. Alguém do aeroporto pegava na minha mão e me levava até ao avião/meus pais o mais rapidamente possível. Às vezes, quando era preciso esperar, o meu lugar normalmente era na sala VIP do aeroporto (onde me chamaram de “senhor” pela primeira vez na vida, por volta dos meus 10 anos).

Houve uma vez em que me deixaram sozinho numa sala técnica com… computadores. Se a moça soubesse da minha fixação pelo negócio, jamais teria feito tal asneira. Cheguei perto do teclado, olhei pros lados, apertei uma tecla. Nada. Apertei outra. Apareceu um monte de coisa escrita no monitor. Apertei outra. Apagou tudo e ficou escrito piscando “Processando…” e sumiu. Tela preta. Até hoje penso naquele dia e me pergunto o que diabos terei eu feito.

Quando entrava no avião, sentava quieto, observando tudo e todos, até a decolagem. A partir do momento em que estávamos no ar, o meu destino era sempre o mesmo:

Primeira classe, fundão, enfiado atrás da última poltrona, com um cobertor por cima, escondido. A partir daí era apenas uma questão de tempo para o caos se apoderar de todas as aeromoças, que só me achavam quando eu decidia. Fazer o quê, era assim que eu gostava de passar o tempo.

E a partir dessas minhas “experiências” eu pude trazer para a minha vida adulta algumas características:

- Amo aviação, a ponto de ter o brevet de piloto privado (monomotores)
- Amo suco de laranja de pacote, daquele bem azedo, que era o único servido nos vôos
- Amo comida de avião
- Adoro turbulência
- Adoro olhar pros outros durante a turbulência

Aprendi muito cedo a apertar os cintos sempre que estava sentado, com ou sem sinal luminoso de apertar cintos.

Houve um dia em que eu estava sentado na poltrona perto do corredor, e havia um senhor que passava a vida me dando choque, por causa da eletricidade estática. Ele não parava quieto, sempre andando de um lado pro outro, falando em voz alta com os amigos, dando uma de alma da festa.
Preciso dizer que eu estava desagradado com a presença do fulano?
O sinal de apertar cintos apareceu, ele nem tchum. Ficou sentado no braço da poltrona do amigo, conversando e rindo.
O comandante fez o anúncio de turbulência à frente e pediu que todos voltassem para as poltronas e apertassem os cintos.
O cara nada.

Uma comissária foi falar com ele, pediu pro cara sentar. Ele sentou, ela voltou correndo pro lugar dela. Já dava pra ver que o negócio ia ser bom. A anta desaperta o cinto, levanta, senta no braço da poltrona do amigo de novo, e continua conversando e dando risada.
O avião dá uma balançadinha. O avião dá um tranco. O avião passa de repente por um diferencial de pressão que faz o avião subir muito, e muito rápido. Quem entende alguma coisa de física, pressão, ou simplesmente tem experiência em andar de avião, como era o meu caso, sabe que depois de uma subida dessas, pode até demorar alguns segundos, mas vai vir uma descida igual e proporcional. Eu comecei a sorrir antecipadamente.

O que aconteceu nos 3 segundos seguintes está tatuado na minha mente. O avião despencou no poço de ar, todos os passageiros quase gritaram (todos abriram muito a boca e os olhos, e alguns fizeram gritinhos como se estivessem numa montanha russa), e o sujeito que estava sentado no braço da poltrona bateu com as costas no teto do avião e despencou de cara no corredor, ao lado da minha poltrona.

Eu nunca fui conhecido por conseguir ficar quieto perante acidentes dos outros, e dessa vez nem me dei ao trabalho de tentar. Comecei a gargalhar com tanto gosto, que as pessoas em volta não aguentaram e começaram a rir desalmadamente também. A comissária veio ajudar e chorava de rir ao mesmo tempo que perguntava se ele estava bem. Eu já estava chorando e abraçado com a minha barriga, que estava doendo de tanto rir, e comecei a tentar falar.

Eu queria dizer “O idiota bateu no teto” mas só me saía “o idiota…. ” e mais uma explosão de gargalhadas… mais uma tentativa… “o idiota…” e outra explosão.
É claro que isso não ajudou nem um pouco as outras pessoas a se controlarem, e recomeçaram todos a gargalhar. Só consegui parar depois que o cara se sentou na poltrona dele e a comissária trouxe um copo com água. Depois disso, e durante o resto do vôo inteiro, sempre que o meu olhar se cruzava com o olhar de qualquer outro passageiro, nós dois começávamos a rir. O tiozinho passou o resto da viagem sentado e de boca fechada, e não olhou para mim uma vez sequer.

Eu já tive muitas aventuras em viagens, mas nunca ri tanto como nesse dia. E sei que qualquer pessoa que tenha estado lá se lembra disso até hoje.

Por isso que eu digo, caros companheiros… acendeu o sinal de apertar cintos, você pode ser o cara mais apertado do mundo e com a pior diarréia da história… senta, segura e aperta o cinto.

Ninjas-Mirim

October 06, 2009 By: Mytho Category: Fato Verídico 5 Comments →

Esses dias tava lembrando de uma que me aconteceu em tenra idade, e que ainda não falei por aqui.

Seguinte:

Estava eu na flor da adolescência com meu irmão na laje de casa brincando de luta. Começamos com socos e pontapés, e decidimos avançar um passo no nosso treinamento shaolin.

Pegamos dois cabos de vassoura, e eis que duelávamos com duas espadas samurai, ferozmente. Pai trabalhando, mãe (no meu caso, madrasta) na cozinha sem prestar atenção na gente.
Golpe daqui, paulada dali, e decidimos que estávamos a um passo de nos tornarmos mestres.
Algumas semanas anteriormente, meu irmão tinha comprado de um amigo dele um par de nun-chakos ou, em inglês, Nun-Chucks. Para nós, eram apenas “chakos”.

chakos

O detalhe dos nossos “brinquedos” é que eram artesanais, ou seja, tinham sido feitos pelo irmão mais velho desse colega do meu irmão, e provavelmente com a pior intenção possível, utilizar em brigas de rua, ou seja, máximo dano possível.

Então a estrutura básica dos nossos chakos era a seguinte:

Dois cilindros de madeira interligados por correntes (até aqui, normal), rodeados por 2 centímetros de aço. Pois é. A madeira tinha um revestimento de 2 centímetros de aço. E sabe aquele emborrachado que costuma ter para amortecer e dar mais aderência na mão? Era uma mão de fita isolante.

Então temos, de dentro pra fora:
- Madeira maciça
- Aço
- Uma película de fita isolante

Sacou o brinquedo dos moleques?

Mais por instinto de sobrevivência do que por juízo, decidimos que não nos íamos atacar mutuamente com os chakos, e que em vez disso íamos começar a destruir um monte de tijolos que tínhamos ali na laje, e que nem sei bem o motivo de ali estarem.

A brincadeira era a seguinte:

O ninja da vez teria que realizar uma série de movimentos com o chako, dignos de cinema (girar o chako, trocar de mão, passar por baixo da perna, etc e tal), e o ajudante da vez jogaria um tijolo pro alto.
O ninja então acertaria o tijolo em pleno vôo, despedaçando-o, demonstrando assim que o tijolo nada mais era do que um simples mortal, e o ninja era o mestre superior de todas as coisas vivas existentes neste plano e dimensão.

A brincadeira demorou tão pouco tempo, que eu vou me dar ao luxo de narrá-la aqui do princípio ao fim.

Meu irmão começou por ser o ninja. Fez os malabarismos, eu joguei o tijolo pro alto, ele acertou de primeira. O tijolo quebrou em pedaços e a gente vibrou como se não houvesse amanhã.

Na minha vez de ser o ninja, fiz os malabarismos e igualei a proeza dele, fazendo o tijolo se arrepender de um dia ter nascido cozido.

E então meu irmão pegou no chako e pediu “Mytho, agora joga bem altão que esse vai ser foda!”

Vou sair um momento da narrativa, para deixar aqui um aviso. Quando dois moleques brincando com uma arma letal decidem que “a próxima vai ser foda”, chame a polícia. Nada de bom pode sair de um tipo de empolgação desses.

Voltando… ele fez os truques dele, eu me esmerei em lançar o tijolo pra cima, ele fez o movimento e…
O tijolo caiu no chão. Inteiro. Ele tinha errado o golpe. Porém algo estava errado. As mãos dele… vazias. Cadê o chako?
Olhei pra cara dele, e descobri no mesmo momento que o chako tinha escapado da mão dele e voado por cima do muro da nossa casa na direção dos quintais vizinhos.

Sem trocar uma palavra, descemos imediatamente da laje, entramos em casa, ligamos a televisão e começamos a assistir qualquer programa que estivesse passando na hora, naquele jeito de “estamos aqui a tarde inteira, não sabemos de nada, nada aconteceu” ou, como diria Bart Simpson, “I didn´t do it, you can´t prove anything”.

Passado aproximadamente uma hora depois do ocorrido, a campainha toca. Eu e ele trocamos olhares de puro terror, quando a mãe dele foi ao portão. Corremos para a janela e a cena era a seguinte:

Uma senhora de meia idade segurando o chako numa mão. Na outra, o dedo mindinho numa tala e gesso. Segue aproximadamente o diálogo dela com a nossa futura carrasca:

- Desculpe, me disseram que é aqui que moram os donos disso aqui (apontando para o chako com o dedo indicador e mindinho ao mesmo tempo, fazendo o sinal do capeta sem querer). Eu estava em casa, no meu quintal, estendendo roupa no varal, quando esse negócio voou e acertou o meu dedinho. Aí quebrou e tive que ir colocar gesso no hospital…

Roxa de vergonha, Dona Mara se desfez em pedidos de desculpas, dizendo que nos ia castigar, e que pagaria a conta do hospital, etc e tal.
Quando entrou em casa, porém, o resultado foi surpreendente. Entrou na sala com um semblante furioso, como se nos fosse matar, chako na mão. A boca dela se contorceu numa careta bizarra e de repente ela se desmanchou de rir. A imagem da tiazinha com o dedinho engessado era tão irreal que ela foi incapaz de nos dar uma surra, ou bronca sequer. Mas aquele chako a gente só voltou a ver depois de muitos meses, escondido numa gaveta do guarda-roupas do meu pai.

Moral da história: Nunca estenda roupas com o dedo mindinho levantado. É falta de educação e perigoso.

Para ver mais aventuras de minha juventude, leia a história do meu salto para a vitória, ou aquela vez que eu enfrentei um touro por dinheiro (em 3 partes). Para perder totalmente o respeito, pode também ler sobre quando eu e meu irmão fomos um pouco longe demais com nossos brinquedos

Moleque sim, criança não!

August 30, 2009 By: Mytho Category: Cronica No Comments →

E praticamente não precisaria dizer mais nada, depois do título deste texto. Mas como nem só de bons entendedores vive o mundo, lá vai Mytho dissertar.

Não gosto de trabalhar. Eu e mais 100% da população mundial. Ninguém gosta de trabalhar.

- Ah Mytho, eu gosto…
- Meus ovos.
- Mas Mytho, meu patrão é workaholic, ele ama trabalhar.
- Meus ovos com azeite, vinagre, e uma pitada de sal. Junte umas rodelinhas de cebola e sirva frio.

Já dizia o velho deitado numa pedra de madeira:
“A partir do momento em que você encontra algo que goste de fazer, deixa de ser trabalho e começa a ser diversão.”

Se você adora a sua profissão, você não está mais trabalhando. Começou a ser uma produção com prazer. “Trabalho” carrega uma conotação negativa. Tanto é que normalmente as pessoas dizem, “putz, que trabalheira” ou “esquece, vai dar trabalho demais” em vez de “eba, que trabalheira!” e “Vamos lá, vamos tuchar o rabo de trabalho, que alegria!”

Trabalho = ruim
Diversão = bom

Caso você discorde, pode ler o próximo post, que a partir daqui a minha base está nas linhas acima, e por isso você continuará discordando e me xingando até o fim deste texto. Estou lhe fazendo um favor. Saia. Já.

Aí você me pergunta:
- Mytho você gosta da sua profissão?

Por quem me tomas? É claro que não! Eu trabalho! Estou na área certa, função errada. Nada de mais nisso, eu e mais a torcida do corinthians estamos nessa situação. Felizes são os que verdadeiramente fazem o que gostam o dia todo.

Mas divago. Quem me conhece (pessoalmente ou até mesmo ao ler este site) já deve ter reparado que eu não levo as coisas muito a sério. Se houver uma forma de tirar um barato, lá estarei eu, de mãozinha levantada, louco para não perder o timing e poder dizer aquele pitaco que provavelmente só eu vou achar graça, mas que não conseguiria ir dormir à noite sem dizê-lo.

Sim, eu prefiro dizer uma piada que ninguém ria a ter que engolí-la sem dar uma chance. E o mais interessante é que normalmente eu sei quando não vão rir. E ainda assim eu conto. O que posso dizer, sou um aventureiro da brincadeira.

E “brincadeira” é uma palavra mágica. Sempre foi, desde a minha tenra infância, em que eu ainda tinha amigos imaginários, e bichinhos que viviam dentro dos meus olhos. Eu tentava assustá-los correndo na direção das paredes, portas, e outros objetos e desviando no último segundo, esperando que eles estivessem em pânico. Sim, eu criava um cinema 180º para seres imaginários que viviam nos meus olhos e viam tudo o que eu via. Não ria, eu tenho certeza que você fez coisas piores.

Voltando ao assunto, a palavra “brincadeira” seeeeempre fez meus olhos brilharem, com ou sem bichinhos lá dentro. Na época a palavra temida era “estudar”. Com o tempo, o pavor do “estudar” passou para o “trabalhar”, e a magia do “brincar” passou para o… jogar.

Simples. Temos o amadurecimento de duas palavras, dois conceitos. Infelizmente muitas pessoas não conseguem ver as coisas por esse prisma.

- Porra Mytho, trinta anos nas costas e ainda jogando joguinho de computador?
- Pô Mytho, esse seu Iphone só tem joguinho! É pra isso que você queria um celular novo?
- Mytho, você nunca fala de assuntos sérios… tudo o que as pessoas dizem você tenta transformar em piadinha…

Todos em coro:

- Mytho, como você é criança!

Criança
Foto retirada do blog Especiarias

Alto lá! Parou parou parou! Moleque é o termo correto. Criança é a senhora sua avó. Ou neta.
Apesar de gostar muito de crianças (não tirem esta frase do contexto, pelo amor de Jeebus), infelizmente não sou mais uma. Vontade não me falta, mas o tempo já se foi e agora tenho que me contentar em ser moleque, e se Thor quiser, sê-lo até o resto de meus dias.

O meu Iphone está cheio de joguinhos, é verdade. Mas não se deixe enganar. Tenho lá as poucas ferramentas de trabalho que preciso. E-mail, telefone, SMS, gerenciador de tasks, Office e VPN. Não uso muito nenhum deles, porque afinal de contas, quando estou trabalhando, é com um laptop na minha frente, e não o celular. Então quando estou com o celular na frente? Normalmente quando estou na rua, em muitas situações em que às vezes é preciso esperar em filas, esperar por alguém, esperar por alguma coisa. E é nesse momento que você vai estar do meu lado e vai me pedir pra jogar um desses joguinhos que me fazem tão criança (e que obviamente eu vou negar, porque vou querer jogar e no seu celular só tem merda que você nunca vai usar na vida).

Sim, eu adoro jogos de computador. E videogames também. Comprei o Wii. Mas confesso que é no computador que eu me divirto mais. Aí sou criticado. Pelas mesmas pessoas que logo a seguir a me criticar, vão ver televisão. É a diversão deles. Ou vão para a rua (atividade que eles exaltam tanto) sentar o cu no banquinho do barzinho, tomar um café e ficar olhando para ontem ou conversando sobre amenidades. Isso é ser adulto. Tô fora. Ser adulto não tem que ser fazer “coisas clássicas de adulto”.

Vejamos: ultimamente eu jogo um jogo chamado Eve Online. Basicamente é um Massive Multiplayer Online RPG passado no espaço. Você cria seu personagem, compra uma nave para ele, equipa a nave com armas, módulos, o que quer que você queira, e faz a sua própria história, de acordo com os seus critérios.

Faixa etária dos jogadores de Eve? 30. E estamos falando de mais de 200 mil jogadores inscritos (normalmente 15 mil online de cada vez).
Você tem que lidar com contas, percentagens, cálculos de dano, cálculos de defesas, decisões de que módulos escolher para cada nave dependendo de uma série de fatores. Há quem diga que é um dos jogos mais difíceis de se aprender hoje em dia. Pra criança? Don´t think so. Pra moleque? Sem dúvida! Eu perco passo horas em missões com o pessoal da minha corporação, matando piratas, recolhendo os destroços e vendendo as peças no mercado (aliás, o mercado de Eve é tão complexo, que existem economistas trabalhando junto aos desenvolvedores do jogo, para que a coisa se mantenha “estável”).

Durante cada uma dessas atividades (missões, mineração, comércio, trading, PvP), estou em contante contato com o pessoal da corporação, seja via texto ou por voz (usamos um software chamado Ventrilo), onde vamos conversando sobre amenidades, provavelmente as mesmas que conversaríamos se estivéssemos com o cu sentado no banquinho do bar.

Uma batida no carro, os filhos que querem um jogo novo, a aposentadoria que só chega ano que vem, o último passeio ao jardim botânico depois da reforma, e de vez em quando temos até a companhia de um policial (49 anos) de Minas Gerais que gosta de ficar tocando gaita quando a conversa morre.

Repare que os jogos não me impedem de sair de casa, não fazem com que eu deixe de conversar com amigos e família. Simplesmente são o meu hobbie, assim como artesanato, marcenaria, corridas de kart e bares são para outras pessoas.

Em relação a eu não conseguir ter uma conversa inteira sem brincar, você vai me perdoar, mas tudo o que eu mais prezo é o meu bom humor. Às vezes chego a pensar que é a única coisa de bom que eu tenho. Você não tiraria isso de mim, tiraria? ;)

Moleque sim. Criança, infelizmente, não.

Discurso à Nação

June 07, 2009 By: Mytho Category: Rotina 8 Comments →

Discurso

Maio e Junho têm sido meses diferentes.
Minha casa tem estado cheia de gente. Já recebemos meus pais, tio, fizemos uma recepção para a família, um jantar para as colegas da patroa, um casal de amigos passando aqui o fim de semana, etc etc e etc. Agora que a digníssima dignou-se (no pun intended) a comprar alguns móveis que ela achava que faltavam na casa e decorou as paredes com algumas fotos que ela tirou e luzinhas de natal (não me pergunte), adquiriu também um orgulho renovado (que eu sempre tive) em morar aqui.

A casa é grande. Tem 3 quartos, 2 varandas, cozinha, 2 banheiros (um sendo suite), sala grande com lareira, lavanderia/dispensa, garagem, e uma gata carente (não esquecendo o marido criança que mais parece um filho).

Um dos quartos foi transformado em escritório para mim, mesmo a tempo do meu laptop resolver pifar a motherboard a 10 dias de acabar a garantia de 2 anos. Sorte a minha. Foi pro conserto e agora vou ficar até 30 dias sem o bichinho. Pelo menos é de graça.

Como remendo, uso o lap da loira que, verdade seja dita, só o tem usado para checar emails a cada 2 meses.

Provavelmente na semana que vem receberemos mais visitas, e lá se vão meus tempos de Menino Mogli.
A internet ocupa ainda bastante tempo, mas não tanto quanto era o costume. Não me queixo, muito pelo contrário, mas percebo que aos poucos vou me virando mais para o lado da internet móvel.

Sinto que as coisas que me interessam mais na internet estão acessíveis a partir de um celular, um ipod, e por isso não passo tanto tempo na frente do computador. É claro que eu ainda uso bastante o bicho para jogos. Os jogos para o ipod são legais, mas ainda estão a anos de distância de terem a jogabilidade/qualidade/complexidade dos jogos para PC, diga você o que disser.

E assim vão se passando as horas, os dias e as semanas. Muitos filmes, alguns jogos, e a esperança que me telefonem da FNAC avisando que meu laptop está pronto, para que eu possa ir buscá-lo, tirar o Vista, colocar XP, e reinstalar tudo o que me interessa novamente.

De zero a dez, a vida está um sete. Com grana viriam 2 pontos. Sem o peso excedente viria o ponto que falta. Mas sete já é bom. É um começo.

E por aí, qual é a nota para a sua vida? E o que falta para chegar aos dez?

Tender bites

August 08, 2008 By: Mytho Category: Rotina 3 Comments →

KissImage by patries71 via Flickr
Diz a lenda que, há alguns anos atrás, quando Mytho ainda era novinho novinho, mamãe Mytho tinha a mania de brincar com ele de “mãe leoa”.

Em que se baseava essa brincadeira? Muito simples… ela dizia “olha a mãe leooooaaa” e *NHAC* – tome mordida no meu braço.
Diz ela que eu tinha uns bracinhos tão fofinhos que não só dava vontade de morder, como ela cedia à vontade e mordia mesmo.

Durante anos ela brincou comigo de mãe leoa. Aí comecei a sair na pracinha do condomínio com ela pra ir brincar. E foi numa dessas belas tardes que eu fiz amiguinhos e amiguinhas, e resolvi colocar uma tradicional brincadeira em prática.

Nhac na molecada. Depois de alguns chorando, pequeno Mytho levou uns tapas na cabeça e nunca mais teve “mãe leoa” pra ninguém.

Pera lá… bronca tudo bem… parar de brincar tudo bem… mas dar uns cascudos em mim simplesmente porque eu repeti o que minha mãe me fazia há anos?

Alguém ainda me deve muitas explicações…



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