A Julia do PopCandy fez um post muito interessante sobre os motivos que a levam a escrever (ler post aqui), traçando meio que um paralelo com a greve dos argumentistas em Hollywood.
Eu resolvi fazer aqui também um post tentando entender, afinal de contas, os motivos que me levam a escrever.

Antes de mais, vale mencionar que eu odeio escrever. Desde a escola primária, eu sempre abominei redações, aulas de português, gramática, literatura, o que quer que fosse relacionado com escrita, eu tava fora, e nunca passei de um aluno mediano nessas matérias.
Em contrapartida, sempre amei ler. Livros. Gibi qualquer um lê. Adoro gibis, mas livros é que me fazem viajar.
Então, se eu odeio escrever, o que me levou a “esta vida”? Primeiro, acho que o fato de morar a alguns milhares de Km da mãe ajuda. Enquanto eu morei no Brasil, minha mãe já morava em Portugal, e eu descobri que manter um “diário” no Livejournal ajudava-a a superar a distância e a se manter informada das coisas que eu fazia, do que eu pensava, por onde andava, etc. (estamos falando do ano 2000).
Outro motivo que me levou a escrever foi eu ter a imaginação extremamente fértil, talvez devido à quantidade massiva de filmes nonsense que eu assistia quando menor e todos os jogos de computador que eu jogava na época.
Eu me lembro que na escola começava a conversar com meus colegas e invariavelmente eles acabavam rindo às gargalhadas e dizendo “aff Mytho, cala a boca, como você fala merda…”
Ainda assim, riam. Então eu pensei que se eu conseguia fazer eles rir, talvez conseguisse fazer o mesmo com mais pessoas.
É claro que o meu objetivo principal não é fazer as pessoas rir. Se fosse, nunca teria escrito o Comandante Loureiro, um de meus textos mais lidos na galáxia e arredores. Mas a verdade é que a maioria das coisas que escrevo tem, em algum lugar, um espaço para ao menos um sorriso (eu sei, você ainda não sorriu neste texto, e é provável que nem venha a sorrir, agora que estou eu dissecando em teorias todo o processo em auto análise contemplativa e meditativa do conteúdo de minhas criações literárias, fato que reconheço, assumo e lamento como evento a não se realizar em duplicata, triplicata ou megacata - ok, inventei essa).
Do Livejournal passei para o blogspot. Do blogspot registrei o domínio mytho.com.br. Depois de voltar pra Portugal, troquei pra mytho.com.pt.
Nunca tive tantos leitores como hoje em dia, e esses dias resolvi fazer uma comparação dos textos que escrevo e dos que escrevia antigamente.
Claramente antigamente eu escrevia muito mais para mim. Os meus posts normalmente eram uma frase (eu inventei o twitter), muito resumida, com apenas um pensamento, uma idéia, um palavrão.
Tudo bem, eu escrevia para mim, mas hoje em dia eu leio aquelas frases e não faço a menor idéia do que eu tentei dizer ou da situação que me levou a escrever aquilo.
Daí concluo que eu escrevia pra ninguém.
Hoje eu tenho consciência de que há pelo menos uma centenazinha de pessoas lendo o que eu escrevo, e talvez o dobro disso caindo de pára quedas vindos dos motores de busca ** Olá, paraquedistas! ** (pamela anderson pelada, vanessa hudgens, justin timberlake, pit bull, xuxa transando, britney spears, fotos de um orangotango sexy comendo um palmito pintado de banana)
Apesar de eu ter consciência de ter mais pessoas do que o normal lendo este site (a maioria veio da Papo de Homem, estou longe de estar entre os mais lidos. Não tenho 1/6 dos leitores da maioria dos blogs que leio, e para ser sincero não me esforço muito para isso.
Já disse o aracnídeo: “With great power comes great responsabilities”, e eu acho que se tivesse o poder de andar balangando de um prédio pro outro através de teias, a cidade ia estar um nojo, porque basicamente era tudo o que eu ia fazer na vida. Traduzindo, se eu fosse um formador de opiniões, teríamos agrupamentos de pessoas nas ruas fazendo bundalalê para as pessoas dentro dos carros, que, por sua vez, também fariam bundalelê para as pessoas na rua.
Ia ser divertido, mas não iria contribuir para o engrandecimento geral da população… quer dizer… até ia, mas em outro sentido…
Gosto de manter este site “familiar”, esquema todo-mundo-conhece-todo-mundo, o pessoal me xinga nos comments, eu xingo de volta, tudo numa boa, sem stress.
Gosto de responder aos comentários e gosto de visitar o site de quem comenta aqui, e muitas vezes tenho boas surpresas (como por exemplo hoje).
Finalizando este post, eu escrevo porque acabei me acostumando a escrever. Escrevo porque é mais barato que terapia. Escrevo para exercitar meu português. Escrevo para que meus amigos que moram longe saibam do que se passa comigo, e escrevo porque odeio escrever.
E você, escreve porquê?