Como já foi mencionado neste site anteriormente, há algumas pessoas que querem saber as diferenças entre xaveco português e xaveco brasileiro.
Antes de mais, é preciso entender que tanto em Portugal como no Brasil há pessoas de todos os tipos, com todos os tipos de mentalidade, e portanto eu nunca poderia fazer um texto que caracterizasse um país inteiro.
Assim sendo, vamos concordar que eu vou falar apenas de maiorias ou simplesmente de situações mais comuns, ok?
Se você não se identificar com os tipos abaixo, é simplesmente porque você não faz parte da maioria. Comentários dizendo “nem todo mundo é assim”, “eu não sou assim”, “isso é sexismo”, e outros desse tipo são desnecessários. Eu já sei disso tudo. De acordo? Ótimo.
No Brasil
Antes de começar a falar das portuguesas, é preciso, antes de mais nada, saber o que nós (brasileiros) temos “em casa”, ou seja, como são as brasileiras em termos de xaveco.
O Brasil herdou grande parte da cultura (e ainda herda hoje em dia) dos Estados Unidos. A música, as roupas, os valores, têm muito mais a ver com a América do Norte do que com a Europa, e isso é bastante notório quando se fala em interações homem-mulher.
O que eu vou passar a descrever refere-se somente aos xavecos de balada, ou seja, aqueles que você vê em bares, discotecas, festas, e que normalmente servem apenas para ficar com outra pessoa e não passam de uma noite.
Lavando a roupa suja
- Se você tem carro, tem mais chance de conseguir faturar.
- Quanto melhor o seu carro, mais bonita e gostosa a mulher que você vai conseguir.
- Se for bonito, muitas vezes o carro é dispensável.
- Tem que ter bom papo, senão esquece.
- Tem que ser animado.
- Roupa de marca ajuda.
- Dinheiro é o melhor afrodisíaco sempre.
E neste ponto eu faço uma pausa. Consigo ouvir mulheres furiosas e ofendidíssimas com os tópicos acima querendo arrancar meus pulmões pelas minhas orelhas, berrando “EU NÃO SOU ASSIM! ISSO É LENDA!”. A essas, por favor, voltem a ler os 2º, 3º e 4º parágrafos deste texto. Eu avisei que ia ser hardcore.
Voltando…
- Ser engraçado não é obrigatório, mas é uma mão na roda.
- Se beber, é mais facilmente integrado.
Esta é uma lista pequena e eu sei que você teria muito mais a dizer sobre ela, afinal de contas você já vive (ou viveu) nessa rotina. É claramente sabido que uma pessoa que não tenha nenhuma das características acima vai morrer virgem.
Para falar sobre a cultura portuguesa nesse sentido, vou me valer não só de experiência pessoal (pois a minha é bastante limitada), mas também de relatos de amigos e amigas, fora a observação nos típicos lugares de xaveco.
A principal diferença que se faz notar aqui em Portugal é a intelectualidade. Não adianta insistir, aqui em Portugal os homens e mulheres são muito mais intelectuais do que no Brasil (de forma geral, eu insisto).
Então se eu fosse fazer um resumo das prioridades das fêmeas portuguesas no processo xavequístico, seria algo do tipo:
Lavando o bacalhau
- Carro? E daí?
- Ferrari? Impressionante, mas quanto é que gasta de combustível?
- Beleza ajuda, mas…. mas…. realmente não é essencial
- Bom papo. Talvez seja o elemento principal. Mais explicações à frente.
- Quanto mais engraçado, melhor
- Roupa de marca não significa nada
- Dinheiro é bom, claro, mas se não souber usar, eu tenho pena de você.
- Beber e fumar são integradores naturais, mas não é isso que vai te impedir de conhecer gente nova
- É preciso ser social! Quanto mais amigos, melhor você se enturma com os amigos dela.
- Escolaridade é importante
- Emprego é importante
- Ter plano de vida é essencial (nem que seja viajar pela Europa tocando sanfona no meio da praça)
- Ler livros ajuda. Saber citar autores também.
- No meio do xaveco, muitas vezes, até política entra, por isso esteja preparado pra falar sobre tudo.
- Em muitas vezes, ter sotaque brasileiro ajuda
No fim desta lista, tem nego querendo se mudar pra Portugal.
“Não é preciso ser rico nem bonito? Tá pra mim! Eu já li o Menino Maluquinho!”
Acalme-se, pequeno gafanhoto. Despeje um copo de água com gelo pelas cuecas abaixo e continue a leitura, pois a rapadura é doce mas, como diz o ditado, não é mole não.
Aqui em Portugal, se você sair à noite sozinho, a menos que seja Orkut, deus turco da Sociabilidade (ok, totalmente inventado por mim, mas faz sentido), voltará para casa nas mesmas condições. É preciso entender que a mulherada aqui em Portugal, assim como no Brasil, sai sempre acompanhada, normalmente com amigas e amigos. Grupinho. Até aí não há novidade. O problema é que é grupinho fechado.
Sair se apresentando na cara dura como no Brasil aqui não resulta. O mais normal é ser tachado de taradão e os 30 segundos que vão te ceder de conversa serão pela mais pura educação, antes de começarem a fazer sinais para os amigos, que virão em seu socorro, chamando-a pra dançar, e afastando-a de você.
Assim sendo, se você sair para “caçar” à noite, leve amigos. É muito mais fácil integrar dois grupos do que uma pessoa num grupo.
Se você conhecer alguém que a conheça, é o ideal. Ser apresentado aqui em Portugal é a forma mais fácil de faturar uma love night.
Mais uma vez: Estou falando de maiorias e de situações mais comuns. É perfeitamente possível você, sozinho, chegar aqui num grupo, conhecer a mulher, dar uns beijos e etc e tal. É apenas menos provável.
Ave Maria, ele é cheio de graça
Ser engraçado é extremamente importante. Normalmente quando vejo amigas minhas falando dos namorados, uma das coisas que normalmente eu ouço é:
“Eu adoro ele, ele me faz rir tanto..” ou “Você tem que conhecer, ele é muito engraçado!” e outros derivados. Faça rir. É uma das chaves que abre as defesas da maioria das mulheres. Rir desarma e faz com que ela queira passar mais tempo com você (para rir mais).
Sem pressa
Duas amigas minha brasileiras vieram morar em Portugal. As duas tiveram o mesmo problema:
“Mytho, eu já saí com o cara 2 vezes… ele não me beijou! Eu sou tão feia assim??”
Acreditem vocês em mim, ela de feia não tem nada.
O problema é que o povo aqui é mais lerdo mesmo. Tudo demora. O xaveco demora, o beijo demora, o amasso demora… no caso dessa amiga, o cara tava apaixonadíssimo por ela, mas não queria avançar com medo que ela ficasse pensando que ele era um aproveitador. Se fizermos um pouco de psicologia reversa, podemos então observar que aqui em Portugal, se você for com muita sede ao pote, também leva um “não” mais do que garantido.
Conselho de cafajeste: Se quer xavecar, beijar e tudo mais logo de primeira, aponte para as bêbadas. Com as outras, vai ser complicado. Impossível não, mas complicado.
A psicologia por trás do comportamento
No Brasil a mentalidade é muito voltada para a aparência física e para o material, mas as mulheres normalmente são mais desinibidas e “independentes” no conceito “eu-estou-bem-comigo-mesma-e-faço-o-que-achar-melhor”, ou seja, não precisam provar nada para ninguém. Se ela sai na noite pra ficar com alguém, não tem medo de julgamentos, não quer nem saber se vão dar rótulos, afinal de contas ela só quer dar uns beijos, uns amassos, e quem é que não gosta de dar uns amassos hoje em dia?
Em Portugal a mentalidade está muito mais voltada para a pessoa em si, mas o sentimento de “grupo” está muito mais presente. Elas querem saber sobre quem você é, o que você faz, o que você pensa, mas dificilmente saem na noite para “caçar”. Ou pelo menos não admitem. Elas saem sempre dizendo que “é só pra dançar e se divertir com os amigos”, mesmo que a intenção seja outra. Assim, se alguma delas fizer “algo” fora do grupo, ela vai ter medo do que os amigos vão pensar dela, e também do que o próprio cara que ela tá vai pensar dela.
Mytho, quem é melhor? Portuguesa ou Brasileira?
Eu sou casado desde Maio com uma portuguesa. O processo de xaveco foi conforme descrevi acima. Um amigo apresentou, e a partir daí foi muita (muita muita) conversa, sempre com piadas pelo meio, uma viagem, música, presentes e mais piadas.
Eu às vezes falava com ela no MSN com a webcam ligada, e estabelecia para mim mesmo objetivos:
“Ela vai rir da próxima coisa que eu disser” - “Ela vai sorrir agora”
Cada caso é um caso, cada pessoa é um indivíduo único. Tentei aqui abordar maiorias e espero tê-lo feito de forma coerente.
De qualquer forma, é o meu ponto de vista pessoal. Se o que eu disse é bobagem, pode ser que eu tenha frequentado lugares diferentes. Pode ser que eu tenha uma visão distorcida sobre as coisas que me rodeiam. Ou então pode ser você.