Eu xabô! Eu conxegô!
Bom, eu já tenho alguns aninhos de internet e blogs e coisas parecidas.
Como fiz a primária aqui em Portugal, para mim é mais fácil escrever na língua portuguesa sem cometer erros. Não digo que escrevo sem nunca errar. Simplesmente por conhecer mais intimamente a raiz da língua, talvez me seja mais “natural” escrever de forma correta.
Quando eu era moleque, teve uma vez que eu tava com meu pai passeando no shopping, e a gente parou do lado de uma vitrine de sapatos, e uma mulher chamou o vendedor e perguntou:
“Quanto custa esses sapato?”
No Brasil é normal, talvez por influência italiana, engolir o “s” do plural.
Eu, com meus 6, 7 anos de idade, puxei a saia da mulher e gritei lá de baixo:
- MOÇA, É QUANTO CUSTAM ESSES SAPATOSSSSSSSS! TEM “M” E “S”!
Diz meu pai que a cara da mulher passou por todas as cores habituais encontradas em um semáforo, e sorrindo, saiu dali sem esperar a resposta do vendedor.
Claro que depois eu cresci e deixei de ser mala.
Mas a verdade é que às vezes leio coisas em determinados blogs que arrepiam os meus pelos nasais. Eu entendo muitos dos erros que leio, e consigo perceber às vezes porque é que as pessoas os cometem.
O que me causou espanto ultimamente foi a quantidade crescente de blogs portugueses que cometem erros que completamente assassinam o nosso querido e amado Português (não, não é o tiozinho da padaria, é a língua mesmo).
Eu não vou entrar em discussões sobre como as pessoas falam (Mais ou menas, estou meia tonta, etc).
Vou falar mesmo é da escrita. Então vamos lá. Tente ter paciência, pode ser que este post acabe por te ajudar de alguma forma. Ou pode ser que eu esteja errado em algo que diga, e cabe a você me corrigir.
Pérolas portuguesas:
“Se nós fizer-mos isto, vamos conseguir”
“Nós ontem conversá-mos e tomá-mos uma decisão”
Criaturas de Deus, o que aquele hífen está fazendo ali no meio? Por favor, não nos precipite-mos!!
O problema é que aqui em Portugal escrever dessa forma está virando moda! As pessoas começam a ler em outros lugares e vira epidemia. Nunca vi igual. Te-mos que ter cuidado para não errar-mos, senão esta-mos ferrados!
Outra coisa linda de se ver aqui em Portugal são os adolescentes escrevendo no MSN. Segue um comentário de uma garota em um site português:
“pr acaso nnca tnh reparad, ms e msm verdade.. Engraxad exa coisa… O cerebro e msm 1 coisa bestial… E pena k alguma pessoas s eskeçam k tem 1… ms pntx.. nem tud e perfeit.. lol bj e fica bm”
Ela tentou dizer “Por acaso nunca tinha reparado, mas é mesmo verdade… Engraçada essa coisa… O cérebro é mesmo uma coisa bestial… É pena que algumas pessoas se esqueçam que têm um.. Mas pronto, nem tudo é perfeito… lol beijo e fica bem.”
E acreditem em mim quando vos digo que este exemplo é mesmo muito light e dos mais fáceis de entender que andam por aí. O negócio está atingindo proporções alarmantes.
No Brasil:
O Brasil perde um pouco nesta “batalha”, pois há certas coisas que nos complicam a vida a nós, brasileiros, quando o assunto é a escrita. O primeiro problema é que normalmente as nossas vogais são abertas. Sempre que tem a letra “A” sozinha, a gente lê “À”. E daí talvez venha o primeiro erro que digo aqui.
Reparei que cada vez mais, as pessoas confundem “esta” com “está”.
Do tipo: “Nossa, está casa é linda!”
Criançada, “está” é apenas um verbo! Verbo estar. Quando alguem quer falar “este, aquele, aquela, esta”, é sempre sem acento. Como diria o Jô Soares no seu e-mail, “é sem acento é sem acento é sem acento”.
Aqui em Portugal existe uma grande diferença na forma de falar “esta casa” e “ele está com fome”, e talvez por saberem bem a diferença fonológica entre cada uma das palavras, consigam escrever bem com mais facilidade.
Ah, mas ainda não acabei. Tem mais erros para mim explicar pra vocês.
Esse é o erro que eu gosto de chamar “erro de curuMIM”. Parece índio falando. Povo, mim não faz nada. Mim compra tudo feito.
O problema é que esse erro já tá incorporado na cultura brasileira de tal forma, que daqui a alguns anos é bem capaz de ser incluído na gramática. Lutem contra os curumim’s!
Eu também queria falar dos acentos no “A”, mas é guerra perdida. Você vê em posto de gasolina, cartazes gigantescos, com “pagamento à prazo” escancarados. É outro erro que aqui em Portugal não cometem, pois dizer “à vista” e “a prazo” têm dois sons totalmente distintos. Eu não vou entrar aqui em regras gramaticais, senão até eu adormeço. Meu objetivo foi só apontar o erro.
Outro erro.. outro dia li no orkut: “era pra ele vim, mas aconteceu um problema”.
É mais um erro que provém da fala. Nego fala errado, mais cedo ou mais tarde, começa a escrever errado. A única forma correta de “vim” é na primeira pessoa, passado: “Eu vim”. O resto tá errado.
Como regra geral, há erros que ambos os países cometem.
Vêm – Vêem: Decore isto. Você vê com os 2 olhos, então para o verbo “ver”, o correto é “vêem” com dois “e”. “Vêm” é do verbo vir.
Vir – Vier: Se você quiser dizer “quando eu voltar..”, não diga “vir”. “Vir” é de “ver”. “Vier” é de “voltar”.
Sempre que tiver alguma dúvida de como se escreve uma palavra, põe ela pra lutar com a alternativa no Google Fight. Escreve lá “à prazo” e “a prazo” e vê quem ganha.
Bom, chega de dar uma de Prof. Pasquale. Termino o post com uma dúvida genuína minha que até hoje ninguém conseguiu me responder. Sempre me respondem com teorias que não levam a lado nenhum. Talvez por aqui eu tenha sorte.
Considerem opostos – antônimos:
Claro – Escuro.
Simples – Complicado.
Maior – Menor.
Mais – Menos.
Fácil – Difícil.
Pequeno – Grande.
Até aqui sem problemas, certo? Vamos dar uma incrementada, assumindo que a regra se aplica sempre:
Mais claro – Mais escuro.
Mais simples – Mais complicado.
Não existe “Mais maior”, portanto também não existe “Mais menor”.
Mesma coisa se aplica para “Mais” e “Menos”.
Mais fácil – Mais difícil.
Mais pequeno – Mais…. grande?
Calma lá. Eu sempre aprendi que “Mais grande” não existe, mas nunca vi problema nenhum em ouvir pessoas falando “Mais pequeno”. “Grande” não é o oposto de “Pequeno”?
Então qual é o motivo de poder “Mais pequeno” e não poder “Mais grande”?
Esta, meus amigos, é a pergunta que não quer calar.

