Salas de embarque
Em mais um post depois de uma atividade observacional sócio-comportamental (e qualquer outra coisa que signifique “observando o povo fazendo bosta”), venho aqui fazer uma pergunta:
Pra quê fazer filas gigantescas nas salas de embarque dos aeroportos?
Criançada, a situação é simples. Imagine que você tem em mãos uma passagem aérea para qualquer lugar deste planeta. Digamos de São Paulo para Madrid, apenas como exemplo. Não que isto tenha acontecido. Nada a ver. É só um exemplo. Ok?
Então você entra no aeroporto. O que você faz primeiro?
Muito bem, você olha para a passagem e procura o número do vôo. Logo em seguida, você sai em busca do mesmo número nos monitores do aeroporto.
Lá, você saberá qual é o balcão em que terá que efetuar o chequinho. No mesmo momento em que você conseguir obter o número do balcão, corre negão! pra chegar na frente dos outros e, quem sabe, garantir um lugarzinho na janela.
Chequinho feito, você vai se dirigir à sala de embarque. Para isso, basta passar antes no detector de metais e na Polícia Federal, onde você terá que mostrar o passaporte, tirar o boné, os óculos escuros, e aguentar feito macho o olhar penetrante (uiê!) que o agente lançará sobre você, tentando avaliar se você é ou não é aquele malacabado com cara de sono cheio de olheira que tá na foto.
Se a conclusão dele for “sim”, então você já fez o mais difícil. Agora você se encontra na área internacional do aeroporto (vamos supôr que o vôo é internacional, mas a teoria também funfa para vôos regionais). É o paraíso. Só quem já esteve num Duty Free Shopping sabe o que é voltar a ser criança numa loja cheia de doces coloridos.
Duas sacolas cheias depois, é hora de ir para a sala de embarque. Essa famosa sala de embarque é nada mais nada menos que uma sala cheia de cadeiras, com duas portas: a que você entrou e a que leva ao avião.
Esta última porta normalmente está fechada, pois a tiazinha da limpeza ainda não terminou de desgrudar o chiclete daquela poltrona do avião que, por acaso, é a sua.
Nessa hora, você já vai observar que algumas pessoas estão na frente dessa porta, iniciando uma fila. UMA FILA, SENHORAS E SENHORES!
Mas o pior ainda está por vir. A moça da empresa aérea pega num telefoninho, aperta um botão e dos altifalantes sai o famoso “PIN-TÃO!”, anunciando que alguém vai falar nos microfones.
Aí ela começa:
“Atenção senhores passageiros do vôo XYZ com destino a Madrid, favor embarcar pelo portão 12. Etc e tal”
Nessa hora já tem mais de 50 pessoas fazendo fila na frente da porcaria da porta que nem abriu ainda!
Vamos então (finalmente) ao ponto da questão. Caro amigo, você normalmente gosta de estar na frente de uma fila por vários motivos, e todos eles se resumem a um só:
Você quer que a sua vez chegue logo, para você sair logo dali e fazer o que tem a fazer.
Transporte essa realidade para o aeroporto e considere:
- O avião não vai sair dali sem você
- Quem entra primeiro fica esperando dentro do avião mais tempo
- Quem espera dentro do avião mais tempo, tem mais chance de tomar cacetada na cabeça de malas, bundas gordas, cotovelos, joelhos, e outros objetos em geral, enquanto as pessoas arrumam as coisas
- A fila do portão de embarque costuma ser rápida
- A partir do momento que você entra no avião, nada de banheiro na próxima hora (vamos supôr meia hora de espera no pátio e mais meia hora de aviso de apertar cintos ligados – este valor tende a ser mais alto, nunca mais baixo)
- Esperar na sala de embarque é mais confortável, mais espaçoso, normalmente tem TV e banheiros

Desculpa companheiro, mas essa fila é pra quê mesmo?
Meu amigo, entrar naquela fila quilométrica é o erro capital das salas de embarque.
Então o que fazer quando o portão abre?
- Vá ao banheiro
- Continue vendo TV calmamente
- Aproveite-se para se esticar bastante, você não terá esse conforto dentro do avião
- Observe a cara de tédio das pessoas que estão na fila
- Ria da cara de tédio das pessoas na fila
- Tire uma catota do nariz e cole em baixo da sua cadeira
- Descubra que alguém já fez o mesmo e agora a sua mão tem uma catota seca grudada (provavelmente minha)
- Espere que a fila esteja consideravelmente menor e só então entre
- Liberte-se dessa mentalidade de formigueiro que o cotidiano nos impõe. Crie seus próprios padrões de conforto e eficácia. Deixe de imitar o outro sem saber o motivo daquilo tudo. Questione. Questione-se. Descubra, reflita e conclua.


