Show Gospel é ducarai, véi
Eu li este post da Cláudia em que ela diz que sair com homem que frequenta show gospel não dá tesão.
Creio que este é um momento tão péssimo como qualquer outro para uma confissão bombástica:
Eu frequentei a Renascer em Cristo durante algum tempo. Eu vou esperar 12 minutos até que você pare de rir descontrolada e freneticamente.
(…)
Durante o seu ataque de riso, a pergunta “como?” deve ter passado pela sua cabeça. Ou ainda “por quê?”
É natural. Justo eu, um cara que faço posts misturando religião, palavrões, e alfinetadas a práticas pré-estabelecidas e integradas profundamente na sociedade, praticamente um pregador de filosofias anti-formigatizantes.
Você pode vir a se perguntar “como é possível você ter sido atraído a uma Renascer?”. A resposta é simples. Shows Gospel.
Mais 15 minutos para a gargalhada histérica.
Agora que já perdi todas as chances de um dia vir a conhecer intimamente a Cláudia devido a estar falando bem de shows gospel (e por ser casado também, já que falamos no assunto), eu passo a explicar e tentar desfazer um mito sobre a música gospel.
Uma coisa é Padre Marcelo Rossi, com o “erguei suas mãos e dai glória a Deus”. Outra coisa completamente diferente é Bride gritando “Espantalho! Traga suas crianças pra casa!”, referindo-se a Jesus, em sua típica posição de espantalho, na cruz. Não entendeu? Dá uma olhada neste show na Renascer:
Se não tivesse legendas e você tirasse o som, você diria que é um show gospel? Já começa a fazer algum sentido eu, um (na época) guitarrista, ter entrado na igreja ao ouvir este tipo de sons saindo lá de dentro? Acho que sim. Porque entre ouvir uma porrada de guitarras detonando com um vocalista falando de massacres, desgraça e matança e ouvir uma porrada de guitarras detonando com um vocalista tentando te botar pra cima, falando em amizade, esperança e felicidade, eu prefiro a segunda.
Antes de mais, é preciso separar o joio do trigo. Assim como existem professores legais e professores chatos, existem músicos legais e chatos, também existem crentes legais e chatos. A proporção aqui não importa. Existem e é preciso conhecer antes de tacar a pedra.
E quer saber o que é legal desses shows? Não tem as rodinhas metaleiras-punk em que o povo sai dando bica pra tudo quanto é lado, socando e derrubando quem estiver na frente. Ali o povo pula junto, sorri pra você, e se você tropeçar e cair, ao invés de ser pisoteado e se transformar em estampa no chão, o pessoal à sua volta te ajuda a levantar.
A idéia de que rock pesado está associado à violência perde toda a validade nesses lugares. Foi por isso que eu entrei um dia na igreja e passei a frequentar o espaço durante mais ou menos 1 ano. Toda sexta feira tinha show, e eu batia cartão lá toda sexta feira (embora não fosse aos cultos de domingo - não tinha música
).
Mas continuando. Ao ver o vídeo acima você pode dizer: “ah Mytho, mas eles são americanos! Estão sempre um passo à frente!”
Minha resposta. Você já deve ter ouvido a música Glória Glória Aleluia em algum momento de sua vida.
A música nem é assim tão feia, a melodia tem aquela fórmulazinha mágica que faz com que a letra fique na cabeça durante algumas horas. Eu sei, tá faltando guitarra, tá faltando bateria, e tá faltando peso. Ou não?
Agora me diga: qual é o problema em sair com alguém que frequente show gospel? Você não iria ver o show acima? Se a resposta é “não”, tente se perguntar o por quê. Se a resposta for “porque eles falam em Jesus e em aleluia e em salvação”, talvez seja hora de você rever seus pré-conceitos, pois provavelmente as músicas que você ouve não terão algo melhor a dizer.
Meu propósito não é evangelizar ninguém aqui, é simplesmente dizer que música boa é música boa, independente de todo o resto. Não se prenda à idéia besta de “se fala de Jesus, é chato e eu vou ter sono”. Eu fiz muito headbang ao som destas músicas, e se ainda tivesse o cabelo pela cintura, estaria fazendo até hoje.
Para conhecer melhor estas músicas, eu aconselho a que procurem no youtube mais sons de Bride, Oficina G3, Resgate, White Cross e, se você aguentar a porrada na orelha, Mortification.

